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URBANISMO
A
rua é nossa
Comerciantes
e empresários bancam
projetos
para embelezar sua vizinhança
Eduardo
Lima
Heudes Regis
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| Rua
Amauri, no Itaim Bibi: a iluminação foi reforçada e a fiação
ficará sob a calçada. O projeto, do arquiteto Isay Weinfeld,
vai custar 1,4 milhão de reais |
Cansados
de esperar providências do poder público, alguns empresários
paulistanos estão bancando projetos para dar um trato em
sua vizinhança. Consertam calçadas, trocam placas
de sinalização, enterram fios e plantam árvores.
Enfim, fazem sua "operação belezura" e mostram, na
prática, como a cidade consegue caminhar com as próprias
pernas. Iniciativas assim surgiram em ruas como Amauri e João
Cachoeira, no Itaim; do Gasômetro, no Brás; Gomes de
Carvalho e Olimpíadas, na Vila Olímpia; e 25 de Março,
no centro. Há planos semelhantes para a Normandia, em Moema,
e a Joaquim Nabuco, no Itaim. Há um mês, os comerciantes
da Rua São Caetano, na Luz, também apresentaram à
administração municipal um estudo para mudar a cara
dos 800 metros da via, conhecida como o paraíso das noivas.
Os cerca de 100 estabelecimentos especializados em vestidos e acessórios
para quem vai casar irão arcar com a reforma de suas calçadas.
Prefeitura e concessionárias como Sabesp e Eletropaulo cuidarão
do reforço na iluminação em pontos de travessia
de pedestres e da criação de acessos para deficientes
físicos, entre outras providências. "Se tudo correr
bem, a inauguração será na primeira semana
de outubro", afirma André Gomes Monteiro, representante dos
lojistas.
Fotos Heudes Regis
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egis
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| A
ONG Colméia, na Vila Olímpia, montou um circuito
fechado de televisão com 200 câmeras para vigiar
o bairro. A Rua Olimpíadas (à dir.) ganhará
nova faixa para veículos |
A
idéia é que as modificações sejam tão
bem-sucedidas quanto as da Rua João Cachoeira, concluídas
em dezembro. Após três meses de trabalho, as quatro
quadras entre a Leopoldo Couto de Magalhães e a Jesuíno
Arruda ganharam calçadas mais largas, lixeiras, setenta novas
árvores, lâmpadas de vapor de sódio, mapa de
localização das lojas, segurança 24 horas e
bancos de madeira. As obras aconteceram após um acordo com
a prefeitura nos mesmos moldes do recém-firmado na Rua São
Caetano. Foram gastos 2,1 milhões de reais, sendo 500.000
arrecadados entre os lojistas. "Conseguimos deixar o visual mais
agradável", diz Carlos Haino, proprietário de uma
casa de eletroeletrônicos. "Com isso, as vendas cresceram
11% nos primeiros quatro meses deste ano em relação
ao mesmo período do ano passado."
Heudes Regis
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| Com
calçadas mais largas, árvores, bancos e mapa de
localização das lojas, a João Cachoeira
viu as vendas crescerem 11% em relação às
do ano passado |
Alguns processos de revitalização em curso não
contaram com nenhum apoio financeiro do município. Insatisfeito
com a situação da Rua Amauri, onde está localizada
a sede da construtora JHSF, da qual é o presidente executivo,
o empresário José Auriemo Neto percorreu a vizinhança
para arrecadar fundos. Levantou cerca de 1,4 milhão de reais
com cinqüenta empresas e restaurantes. A primeira parte da
empreitada, que inclui nova iluminação e fiação
subterrânea, está quase pronta. Assim que os postes
de concreto forem retirados das calçadas, começará
a segunda etapa, que consiste na colocação de placas
de concreto pré-moldado no passeio, nova sinalização
de trânsito e instalação de câmeras. "Queremos
que as pessoas gostem de passear por ali", afirma o arquiteto Isay
Weinfeld, autor do projeto.
A ONG Colméia, na Vila Olímpia, está patrocinando
a revitalização e ainda ajudou a pagar parte da desapropriação
de imóveis para que a prefeitura construísse, onde
hoje estão as ruas Gomes de Carvalho e Olimpíadas,
uma nova avenida com seis faixas ligando a Luís Carlos Berrini
à Faria Lima. O primeiro trecho da nova via, que terá
fiação subterrânea, calçada com piso
antiderrapante e árvores a cada 12 metros, deve estar concluído
até outubro. Preocupada com a segurança do bairro,
a associação montou um sistema comunitário
de circuito fechado de televisão com mais de 200 câmeras,
na maioria instaladas na entrada de oitenta prédios. Posicionadas
em pontos estratégicos, cinco delas vigiam as ruas
podem ser monitoradas por controle remoto e custaram 10.000
dólares cada uma. "Embora ainda tenhamos muito que fazer,
a revitalização elevou o preço do metro quadrado
na região de 30 para 50 reais", festeja o engenheiro José
Soares, coordenador da Colméia.
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