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A
céu aberto
Uma exposição
diferente altera o cenário da
Zona Leste e realça problemas da região
Valéria
França
Viadutos,
avenidas e praças da mais populosa região paulistana
estão prestes a se transformar em espaços de
exposição. Vários pontos da Zona Leste
vão ganhar obras de uma série de artistas, brasileiros
e estrangeiros, participantes do projeto Arte/Cidade (veja
quadro). Realizado pela quarta vez, o evento surgiu
em 1994. Não tem periodicidade certa, mas um fim específico:
intervir na paisagem da metrópole e, assim, chamar
a atenção da população. Da última
vez, há cinco anos, os paulistanos podiam embarcar
em um trem em direção às ruínas
das Indústrias Matarazzo e do antigo Moinho Central.
Percorriam um trecho de 5 quilômetros, por onde se distribuíam
impactantes instalações. Intitulado Artecidadezonaleste
(assim mesmo, tudo junto), o evento cresceu ainda mais neste
ano. Reúne 25 trabalhos, todos assinados por estrelas,
como o polêmico arquiteto holandês Rem Koolhaas,
professor da Universidade Harvard. Autor de propostas radicais,
ele imagina um elevador de última geração
no famigerado São Vito, o cortiço vertical de
23 andares fincado na Avenida do Estado, em frente ao Mercado
Municipal.
O Arte/Cidade
acontece em duas etapas. A primeira começa no sábado
(2), com a ocupação de uma nova área
do Sesc Belenzinho. A segunda, mais portentosa, tem início
em 15 de março e, até o fim de abril, espalha-se
por oito endereços. "Quando a intervenção
dos artistas ganha as ruas, ela destaca problemas urbanos
e até sugere soluções", acredita Nelson
Brissac, curador da mostra desde sua primeira edição.
Não espere encontrar na Torre Leste do Sesc uma galeria
de paredes branquinhas, impecáveis. Erguido em 1934
para abrigar uma fábrica de tecidos, o prédio-alvo
do evento esteve abandonado durante vinte anos. Virou matéria-prima
para engenheiros, arquitetos e artistas plásticos se
exercitarem. Uns picotaram as paredes, outros esburacaram
o chão, arrancaram vitrôs. A artista plástica
Ana Tavares, por exemplo, perfurou os cinco andares e interligou
as aberturas nas lajes com passarelas, para obter uma visão
ampla do lugar. "Ter uma forma de deslocamento eficiente em
um edifício é tão fundamental quanto
no trânsito da cidade", diz ela. Nas ruas, as questões
da metrópole serão ressaltadas em maquetes diversas
e além do papel. A paisagem decadente do Largo do Glicério,
por exemplo, ganhará dois contêineres feitos
de material translúcido. Contarão com sala de
estar e lavanderia. Detalhe: os sem-teto da região
poderão usufruí-las durante o dia.
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