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RESTAURANTES
Cozinhas
à vista
É
cada vez maior o número de casas em
que os clientes podem ver o chef em ação
Marcella
Centofanti
Fotos Mario Rodrigues
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| No
recém-inaugurado Sabuji, a chef Bel Coelho (à dir.) finaliza
os pratos em frente ao salão principal |
Ao
entrar no recém-inaugurado restaurante Sabuji, no Jardim
Paulistano, o visitante automaticamente desvia o olhar para uma
grande parede envidraçada à sua direita. Com 3 metros
de largura e toda iluminada, ela chama a atenção em
meio ao ambiente intimista. Do outro lado do vidro, dez pessoas
correm para lá e para cá. Em primeiro plano está
a chef Bel Coelho, que finaliza os pratos de culinária contemporânea
sobre um balcão decorado com vasinhos de ervas aromáticas.
Deixar a cozinha à mostra foi a primeira exigência
de Bel às arquitetas responsáveis pelo projeto de
sua casa, inaugurada há um mês. "Consigo controlar
melhor o salão e ver a cara do cliente quando ele prova a
comida", diz. Além do Sabuji, pelo menos outros 24 endereços
da cidade, do italiano Quattrino ao chinês Ton Hoi, adotam
o estilo. Cinco deles foram inaugurados no ano passado. Isso sem
incluir no cálculo os restaurantes japoneses, onde os sushimen
preparam as iguarias aos olhos de todos.
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| As
mesas mais disputadas do restaurante do Hotel Emiliano, projetado
por Arthur Casas, são as que ficam diante da área envidraçada
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Entre
essas cozinhas abertas, a mais curiosa é a do Fasano. Construída
no subsolo, pode ser observada por uma discreta janela que se descortina
ao ser acionado um botão próximo à entrada
dos banheiros. O que se vê é tão impressionante
como a qualidade dos menus gastronômicos preparados pelo chef
Salvatore Loi. Empenhados em reproduzir ali o requinte do salão,
o restaurateur Rogério Fasano e o arquiteto Isay Weinfeld
capricharam nos detalhes. O ambiente é todo revestido de
cobre, com pias, coifas, fornos e fogões de aço inox.
De lá de dentro, os funcionários costumam mandar tchauzinhos.
"É uma maneira de mostrar a cozinha, como obriga a lei, sem
que o cliente precise visitá-la", explica Rogério
Fasano. "Afinal, além de ser perigoso, para entrar é
necessário vestir roupas apropriadas."
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| Ao
ser acionada por um botão, a janela em frente à cozinha do Fasano
se descortina. De dentro do ambiente revestido de cobre, com
pias, coifas, fornos e fogões de aço inox, os cozinheiros acenam
para os comensais |
A
idéia de expor a cozinha foi introduzida aqui pelo imigrante
espanhol Belarmino Iglesias e seus sócios, em 1957. Inspirados
em churrascarias de Buenos Aires, eles eliminaram as barreiras de
concreto que ficavam entre a grelha e o salão do pioneiro
Rubaiyat, na Avenida Vieira de Carvalho, no centro, fechado em 1997.
Mas houve um problema: a fumaça que chegava às mesas.
A solução foi isolar a área de trabalho com
um vidro. Até hoje, as três unidades paulistanas do
Rubaiyat seguem o modelo, que também valerá para o
próximo endereço da rede, uma casa especializada em
peixes que deve ser inaugurada no início de 2005. Nove anos
depois do Rubaiyat, outro imigrante espanhol, o toureiro Francisco
Rios Dominguez, rendeu-se à novidade. Em 1966, Dominguez
e sua mulher, Carmen Escalona, ambos falecidos, abriram o Don Curro
nos fundos da residência em que viviam, na Rua Alves Guimarães,
no Jardim Paulista. A parede da cozinha veio abaixo para que o público
conferisse os cuidados no preparo de sua apreciada paella.
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| A
rede Rubaiyat lançou a idéia na cidade em 1957, ao inaugurar
seu primeiro restaurante. No início, a fumaça espalhava-se pelo
salão. A solução foi fechar o espaço com um vidro |
Hoje,
exibir o ambiente significa bem mais do que apenas um atestado de
higiene. O que atrai os freqüentadores é ver o chef
em ação. Alçados à condição
de estrelas, os profissionais das panelas tornaram-se as principais
vitrines dos restaurantes. "Todos nós gostamos de ser vistos",
reconhece Waldete Tristão, responsável pelos pratos
do A Cozinha, aberto há dez meses. Com somente cinco mesas
no salão, o grande destaque lá é, de fato,
a cozinha, que ocupa dois terços da área total. "Observar
o chef trabalhando é sempre simpático", diz J.A. Dias
Lopes, diretor da revista Gula e colunista do jornal O
Estado de S. Paulo. "Além disso, é uma forma de
influenciar o comportamento correto dos funcionários."
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| Com
apenas 60 metros quadrados, o pequenino A Cozinha, aberto no
ano passado, tem vinte lugares. O principal destaque desse endereço,
decorado com base nos princípios do feng shui, é o fogão da
cozinheira Waldete Tristão |
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