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CULTURA
A capital erudita
De 2000 para cá, São Paulo ganhou
pelo
menos cinco novas séries de concertos.
E os espetáculos de música clássica
têm tido casa lotada
Sandra Soares
Daniel Kfouri
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Sala São Paulo, no último
sábado (15): platéia cheia para ver
e ouvir a Osesp |
Quando a alemã Sabine Lovatelli fundou a série
de espetáculos Mozarteum, em 1981, precisou gastar sua língua
natal e também seu inglês, francês e italiano
para convencer artistas europeus a se apresentar em São
Paulo. "O desconhecimento do país era grande", conta. "Tive
de garantir a eles que aqui havia hotéis de qualidade e um
público entusiasmado por música clássica."
Casada com o conde italiano Carlo Lovatelli, Sabine vive com ele
na cidade desde 1971. Naquela época, a jovem criada em Hannover
sofria com a carência de programas eruditos por aqui. Tratou
de ajudar a resolver o problema. Em 25 anos de Mozarteum, a condessa
promoveu 877 espetáculos (375 deles apresentados de graça,
em geral no Masp) e reuniu mais de 1,6 milhão de espectadores.
Trouxe para cá as filarmônicas de Berlim e de Viena,
os balés Bolshoi e New York City, o bailarino Rudolf Nureyev
e o pianista de jazz Oscar Peterson. Hoje, já não
precisa fazer apologia do Brasil. "Os artistas pedem para vir aqui",
diz Sabine. "A cidade virou o centro de música erudita na
América Latina." Desde 2000, pelo menos cinco novas séries
de assinaturas em que o espectador paga antecipadamente por
um pacote de espetáculos surgiram na capital. Muitas
das que já existiam se fortaleceram. E vêm conquistando
cada vez mais adeptos (veja
quadro).
Rubens Chiri/Perspectiva
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| Sabine Lovatelli: espetáculos do Mozarteum
foram vistos por mais de 1,6 milhão de pessoas |
Hoje, é possível assistir a concertos
na cidade praticamente todos os dias. Só a Orquestra Sinfônica
do Estado de São Paulo (Osesp) fará 130 apresentações
neste ano (em 2000 foram 97; no ano passado, 116), no ritmo de três
por semana. "Em 2008, deverão ser quatro por semana", promete
seu diretor artístico, John Neschling, cuja meta é
pelo menos dobrar o atual número de assinantes da orquestra.
Essa quantidade quadruplicou nos últimos seis anos. A elevação
de São Paulo ao posto de a capital erudita da América
Latina deve ser creditada, principalmente, à revitalização
da Osesp, em 1997, e à abertura da Sala São Paulo,
em 1999. Deve-se também à crise econômica argentina,
que fez com que a "concorrente" Buenos Aires recebesse menos espetáculos
de fora. "A Osesp tornou-se um paradigma de excelência para
outras orquestras brasileiras, que agora querem se igualar a ela",
aponta o crítico de música Irineu Franco Perpetuo,
colaborador da revista Bravo!. Na esteira de seu sucesso,
a Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) e a Banda Sinfônica
do Estado de São Paulo lançaram programas de assinatura
semelhantes. "A Osesp levou a classe média a freqüentar
concertos", diz Gérald Perret, superintendente da Sociedade
de Cultura Artística, que em 2004 teve sua programação
anual de espetáculos internacionais reduzida de trinta para
vinte apresentações, em razão de um corte nos
gastos. Com isso, o número de assinantes caiu. Mas a Cultura
Artística a mais tradicional promotora de concertos
de São Paulo, fundada em 1912 é exceção:
foi a única série que diminuiu nos últimos
seis anos. Programas mais jovens compensam a perda. A série
beneficente promovida pela Associação para Crianças
e Adolescentes com Câncer (Tucca), por exemplo, teve apenas
um espetáculo em seu ano de estréia (2000) e realizará
cinco em 2006, quatro deles com artistas internacionais. A entidade
promove ainda uma seleção de concertos infantis, com
oito programas. Aliás, seus assinantes são em maior
número: 600 contra 350 dos espetáculos adultos.
Divulgação
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| João Carlos Martins, com a Bachiana
Filarmônica: boa novidade |
"Por todo lado vemos o surgimento de novos
núcleos de formação de público", diz
o maestro João Carlos Martins, ele próprio fundador
de uma orquestra, a Bachiana Filarmônica, em 2004. Os resultados
de tantas iniciativas já podem ser medidos. A audiência
da Rádio Cultura FM, especializada em música clássica,
cresceu 41% de setembro de 2004 para cá, quando a emissora
passou por uma reformulação. Os teatros têm
estado cheios. As duas óperas já encenadas no Teatro
Municipal neste ano (As Bodas de Fígaro e A Flauta
Mágica, ambas de Mozart) tiveram lotação
esgotada em todas as récitas. Em 2001, 82.000 pessoas foram
ao Municipal. No ano passado, o público chegou a cerca de
175 000 espectadores. A Fundação Maria Luisa e Oscar
Americano, que promove desde 1997 vinte concertos dominicais por
ano, teve de instalar um telão do lado de fora de seu auditório
de 107 cadeiras, pequeno para abrigar o público. Seu plano
é construir até 2008 um teatro com 350 poltronas.
Para alegria dos paulistanos que apreciam música clássica,
ela já não cabe nas salas da cidade.
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As grandes atrações
da temporada
Teatro Municipal
3, 5, 7, 9 e 11 de junho
A Orquestra Experimental de Repertório e o Coral
Lírico encenam a ópera Andrea Chénier,
de U. Giordano, que desde 1968 não é montada
no Brasil. Dois solistas estrangeiros fazem os papéis
principais: o búlgaro Kaludi Kaludov e a americana
Maria Russo
19, 21, 23, 25 e 27 de agosto
A soprano carioca Eliane Coelho, integrante do elenco
da Ópera de Viena, é a estrela da montagem paulistana
de La Gioconda, de A. Ponchielli, com a Sinfônica
Municipal e o Coral Lírico
14, 16, 18, 20 e 22 de outubro
Jamil Maluf rege a montagem de Olga, ópera
sobre a vida da militante política Olga Benario composta
pelo brasileiro Jorge Antunes
Mozarteum
Divulgação
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7, 8 e 9 de maio
A Orquestra Sinfônica WDR, de Colônia (foto
acima), chega com seu principal regente, o russo Semyon
Bychkov. O concerto do dia 7 é no Parque do Ibirapuera,
de graça
20, 21 e 22 de agosto
A Sinfônica da Rádio de Frankfurt executa
peças de Beethoven, Brahms e Prokofiev. O primeiro
concerto é gratuito, no Parque do Ibirapuera
17, 18 e 19 de setembro
Apresentação do violinista Gidon Kremer,
da Letônia, acompanhado da orquestra de câmara
Kremerata Baltica
Cultura Artística
23 e 25 de maio
O tenor mexicano Ramón Vargas dá recital
acompanhado da pianista russa Mzia Bachtouridze
30 e 31 de maio
A Filarmônica Checa comemora seu 110º aniversário
com uma turnê pela América do Sul, sob a regência
do maestro alemão Gerd Albrecht
24 e 25 de outubro
Concerto do conjunto Les Musiciens du Louvre, dedicado
ao repertório dos séculos XVII e XVIII
Divulgação
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Tucca
27 de maio
Recebe o violinista russo Maxim Vengerov (foto à
dir.), acompanhado pelo pianista Igor Levit
27 de setembro
Recital do pianista francês Jean-Yves Thibaudet
Concertos BankBoston
5, 6 e 9 de outubro
A violoncelista Natalia Gutman e o pianista Viacheslav
Poprugin, ambos russos, executam peças de Beethoven,
Shostakovich, Brahms e Schumann
Divulgação
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16, 17 e 19 de outubro
O violinista russo Ilya Gringolts (foto acima),
de 23 anos, ficou famoso ao consagrar-se como o mais jovem
ganhador do concurso Paganini. No Brasil pela segunda vez,
faz recital dedicado à obra para violino-solo de Bach,
com três sonatas
Bachiana Filarmônica
31 de outubro
A orquestra acompanha a soprano Céline Imbert,
que passeia por um repertório de árias francesas
Teatro São Pedro
29 de novembro, 1º e 3 de dezembro
A atriz Denise Stoklos fará participação
especial na ópera O Homem que Confundiu Sua Mulher
com o Chapéu, de M. Nyman, montada, pela primeira
vez na América do Sul, pela Associação
Paulista dos Amigos da Arte. Com o Quarteto de Cordas da Cidade
de São Paulo e os cantores Fernando Portari, Stephen
Bronk e Claudia Riccitelli
Banda Sinfônica do
Estado de São Paulo
7 de junho
O pianista Pablo Ziegler, que tocou no quinteto de Astor
Piazzolla, apresenta, sob a regência de Hadrian Avila
Arzuza, obras do compositor argentino no espetáculo
Tango y Mas Alla
22 de setembro
A soprano Rosana Lamosa e o tenor Fernando Portari estão
em A Tempestade, ópera de Ronaldo Miranda inspirada
na peça de Shakespeare
Osusp
Luludi
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30 de outubro
O público saudoso do americano Ira Levin (foto
acima), que foi regente da Orquestra Sinfônica Municipal
por dois anos e meio, poderá vê-lo à frente
da Osusp, com solos da pianista paulista Sonia Rubinsky, radicada
nos Estados Unidos
Osesp
Divulgação
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29 e 30 de junho
e 1º de julho
A orquestra recebe o barítono Rodrigo Esteves e
o pianista Nelson Freire (foto à dir.)
19, 20 e 21 de outubro
Participação do violoncelista Antonio Meneses,
pernambucano radicado na Europa e considerado o maior instrumentista
de cordas do país
30 de novembro,
1º e 2 de dezembro
A pianista portuguesa Maria João Pires faz duo com
o baiano Ricardo Castro em três concertos de Mozart
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