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CONSUMO
A
Daslu dos MODERNOS
Recheada
de grifes internacionais,
a loja Clube Chocolate é a nova
sensação da Rua Oscar Freire
Marcella
Centofanti
Fotos Mario Rodrigues
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igues
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A
butique, com palmeiras, areia de praia e luz natural: em quatro
andares, marcas importadas de luxo dividem as prateleiras com
peças criadas por jovens estilistas. É tudo chique
e caro. O espaço multimídia (acima) vende
revistas, som, CDs e DVDs |
Passear
pela Rua Oscar Freire, reduto das mais cintilantes grifes da cidade,
é uma tentação para os olhos e para o bolso.
Na disputa pela preferência dos consumidores, as marcas capricham
em suas fachadas e vitrines, sempre muito chamativas. No número
913, foi inaugurada no mês passado uma loja com paredão
amarelo de quase 10 metros de altura que destoa da vizinhança.
Não é das mais convidativas para um desavisado que
circula por ali. Mas quem cruza a enigmática entrada da Clube
Chocolate, depois de passar por uma porta automática tipo
"abre-te, Sésamo" e por um longo corredor escuro, depara
com um espetáculo arquitetônico. Em 2.400
metros quadrados, há palmeiras, areia de praia, muita luz
natural e uma parede revestida do mosaico português que enfeita
a orla de Copacabana. A paisagem lembra, propositadamente, o Rio
de Janeiro, cidade natal da casa.
Com
projeto assinado por Isay Weinfeld, autor do quase vizinho Hotel
Fasano e do espaço da Forum, na mesma Oscar Freire, a multimarcas
consegue ser diferente de tudo o que já se viu no mundo fashion
paulistano. Ela foi inspirada na Colette de Paris, a grande difusora
das chamadas lojas-conceito, que misturam moda, design e gastronomia.
"Esse modelo faz muito sucesso lá fora", diz Christiana Francini,
consultora de moda. "Ele privilegia peças exclusivas, com
estilo." Aberta de domingo a domingo, das 9 à meia-noite,
a Clube Chocolate tem moda feminina (e, a partir de março,
masculina), floricultura, joalheria, restaurante, espaço
multimídia e... uma sex shop. Na porta do Clube das Meninas,
como é chamada a, digamos, seção, uma placa
proíbe a entrada de "animais, crianças e homens".
Lá dentro, em 25 metros quadrados pintados de cor-de-rosa,
encontram-se brinquedos eróticos, livros relacionados a sexo
e lingeries sensuais de Dior e Valentino. Por uma mimosa calcinha
com estampa de zebra da Dolce & Gabbana pagam-se 128 reais.
Mario Rodrigues
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| O
restaurante, no subsolo: água por 6 reais, garçons
moderninhos e fila de espera |
Grifes
importadas como Jean-Paul Gaultier, Galliano, Marni e Seven ficam
misturadas com vestidos de estilistas como a carioca Isabela Capeto
e da própria marca Chocolate. A divisão das roupas
também é curiosa. Não são separadas
por marcas. Há o ambiente da mulher romântica, batizado
de Beijo na Boca, o da minimalista, chamado de Preto e Branco, o
Agarradinhas, com acessórios de fitness, o Natural, com peças
feitas de tecidos leves, e o Férias, com looks de praia e
campo. Todos os preços estão à vista, o que
evita o constrangimento de cair para trás ao ser informado
sobre o valor das peças. Ali tudo custa mesmo muito caro.
As calças jeans importadas não saem por menos de 800
reais. Vestidos costumam ultrapassar os quatro dígitos. Ao
lado de artigos de luxo, vendem-se produtos como frascos de Leite
de Rosas, a 4,50 reais, o item mais barato.
É
possível encontrar na cidade endereços com alguma
semelhança. O Hotel Lycra, inaugurado em abril do ano passado
na própria Oscar Freire, reúne galeria de arte, roupas
e restaurante. A Conceito: Firma Casa, na Alameda Gabriel Monteiro
da Silva, segue a mesma linha, com decoração e moda.
A mais próxima, no entanto, é a Daslu. Até
pela dimensão do negócio. Helena Montanarini, ex-diretora
da Daslu Homem, é um dos nomes fortes por trás da
Clube Chocolate. Como consultora de moda, ela garimpa roupas de
grifes importadas. Outros nove funcionários também
trocaram o templo de consumo mais chique da capital pela nova loja
dos Jardins. "Não vejo semelhanças entre as duas",
diz Helena. "As pessoas vão à Daslu atrás de
marcas. Aqui, elas buscam conceito."
Fotos Mario Rodrigues
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igues
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| Quase
popular: vendido a 4,50 reais, o frasco de Leite de Rosas é
o item mais barato da loja |
A
sex shop com lingeries Dior e Valentino: placa na porta veta
acesso a "animais, crianças e homens" |
Localizado
no subsolo, o restaurante comandado pelo chef Pascal Jolly, ex-Payard,
é outro chamariz. Além das cifras (uma garrafa de
água nacional custa 6 reais), o que mais impressiona é
a quantidade de anfitriões. Há quatro por período,
além do maître. Um deles, Zezo Fonseca, que trabalhou
durante cinco anos como vendedor da Daslu, foi contratado como "gerente
de relacionamento". Reconhecido por suas antigas clientes, Zezo
circula pelo salão com desenvoltura, indica pratos, senta-se
às mesas e, sobretudo, bate-papo. "Faço a ponte entre
o restaurante e a loja", explica.
A
Clube Chocolate nasceu no Rio de Janeiro, em 2000, numa sociedade
entre o empresário Cláudio Maurício e a Riopele,
empresa têxtil portuguesa. Trata-se de uma remodelação
da Chocolate, marca fundada em 1978. Com design transado, a grife
fez sucesso nos anos 80 e espalhou-se pelo país. Na década
passada, andava em baixa, até mudar de nome e ser reerguida
com a ajuda do investimento estrangeiro. Todos os pontos-de-venda
da antiga Chocolate aqui restou apenas um, no Shopping Pátio
Higienópolis estão com os dias contados.
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