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EXPOSIÇÕES
o preferido dos paulistanos
Uma
grande mostra do pintor espanhol
será aberta na quarta-feira,
na Oca,
com 125 obras, entre pinturas, esculturas,
cerâmicas, desenhos, colagens e gravuras.
Desde
a década de 50, o gênio do cubismo
já atraiu mais de 1
milhão de visitantes
aos museus de São Paulo
Lúcia
Monteiro e Orlando Margarido
Fotos Sucession Picasso 2004/Photo RMN/JG Berizzi
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| O
Beijo, de 1969:
interesse
por sexo aos 80 anos causou escândalo |
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também |
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de imagens |
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Foi
amor à primeira vista. As telas de Pablo Picasso causaram
frisson entre os paulistanos desde a primeira vez em que aqui foram
expostas, na Bienal Internacional de 1951. Dois anos mais tarde,
na Bienal que antecipava as comemorações do quarto
centenário de fundação de São Paulo,
o artista roubou a cena com sua monumental Guernica (3,49
metros de altura por 7,76 metros de largura), que leva o nome de
uma cidadezinha bombardeada durante a Guerra Civil Espanhola. Em
1996, a sala a ele dedicada foi eleita pelo público a melhor
da 23ª Bienal. Juntas, as principais mostras do gênio
do cubismo vindas para cá receberam mais de 1,2 milhão
de visitantes. A partir de quarta (28), o pintor malaguenho deve
provocar novamente longas filas, agora na Oca do Parque do Ibirapuera.
Há a expectativa de que, em três meses, 1 milhão
de pessoas vejam os 125 trabalhos emprestados pelo Museu Picasso
de Paris. Outra tela que leva sua assinatura enriquece a exposição
Provocando o Olhar, no Masp, com parte da coleção
de arte européia do século XVI ao XX do Banco Santander
(veja reportagem seguinte).
Essas duas belíssimas atrações estão,
sem dúvida, entre os mais interessantes programas organizados
para os festejos do aniversário da cidade.
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| Jacqueline
de Mãos Cruzadas, de 1954: retrato da última
mulher |
O
Museu Picasso, no bairro parisiense do Marais, formou seu acervo
com as mais de 3.000 obras que o governo francês recebeu da
família do artista como imposto por transmissão de
herança. Tudo é mesmo superlativo quando se trata
de Pablo Ruiz Picasso (1881-1973), autor de 36.000 trabalhos e amante
de incontáveis mulheres. A começar pelo valor de alguns
de seus óleos, que em leilões chegam a ultrapassar
os 50 milhões de dólares, cerca de 140 milhões
de reais. "A curiosidade em torno dele é cada vez maior no
mundo inteiro", afirma a curadora da exposição, Dominique
Dupuis-Labbé, do Museu Picasso. Só neste ano, há
43 mostras programadas em doze países. A retrospectiva que
terá lugar na Oca, organizada pela BrasilConnects com patrocínio
do Bradesco, está orçada em 6 milhões de reais
metade corresponde a seguro e transporte. O conjunto exposto
está avaliado em 600 milhões de reais.
Fotos Alexandre Schneider
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| Os
restauradores Raul Carvalho e Marie-Christine: análise
cuidadosa das obras |
Trazer
essas preciosidades exigiu uma complexa operação.
Tudo foi embalado em caixas duplas de madeira recheadas com espuma
e, para diminuir o prejuízo em caso de acidente aéreo,
transportado em oito vôos. Batedores da PM, por medida de
segurança, acompanharam os caminhões do Aeroporto
de Guarulhos ao Ibirapuera. Na Oca, que tem ar-condicionado regulado
em 17 graus (leve um casaco!), as caixas permaneceram fechadas dois
dias, tempo de aclimatação. Depois, duplas de restauradores
franceses e brasileiros as abriram e, munidas de laudos detalhados,
verificaram se alguma obra havia sofrido qualquer desgaste no trajeto.
Felizmente, nada aconteceu. "É um trabalho minucioso", diz
a restauradora Marie-Christine Enshaian, uma das oito especialistas
do Museu Picasso que vieram preparar a exposição.
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| Montadores
com Cabeça de Mulher (Fernande), de 1909: rara
escultura cubista |
Ao
conhecer o espaço de 8.700 metros quadrados da Oca, em julho,
a curadora Dominique Dupuis-Labbé ficou empolgada. Decidiu
enviar telas grandes e dezoito esculturas para fazer frente às
dimensões do lugar. No último andar, seis banhistas
de bronze foram instaladas num espelho-d'água, da maneira
como o autor as projetou. Os visitantes não verão,
no entanto, os quadros mais conhecidos de Picasso, como Guernica
ou Les Demoiselles d'Avignon, que não saem mais dos
museus onde estão. Mesmo assim, Picasso na Oca é
uma ótima oportunidade para conhecer todas as suas fases,
desde a juventude, na Espanha, até os últimos anos
de vida, no sul da França. "É uma exposição
portentosa, tem tudo de significativo", analisa o crítico
de arte Nelson Aguilar. O auge do cubismo está bem representado,
em óleos como Três Figuras sob uma Árvore,
de 1907, Busto de Mulher, de 1907 (reproduzido na capa desta
edição), um estudo para Les Demoiselles
d'Avignon e Homem com o Bandolim, de 1911, exemplar do
cubismo analítico, quando Picasso pintava um objeto de muitos
ângulos e não assinava. Também podem ser observadas
incursões por estilos diferentes. Num momento, usa a técnica
pontilhista de Seurat; em outro, pinta com cores e texturas à
la Matisse. Mais adiante, uma série lembra o traço
de Tarsila do Amaral. Os suportes são múltiplos: óleo
sobre tela, sobre madeira, colagem, cerâmica, escultura, gravura...
"Mesmo a produção depois dos anos 40, que alguns críticos
consideram menor, é uma aula ao vivo de história da
arte do século XX", afirma Aguilar. "Gosto de brincar que
não somos nós que julgamos Picasso. Ele é que
nos julga, imaginando qual bobagem falaremos a respeito de sua obra."
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As
passagens das obras
do pintor pela cidade
1ª
Bienal
Mulher
Deitada, Mulher Dormindo e Mulher em Repouso
foram as primeiras telas do pintor espanhol expostas na cidade,
no Trianon.
Público:
100 000 pessoas.
2ª
Bienal
As
63 pinturas de Picasso, incluindo a monumental Guernica,
roubaram a cena na
Bienal do
Quarto Centenário.
Público:
100 000 pessoas.
Fotos divulgação
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Suíte Vollard
A
exposição no Masp reuniu a série completa
de 100 gravuras dos anos 30, encomendada pelo marchand Ambroise
Vollard.
Público: 70 000 pessoas.
23ª
Bienal
A
sala Picasso, no Espaço Museológico, com 32
pinturas e treze desenhos, foi considerada pelos visitantes
a melhor atração da exposição.
Público:
398 879 pessoas.
Suíte
Vollard
A
Pinacoteca trouxe de volta a São Paulo a série
de 100 gravuras que havia sido exibida no Masp anteriormente.
Público:
não contabilizado.
Picasso
- Anos de Guerra
A
mostra, com 128 obras cedidas pelo Museu Picasso, compreendia
a produção do artista durante os anos 30 e 40.
Público:
205 000 pessoas.
De
Picasso a Barceló
Telas e desenhos de Picasso dividiram o espaço da Pinacoteca
com obras de outros artistas espanhóis, como Tàpies,
Miró e Barceló.
Público:
200 000 pessoas.
Parade
A principal atração da mostra, realizada na
Oca, foi a cortina que o artista criou em 1917 para o balé
Parade, do russo Diaghilev, com música de Erik Satie.
Público:
95 000 pessoas.
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Picasso
na Oca. Parque do Ibirapuera, portão 2,
3253-5300. Ter. a sex., 9h às 21h; sáb. e dom.,
10h às 21h. R$ 5,00 (estudantes) e R$ 10,00. Grátis
para menores de 5 anos, pessoas com mais de 65, aposentados,
deficientes físicos e grupos de escolas pré-agendados
(agendamento@brasilconnects.org
ou
3253-7007). Até 2 de maio. A partir de quarta (28).
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| "Ao
contrário do que foi publicado na reportagem, a exposição Picasso
na Oca tem 126 obras do pintor espanhol" |
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