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26 de maio de 2004
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A rua é nossa

Comerciantes e empresários bancam
projetos para embelezar sua vizinhança

Eduardo Lima


Heudes Regis
Rua Amauri, no Itaim Bibi: a iluminação foi reforçada e a fiação ficará sob a calçada. O projeto, do arquiteto Isay Weinfeld, vai custar 1,4 milhão de reais


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Cansados de esperar providências do poder público, alguns empresários paulistanos estão bancando projetos para dar um trato em sua vizinhança. Consertam calçadas, trocam placas de sinalização, enterram fios e plantam árvores. Enfim, fazem sua "operação belezura" e mostram, na prática, como a cidade consegue caminhar com as próprias pernas. Iniciativas assim surgiram em ruas como Amauri e João Cachoeira, no Itaim; do Gasômetro, no Brás; Gomes de Carvalho e Olimpíadas, na Vila Olímpia; e 25 de Março, no centro. Há planos semelhantes para a Normandia, em Moema, e a Joaquim Nabuco, no Itaim. Há um mês, os comerciantes da Rua São Caetano, na Luz, também apresentaram à administração municipal um estudo para mudar a cara dos 800 metros da via, conhecida como o paraíso das noivas. Os cerca de 100 estabelecimentos especializados em vestidos e acessórios para quem vai casar irão arcar com a reforma de suas calçadas. Prefeitura e concessionárias como Sabesp e Eletropaulo cuidarão do reforço na iluminação em pontos de travessia de pedestres e da criação de acessos para deficientes físicos, entre outras providências. "Se tudo correr bem, a inauguração será na primeira semana de outubro", afirma André Gomes Monteiro, representante dos lojistas.


Fotos Heudes Regis
egis
A ONG Colméia, na Vila Olímpia, montou um circuito fechado de televisão com 200 câmeras para vigiar o bairro. A Rua Olimpíadas (à dir.) ganhará nova faixa para veículos

A idéia é que as modificações sejam tão bem-sucedidas quanto as da Rua João Cachoeira, concluídas em dezembro. Após três meses de trabalho, as quatro quadras entre a Leopoldo Couto de Magalhães e a Jesuíno Arruda ganharam calçadas mais largas, lixeiras, setenta novas árvores, lâmpadas de vapor de sódio, mapa de localização das lojas, segurança 24 horas e bancos de madeira. As obras aconteceram após um acordo com a prefeitura nos mesmos moldes do recém-firmado na Rua São Caetano. Foram gastos 2,1 milhões de reais, sendo 500.000 arrecadados entre os lojistas. "Conseguimos deixar o visual mais agradável", diz Carlos Haino, proprietário de uma casa de eletroeletrônicos. "Com isso, as vendas cresceram 11% nos primeiros quatro meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado."

Heudes Regis
Com calçadas mais largas, árvores, bancos e mapa de localização das lojas, a João Cachoeira viu as vendas crescerem 11% em relação às do ano passado


Alguns processos de revitalização em curso não contaram com nenhum apoio financeiro do município. Insatisfeito com a situação da Rua Amauri, onde está localizada a sede da construtora JHSF, da qual é o presidente executivo, o empresário José Auriemo Neto percorreu a vizinhança para arrecadar fundos. Levantou cerca de 1,4 milhão de reais com cinqüenta empresas e restaurantes. A primeira parte da empreitada, que inclui nova iluminação e fiação subterrânea, está quase pronta. Assim que os postes de concreto forem retirados das calçadas, começará a segunda etapa, que consiste na colocação de placas de concreto pré-moldado no passeio, nova sinalização de trânsito e instalação de câmeras. "Queremos que as pessoas gostem de passear por ali", afirma o arquiteto Isay Weinfeld, autor do projeto.

A ONG Colméia, na Vila Olímpia, está patrocinando a revitalização e ainda ajudou a pagar parte da desapropriação de imóveis para que a prefeitura construísse, onde hoje estão as ruas Gomes de Carvalho e Olimpíadas, uma nova avenida com seis faixas ligando a Luís Carlos Berrini à Faria Lima. O primeiro trecho da nova via, que terá fiação subterrânea, calçada com piso antiderrapante e árvores a cada 12 metros, deve estar concluído até outubro. Preocupada com a segurança do bairro, a associação montou um sistema comunitário de circuito fechado de televisão com mais de 200 câmeras, na maioria instaladas na entrada de oitenta prédios. Posicionadas em pontos estratégicos, cinco delas vigiam as ruas – podem ser monitoradas por controle remoto e custaram 10.000 dólares cada uma. "Embora ainda tenhamos muito que fazer, a revitalização elevou o preço do metro quadrado na região de 30 para 50 reais", festeja o engenheiro José Soares, coordenador da Colméia.

         
     
 
 
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