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MEMÓRIA
Outros
tempos
Cenas
paulistanas de um século atrás
voltam
em livro sobre pintores paisagistas
Eduardo
Lima
Fotos reproduções
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| Rua
25 de Março, de Antonio Ferrigno: antiga várzea,
casario e lavadeiras |
Acredite.
São Paulo já foi uma cidade muito tranqüila.
Quem tem curiosidade de ver cenas desse passado de calmaria
tempos em que sair de casa não representava ameaça
encontra farto material em um livro organizado pela pesquisadora
Ruth Sprung Tarasantchi Pintores Paisagistas: São
Paulo 1890 a 1920 (Edusp, 389 páginas, 120 reais).
O volume reúne 140 pinturas e desenhos de 62 artistas. Todos
viveram e trabalharam no Estado durante os trinta anos focalizados
pela publicação. Cerca de um terço das obras
reproduz lugares da capital. Traz, por exemplo, registros da Rua
25 de Março na época em que o Porto Geral era porto
mesmo, do Jardim da Luz freqüentado por famílias ricas,
de uma Avenida Paulista arborizada, do Rio Tietê limpo, do
mercado de flores da Praça Ramos de Azevedo e da Igreja do
Cambuci. Cada pintor conta com uma curta biografia. Não espere
encontrar nenhuma Tarsila do Amaral ou outro representante da arte
nacional. Em sua maioria, são pintores acadêmicos obscuros,
lembrados apenas por especialistas. Ao lado dos reconhecidos Almeida
Júnior, Benedito Calixto e Oscar Pereira da Silva, que assina
painéis da Igreja da Consolação, estão
os quase anônimos Georgina de Albuquerque, Antonio Ferrigno,
Nicola Fabricatore e Enrico Vio. "Uma intenção da
pesquisa foi trazer à luz a obra de artistas ignorados ou
esquecidos", afirma Ruth. Boa parte das imagens não tem nenhum
valor artístico. Elas são importantes apenas pelo
teor documental.
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| Avenida
Paulista: era assim em 1904, retratada por Oscar Pereira
da Silva |
O trabalho
começou há mais de dez anos como tese de doutorado
em história da arte, na Escola de Comunicação
e Artes da USP. Para localizar parte dos quadros, a autora teve
de bater muita perna. "Quase nenhum deles estava em exposição
pública. Alguns se encontravam perdidos em corredores sombrios."
Outros foram achados em reservas técnicas de museus, especialmente
o Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, e na Pinacoteca
do Estado. A investigação passou também por
insistentes visitas a leilões e coleções particulares.
Se, por um lado, a autora deparou com quem a ajudasse na missão,
por outro surpreendeu-se com a pouca atenção de algumas
famílias com o legado de seus antepassados. Ruth chegou a
comprar um quadro, Casamento Caipira, de Adolfo Fonzari (1880-1959),
apenas para utilizar em aulas de restauração. A tela
estava escura e rasgada. Durante o trabalho de recuperação,
descobriu que se tratava de uma obra significativa. A autora acredita
que muitas outras imagens paulistanas do início do século
passado ainda vão aparecer. "Continuarei atrás delas",
diz.
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| Museu
do Ipiranga: um dia festivo de 1912, na tela de Agustin
Salinas |
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| Igreja
do Cambuci: de José Wasth Rodrigues, que registrou
vários pontos do país |
Mercado
de Flores da Praça Ramos de Azevedo: por José
Marques Campão |
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| Viaduto
do Chá: óleo sobre madeira de Georgina de
Albuquerque |
Ponte
da Casa Verde: vista da região em 1910, numa pintura
de Felisberto Ranzini |
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