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28 de janeiro de 2004
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EXPOSIÇÕES


o preferido dos paulistanos

Uma grande mostra do pintor espanhol
será aberta na
quarta-feira, na Oca,
com 125 obras, entre pinturas, esculturas,
cerâmicas, desenhos, colagens e gravuras.
Desde a década de 50, o gênio do cubismo
já atraiu mais de
1 milhão de visitantes
aos museus de São Paulo

Lúcia Monteiro e Orlando Margarido

 
Fotos Sucession Picasso 2004/Photo RMN/JG Berizzi
O Beijo, de 1969: interesse por sexo aos 80 anos causou escândalo

Veja também
Exposicão Provocando o Olhar, no Masp
Galerias de imagens

Pablo Picasso
Provocando o Olhar

Foi amor à primeira vista. As telas de Pablo Picasso causaram frisson entre os paulistanos desde a primeira vez em que aqui foram expostas, na Bienal Internacional de 1951. Dois anos mais tarde, na Bienal que antecipava as comemorações do quarto centenário de fundação de São Paulo, o artista roubou a cena com sua monumental Guernica (3,49 metros de altura por 7,76 metros de largura), que leva o nome de uma cidadezinha bombardeada durante a Guerra Civil Espanhola. Em 1996, a sala a ele dedicada foi eleita pelo público a melhor da 23ª Bienal. Juntas, as principais mostras do gênio do cubismo vindas para cá receberam mais de 1,2 milhão de visitantes. A partir de quarta (28), o pintor malaguenho deve provocar novamente longas filas, agora na Oca do Parque do Ibirapuera. Há a expectativa de que, em três meses, 1 milhão de pessoas vejam os 125 trabalhos emprestados pelo Museu Picasso de Paris. Outra tela que leva sua assinatura enriquece a exposição Provocando o Olhar, no Masp, com parte da coleção de arte européia do século XVI ao XX do Banco Santander (veja reportagem seguinte). Essas duas belíssimas atrações estão, sem dúvida, entre os mais interessantes programas organizados para os festejos do aniversário da cidade.

Jacqueline de Mãos Cruzadas, de 1954: retrato da última mulher

O Museu Picasso, no bairro parisiense do Marais, formou seu acervo com as mais de 3.000 obras que o governo francês recebeu da família do artista como imposto por transmissão de herança. Tudo é mesmo superlativo quando se trata de Pablo Ruiz Picasso (1881-1973), autor de 36.000 trabalhos e amante de incontáveis mulheres. A começar pelo valor de alguns de seus óleos, que em leilões chegam a ultrapassar os 50 milhões de dólares, cerca de 140 milhões de reais. "A curiosidade em torno dele é cada vez maior no mundo inteiro", afirma a curadora da exposição, Dominique Dupuis-Labbé, do Museu Picasso. Só neste ano, há 43 mostras programadas em doze países. A retrospectiva que terá lugar na Oca, organizada pela BrasilConnects com patrocínio do Bradesco, está orçada em 6 milhões de reais – metade corresponde a seguro e transporte. O conjunto exposto está avaliado em 600 milhões de reais.

 
Fotos Alexandre Schneider
Os restauradores Raul Carvalho e Marie-Christine: análise cuidadosa das obras

Trazer essas preciosidades exigiu uma complexa operação. Tudo foi embalado em caixas duplas de madeira recheadas com espuma e, para diminuir o prejuízo em caso de acidente aéreo, transportado em oito vôos. Batedores da PM, por medida de segurança, acompanharam os caminhões do Aeroporto de Guarulhos ao Ibirapuera. Na Oca, que tem ar-condicionado regulado em 17 graus (leve um casaco!), as caixas permaneceram fechadas dois dias, tempo de aclimatação. Depois, duplas de restauradores franceses e brasileiros as abriram e, munidas de laudos detalhados, verificaram se alguma obra havia sofrido qualquer desgaste no trajeto. Felizmente, nada aconteceu. "É um trabalho minucioso", diz a restauradora Marie-Christine Enshaian, uma das oito especialistas do Museu Picasso que vieram preparar a exposição.

 
Montadores com Cabeça de Mulher (Fernande), de 1909: rara escultura cubista

Ao conhecer o espaço de 8.700 metros quadrados da Oca, em julho, a curadora Dominique Dupuis-Labbé ficou empolgada. Decidiu enviar telas grandes e dezoito esculturas para fazer frente às dimensões do lugar. No último andar, seis banhistas de bronze foram instaladas num espelho-d'água, da maneira como o autor as projetou. Os visitantes não verão, no entanto, os quadros mais conhecidos de Picasso, como Guernica ou Les Demoiselles d'Avignon, que não saem mais dos museus onde estão. Mesmo assim, Picasso na Oca é uma ótima oportunidade para conhecer todas as suas fases, desde a juventude, na Espanha, até os últimos anos de vida, no sul da França. "É uma exposição portentosa, tem tudo de significativo", analisa o crítico de arte Nelson Aguilar. O auge do cubismo está bem representado, em óleos como Três Figuras sob uma Árvore, de 1907, Busto de Mulher, de 1907 (reproduzido na capa desta edição), um estudo para Les Demoiselles d'Avignon e Homem com o Bandolim, de 1911, exemplar do cubismo analítico, quando Picasso pintava um objeto de muitos ângulos e não assinava. Também podem ser observadas incursões por estilos diferentes. Num momento, usa a técnica pontilhista de Seurat; em outro, pinta com cores e texturas à la Matisse. Mais adiante, uma série lembra o traço de Tarsila do Amaral. Os suportes são múltiplos: óleo sobre tela, sobre madeira, colagem, cerâmica, escultura, gravura... "Mesmo a produção depois dos anos 40, que alguns críticos consideram menor, é uma aula ao vivo de história da arte do século XX", afirma Aguilar. "Gosto de brincar que não somos nós que julgamos Picasso. Ele é que nos julga, imaginando qual bobagem falaremos a respeito de sua obra."

 

As passagens das obras
do pintor pela cidade

 
1951

1ª Bienal

Mulher Deitada, Mulher Dormindo e Mulher em Repouso foram as primeiras telas do pintor espanhol expostas na cidade, no Trianon.

Público: 100 000 pessoas.

 
1953

2ª Bienal

As 63 pinturas de Picasso, incluindo a monumental Guernica, roubaram a cena na Bienal do Quarto Centenário.

Público: 100 000 pessoas.

 
1986

Fotos divulgação


Suíte Vollard

A exposição no Masp reuniu a série completa de 100 gravuras dos anos 30, encomendada pelo marchand Ambroise Vollard.

Público: 70 000 pessoas.

 
1996

23ª Bienal

A sala Picasso, no Espaço Museológico, com 32 pinturas e treze desenhos, foi considerada pelos visitantes a melhor atração da exposição.

Público: 398 879 pessoas.

 
1998

Suíte Vollard

A Pinacoteca trouxe de volta a São Paulo a série de 100 gravuras que havia sido exibida no Masp anteriormente.

Público: não contabilizado.

 
1999

Picasso - Anos de Guerra

A mostra, com 128 obras cedidas pelo Museu Picasso, compreendia a produção do artista durante os anos 30 e 40.

Público: 205 000 pessoas.

 
2001

De Picasso a Barceló

Telas e desenhos de Picasso dividiram o espaço da Pinacoteca com obras de outros artistas espanhóis, como Tàpies, Miró e Barceló.

Público: 200 000 pessoas.

 
2001

Parade

A principal atração da mostra, realizada na Oca, foi a cortina que o artista criou em 1917 para o balé Parade, do russo Diaghilev, com música de Erik Satie.

Público: 95 000 pessoas.

 
Picasso na Oca. Parque do Ibirapuera, portão 2, 3253-5300. Ter. a sex., 9h às 21h; sáb. e dom., 10h às 21h. R$ 5,00 (estudantes) e R$ 10,00. Grátis para menores de 5 anos, pessoas com mais de 65, aposentados, deficientes físicos e grupos de escolas pré-agendados (agendamento@brasilconnects.org ou 3253-7007). Até 2 de maio. A partir de quarta (28).


"Ao contrário do que foi publicado na reportagem, a exposição Picasso na Oca tem 126 obras do pintor espanhol"

 

         
     
 
 
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