Bocaina a cavalo

Um jeito diferente de ir à serra para
aproveitar
o clima da primavera

Jô Romera


Fotos Jô Romera
Três atrações do passeio: o Vale dos Veados, um dos mais bonitos do roteiro, com sua charmosa pousada (ao lado), as trilhas para as cavalgadas e a Cachoeira Santo Isidro, que tem uma queda de 80 metros

Com a chegada da primavera, as estações paulistanas de inverno tornam-se mais tranqüilas e mais baratas. Os dias ensolarados e as noites ainda frias são outros bons motivos para subir até lá. Entre tantas opções, o Parque Nacional da Serra da Bocaina, região montanhosa entre a Serra da Mantiqueira e a Serra do Mar, a 320 quilômetros de São Paulo, oferece uma atração extra, além do clima ameno e do cenário de repouso: as cavalgadas. No caminho para Silveiras (um dos acessos para o parque), enfrentam-se 33 quilômetros de subida em estradinhas cheias de curva e um trecho ainda de terra para chegar à Pousada da Joaninha. Lá, troca-se o carro por cavalos da raça manga-larga, aqueles que têm o trote macio. É bom não exagerar na bagagem. As sacolas são carregadas dentro de balaios, no lombo de burricos – como faziam os tropeiros que circulavam nessa região, no tempo do Império, transportando mercadorias. Leve o essencial e não se esqueça de incluir bota ou botina para montar, um agasalho, capa de chuva, chapéu e protetor solar.

Não é preciso experiência com cavalos para encarar esse roteiro, mas prepare-se: algumas dores musculares serão inevitáveis. Por causa da altitude – cerca de 2.000 metros acima do nível do mar –, a temperatura costuma ser baixa mesmo nesta época do ano e há um pouco de névoa no trecho de trilha que segue para o parque. Ali se encontram as cachoeiras das Posses e de Santo Isidro, esta com uma queda de 80 metros. Do ponto mais alto da trilha, em dias de sol e céu limpo, pode-se avistar o mar de Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. A descida para o vale, em meio a uma mata densa, é o trecho mais íngreme e difícil. No final dela, chega-se à charmosa pousada Vale dos Veados.

A Pousada da Joaninha é o ponto de partida e chegada de vários roteiros organizados pelo proprietário, Paulo Mendonça ( 12-9785-5108), para grupos de seis a dez pessoas. Para quem dispõe de tempo, o ideal é a viagem de quatro dias (600 reais por pessoa). Apesar de ter a trilha mais difícil e mais longa, 95 quilômetros com trechos muito íngremes, é a mais bonita e a única com parada na Pousada Vale dos Veados ( 12-577-1102), no Parque Nacional da Serra da Bocaina. O estilo é rústico-chique, sem energia elétrica, com ambientes acolhedores, lagos, trilhas na mata e cachoeiras. A opção de três dias (480 reais por pessoa) também inclui pernoites em três pousadas. Na Joaninha, igualmente sem luz elétrica e isolada no alto da serra, a 1.750 metros de altitude, vale experimentar a sauna com vista panorâmica das montanhas e depois mergulhar na piscina de pedra com água natural. Na pousada da Rampa ( 11-9997-9564), que prepara comida em fogão a lenha, você vai deliciar-se com a vista da ampla varanda. Na pousada do Conde, a mais simples de todas, a paisagem é, da mesma forma, maravilhosa. Perfeita para um fim de semana, a cavalgada de dois dias começa no sábado de manhã, na Joaninha, vai até a Pousada do Conde ou da Rampa, e retorna ao ponto de partida no domingo, por um caminho diferente daquele utilizado na ida. No total, são 70 quilômetros, a 350 reais por pessoa.


 

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