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O
fantasma da Tucumã
Justiça
deve decidir em
breve o destino
de prédio
embargado no Jardim
Paulistano
Pedro
Biondi
Rogério Montenegro
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| O
Villa Europa, visto da marginal: impasse de dois anos
e meio |
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| Planta
que vale para o 4º, 8º e 10º andares: laudo sugere demolir
a área destacada |
A longa novela protagonizada por um milionário elefante
branco pode estar prestes a chegar ao final. Trata-se do caso
do Edifício Villa Europa, aquele luxuoso espigão
inacabado da Rua Tucumã, no Jardim Paulistano, que
salta à vista de quem passa pela Marginal Pinheiros
entre as pontes Cidade Jardim e Eusébio Matoso. O arranha-céu,
com catorze apartamentos dúplex e uma cobertura, avaliados
cada um em 5 milhões de reais, está embargado
desde 15 de março de 1999. Na semana passada foi entregue
um laudo que pode apressar o fim do impasse. Com ele em mãos,
o juiz Carlos Bortoletto Corrêa, da 5ª Vara da
Fazenda Pública, decidirá seu destino. O estudo
do perito Luiz Paulo Gião recomenda que sejam derrubados
578 metros quadrados de área útil, a seu ver
ilegais. Do mezanino seriam subtraídas duas salas e
a copa, entre outras dependências. Haveria áreas
a deitar abaixo em mais treze andares e recuos a aumentar
no topo.
Quanto à altura o ponto mais polêmico
, a conclusão é que a atual, 116,70 metros,
não fere a legislação nem atrapalha o
tráfego aéreo. Entretanto, é muito diferente
da última aprovada pela prefeitura 87,60 metros.
A exigência do município, ao entrar na Justiça,
em fevereiro de 2000, era que a obra regredisse à medida
original. Em cada andar, porém, o pé-direito
foi aumentado em até 1,83 metro. O crescimento vertical
de 29,10 metros havia sido solicitado pela construtora Moraes
Sampaio, responsável pelo edifício, num projeto
modificativo de novembro de 1998. Detalhe: a espichada já
tinha acontecido. A Regional de Pinheiros decidiu barrar a
construção em março de 1999, com a aplicação
de duas pesadas multas. Dez meses antes disso, a Secretaria
da Habitação havia liberado a instalação
de elevadores para a altura verdadeira 117 metros.
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Uma
novela de 31 andares
116,70
metros de altura
1,27
milhão de reais em multas
672
metros quadrados por unidade*
Apartamentos
de 5 milhões
de reais**
*De acordo com a planta
**Estimativa
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"A
Moraes Sampaio ficou mais de um ano esperando que apontassem
o que era preciso corrigir", diz o advogado da construtora,
Augusto Azambuja. A lei exige que, numa situação
dessas, os responsáveis pelo projeto sejam convocados
se houver pontos controversos. "Isso não aconteceu,
e a prefeitura indeferiu o pedido e recorreu à Justiça",
acrescenta Augusto Azambuja. "Muitas vezes, os empreendedores
avançam, mesmo sem aprovação, para criar
um fato consumado e tentar ser anistiados depois", afirma
o urbanista Cândido Malta Campos Filho. "É um
risco calculado." A construtora estima que, se for autorizada
a reiniciar os trabalhos, o prédio ficará pronto
em um ano desde que a Justiça não a obrigue
a demolir os metros quadrados erguidos a mais.
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