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28 de janeiro de 2004
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A Daslu dos MODERNOS

Recheada de grifes internacionais,
a loja Clube Chocolate é a nova
sensação da Rua Oscar Freire

Marcella Centofanti


Fotos Mario Rodrigues
igues
A butique, com palmeiras, areia de praia e luz natural: em quatro andares, marcas importadas de luxo dividem as prateleiras com peças criadas por jovens estilistas. É tudo chique e caro. O espaço multimídia (acima) vende revistas, som, CDs e DVDs

Passear pela Rua Oscar Freire, reduto das mais cintilantes grifes da cidade, é uma tentação para os olhos e para o bolso. Na disputa pela preferência dos consumidores, as marcas capricham em suas fachadas e vitrines, sempre muito chamativas. No número 913, foi inaugurada no mês passado uma loja com paredão amarelo de quase 10 metros de altura que destoa da vizinhança. Não é das mais convidativas para um desavisado que circula por ali. Mas quem cruza a enigmática entrada da Clube Chocolate, depois de passar por uma porta automática tipo "abre-te, Sésamo" e por um longo corredor escuro, depara com um espetáculo arquitetônico. Em 2.400 metros quadrados, há palmeiras, areia de praia, muita luz natural e uma parede revestida do mosaico português que enfeita a orla de Copacabana. A paisagem lembra, propositadamente, o Rio de Janeiro, cidade natal da casa.

Com projeto assinado por Isay Weinfeld, autor do quase vizinho Hotel Fasano e do espaço da Forum, na mesma Oscar Freire, a multimarcas consegue ser diferente de tudo o que já se viu no mundo fashion paulistano. Ela foi inspirada na Colette de Paris, a grande difusora das chamadas lojas-conceito, que misturam moda, design e gastronomia. "Esse modelo faz muito sucesso lá fora", diz Christiana Francini, consultora de moda. "Ele privilegia peças exclusivas, com estilo." Aberta de domingo a domingo, das 9 à meia-noite, a Clube Chocolate tem moda feminina (e, a partir de março, masculina), floricultura, joalheria, restaurante, espaço multimídia e... uma sex shop. Na porta do Clube das Meninas, como é chamada a, digamos, seção, uma placa proíbe a entrada de "animais, crianças e homens". Lá dentro, em 25 metros quadrados pintados de cor-de-rosa, encontram-se brinquedos eróticos, livros relacionados a sexo e lingeries sensuais de Dior e Valentino. Por uma mimosa calcinha com estampa de zebra da Dolce & Gabbana pagam-se 128 reais.


Mario Rodrigues
O restaurante, no subsolo: água por 6 reais, garçons moderninhos e fila de espera

Grifes importadas como Jean-Paul Gaultier, Galliano, Marni e Seven ficam misturadas com vestidos de estilistas como a carioca Isabela Capeto e da própria marca Chocolate. A divisão das roupas também é curiosa. Não são separadas por marcas. Há o ambiente da mulher romântica, batizado de Beijo na Boca, o da minimalista, chamado de Preto e Branco, o Agarradinhas, com acessórios de fitness, o Natural, com peças feitas de tecidos leves, e o Férias, com looks de praia e campo. Todos os preços estão à vista, o que evita o constrangimento de cair para trás ao ser informado sobre o valor das peças. Ali tudo custa mesmo muito caro. As calças jeans importadas não saem por menos de 800 reais. Vestidos costumam ultrapassar os quatro dígitos. Ao lado de artigos de luxo, vendem-se produtos como frascos de Leite de Rosas, a 4,50 reais, o item mais barato.

É possível encontrar na cidade endereços com alguma semelhança. O Hotel Lycra, inaugurado em abril do ano passado na própria Oscar Freire, reúne galeria de arte, roupas e restaurante. A Conceito: Firma Casa, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, segue a mesma linha, com decoração e moda. A mais próxima, no entanto, é a Daslu. Até pela dimensão do negócio. Helena Montanarini, ex-diretora da Daslu Homem, é um dos nomes fortes por trás da Clube Chocolate. Como consultora de moda, ela garimpa roupas de grifes importadas. Outros nove funcionários também trocaram o templo de consumo mais chique da capital pela nova loja dos Jardins. "Não vejo semelhanças entre as duas", diz Helena. "As pessoas vão à Daslu atrás de marcas. Aqui, elas buscam conceito."


Fotos Mario Rodrigues
igues
Quase popular: vendido a 4,50 reais, o frasco de Leite de Rosas é o item mais barato da loja A sex shop com lingeries Dior e Valentino: placa na porta veta acesso a "animais, crianças e homens"

Localizado no subsolo, o restaurante comandado pelo chef Pascal Jolly, ex-Payard, é outro chamariz. Além das cifras (uma garrafa de água nacional custa 6 reais), o que mais impressiona é a quantidade de anfitriões. Há quatro por período, além do maître. Um deles, Zezo Fonseca, que trabalhou durante cinco anos como vendedor da Daslu, foi contratado como "gerente de relacionamento". Reconhecido por suas antigas clientes, Zezo circula pelo salão com desenvoltura, indica pratos, senta-se às mesas e, sobretudo, bate-papo. "Faço a ponte entre o restaurante e a loja", explica.

A Clube Chocolate nasceu no Rio de Janeiro, em 2000, numa sociedade entre o empresário Cláudio Maurício e a Riopele, empresa têxtil portuguesa. Trata-se de uma remodelação da Chocolate, marca fundada em 1978. Com design transado, a grife fez sucesso nos anos 80 e espalhou-se pelo país. Na década passada, andava em baixa, até mudar de nome e ser reerguida com a ajuda do investimento estrangeiro. Todos os pontos-de-venda da antiga Chocolate – aqui restou apenas um, no Shopping Pátio Higienópolis – estão com os dias contados.

         
     
 
 
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