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26 de abril de 2006
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A capital erudita

De 2000 para cá, São Paulo ganhou pelo
menos cinco novas séries de concertos.
E os espetáculos de música clássica
têm tido casa lotada

Sandra Soares

 

Daniel Kfouri
Sala São Paulo, no último sábado (15): platéia cheia para ver
e ouvir a Osesp


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Calendário dos principais concertos do ano

Quando a alemã Sabine Lovatelli fundou a série de espetáculos Mozarteum, em 1981, precisou gastar sua língua natal – e também seu inglês, francês e italiano – para convencer artistas europeus a se apresentar em São Paulo. "O desconhecimento do país era grande", conta. "Tive de garantir a eles que aqui havia hotéis de qualidade e um público entusiasmado por música clássica." Casada com o conde italiano Carlo Lovatelli, Sabine vive com ele na cidade desde 1971. Naquela época, a jovem criada em Hannover sofria com a carência de programas eruditos por aqui. Tratou de ajudar a resolver o problema. Em 25 anos de Mozarteum, a condessa promoveu 877 espetáculos (375 deles apresentados de graça, em geral no Masp) e reuniu mais de 1,6 milhão de espectadores. Trouxe para cá as filarmônicas de Berlim e de Viena, os balés Bolshoi e New York City, o bailarino Rudolf Nureyev e o pianista de jazz Oscar Peterson. Hoje, já não precisa fazer apologia do Brasil. "Os artistas pedem para vir aqui", diz Sabine. "A cidade virou o centro de música erudita na América Latina." Desde 2000, pelo menos cinco novas séries de assinaturas – em que o espectador paga antecipadamente por um pacote de espetáculos – surgiram na capital. Muitas das que já existiam se fortaleceram. E vêm conquistando cada vez mais adeptos (veja quadro).

 

Rubens Chiri/Perspectiva
Sabine Lovatelli: espetáculos do Mozarteum foram vistos por mais de 1,6 milhão de pessoas

Hoje, é possível assistir a concertos na cidade praticamente todos os dias. Só a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) fará 130 apresentações neste ano (em 2000 foram 97; no ano passado, 116), no ritmo de três por semana. "Em 2008, deverão ser quatro por semana", promete seu diretor artístico, John Neschling, cuja meta é pelo menos dobrar o atual número de assinantes da orquestra. Essa quantidade quadruplicou nos últimos seis anos. A elevação de São Paulo ao posto de a capital erudita da América Latina deve ser creditada, principalmente, à revitalização da Osesp, em 1997, e à abertura da Sala São Paulo, em 1999. Deve-se também à crise econômica argentina, que fez com que a "concorrente" Buenos Aires recebesse menos espetáculos de fora. "A Osesp tornou-se um paradigma de excelência para outras orquestras brasileiras, que agora querem se igualar a ela", aponta o crítico de música Irineu Franco Perpetuo, colaborador da revista Bravo!. Na esteira de seu sucesso, a Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) e a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo lançaram programas de assinatura semelhantes. "A Osesp levou a classe média a freqüentar concertos", diz Gérald Perret, superintendente da Sociedade de Cultura Artística, que em 2004 teve sua programação anual de espetáculos internacionais reduzida de trinta para vinte apresentações, em razão de um corte nos gastos. Com isso, o número de assinantes caiu. Mas a Cultura Artística – a mais tradicional promotora de concertos de São Paulo, fundada em 1912 – é exceção: foi a única série que diminuiu nos últimos seis anos. Programas mais jovens compensam a perda. A série beneficente promovida pela Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (Tucca), por exemplo, teve apenas um espetáculo em seu ano de estréia (2000) e realizará cinco em 2006, quatro deles com artistas internacionais. A entidade promove ainda uma seleção de concertos infantis, com oito programas. Aliás, seus assinantes são em maior número: 600 contra 350 dos espetáculos adultos.

 

Divulgação
João Carlos Martins, com a Bachiana Filarmônica: boa novidade

"Por todo lado vemos o surgimento de novos núcleos de formação de público", diz o maestro João Carlos Martins, ele próprio fundador de uma orquestra, a Bachiana Filarmônica, em 2004. Os resultados de tantas iniciativas já podem ser medidos. A audiência da Rádio Cultura FM, especializada em música clássica, cresceu 41% de setembro de 2004 para cá, quando a emissora passou por uma reformulação. Os teatros têm estado cheios. As duas óperas já encenadas no Teatro Municipal neste ano (As Bodas de Fígaro e A Flauta Mágica, ambas de Mozart) tiveram lotação esgotada em todas as récitas. Em 2001, 82.000 pessoas foram ao Municipal. No ano passado, o público chegou a cerca de 175 000 espectadores. A Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, que promove desde 1997 vinte concertos dominicais por ano, teve de instalar um telão do lado de fora de seu auditório de 107 cadeiras, pequeno para abrigar o público. Seu plano é construir até 2008 um teatro com 350 poltronas. Para alegria dos paulistanos que apreciam música clássica, ela já não cabe nas salas da cidade.

 

As grandes atrações da temporada

Teatro Municipal  

3, 5, 7, 9 e 11 de junho
A Orquestra Experimental de Repertório e o Coral Lírico encenam a ópera Andrea Chénier, de U. Giordano, que desde 1968 não é montada no Brasil. Dois solistas estrangeiros fazem os papéis principais: o búlgaro Kaludi Kaludov e a americana Maria Russo  

19, 21, 23, 25 e 27 de agosto
A soprano carioca Eliane Coelho, integrante do elenco da Ópera de Viena, é a estrela da montagem paulistana de La Gioconda, de A. Ponchielli, com a Sinfônica Municipal e o Coral Lírico  

14, 16, 18, 20 e 22 de outubro
Jamil Maluf rege a montagem de Olga, ópera sobre a vida da militante política Olga Benario composta pelo brasileiro Jorge Antunes

 

Mozarteum  

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7, 8 e 9 de maio
A Orquestra Sinfônica WDR, de Colônia (foto acima), chega com seu principal regente, o russo Semyon Bychkov. O concerto do dia 7 é no Parque do Ibirapuera, de graça  

20, 21 e 22 de agosto
A Sinfônica da Rádio de Frankfurt executa peças de Beethoven, Brahms e Prokofiev. O primeiro concerto é gratuito, no Parque do Ibirapuera  

17, 18 e 19 de setembro
Apresentação do violinista Gidon Kremer, da Letônia, acompanhado da orquestra de câmara Kremerata Baltica

 

Cultura Artística  

23 e 25 de maio
O tenor mexicano Ramón Vargas dá recital acompanhado da pianista russa Mzia Bachtouridze  

30 e 31 de maio
A Filarmônica Checa comemora seu 110º aniversário com uma turnê pela América do Sul, sob a regência do maestro alemão Gerd Albrecht

24 e 25 de outubro
Concerto do conjunto Les Musiciens du Louvre, dedicado ao repertório dos séculos XVII e XVIII

 

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Tucca
 

27 de maio
Recebe o violinista russo Maxim Vengerov (foto à dir.), acompanhado pelo pianista Igor Levit  

27 de setembro
Recital do pianista francês Jean-Yves Thibaudet

 

 

 

Concertos BankBoston  

5, 6 e 9 de outubro
A violoncelista Natalia Gutman e o pianista Viacheslav Poprugin, ambos russos, executam peças de Beethoven, Shostakovich, Brahms e Schumann

 

Divulgação

16, 17 e 19 de outubro
O violinista russo Ilya Gringolts (foto acima), de 23 anos, ficou famoso ao consagrar-se como o mais jovem ganhador do concurso Paganini. No Brasil pela segunda vez, faz recital dedicado à obra para violino-solo de Bach, com três sonatas

 

Bachiana Filarmônica  

31 de outubro
A orquestra acompanha a soprano Céline Imbert, que passeia por um repertório de árias francesas

 

Teatro São Pedro  

29 de novembro, 1º e 3 de dezembro
A atriz Denise Stoklos fará participação especial na ópera O Homem que Confundiu Sua Mulher com o Chapéu, de M. Nyman, montada, pela primeira vez na América do Sul, pela Associação Paulista dos Amigos da Arte. Com o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo e os cantores Fernando Portari, Stephen Bronk e Claudia Riccitelli

 

Banda Sinfônica do Estado de São Paulo  

7 de junho
O pianista Pablo Ziegler, que tocou no quinteto de Astor Piazzolla, apresenta, sob a regência de Hadrian Avila Arzuza, obras do compositor argentino no espetáculo Tango y Mas Alla  

22 de setembro
A soprano Rosana Lamosa e o tenor Fernando Portari estão em A Tempestade, ópera de Ronaldo Miranda inspirada na peça de Shakespeare

 

Osusp  

 

Luludi

30 de outubro
O público saudoso do americano Ira Levin (foto acima), que foi regente da Orquestra Sinfônica Municipal por dois anos e meio, poderá vê-lo à frente da Osusp, com solos da pianista paulista Sonia Rubinsky, radicada nos Estados Unidos

 

Osesp  

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29 e 30 de junho
e 1º de julho
A orquestra recebe o barítono Rodrigo Esteves e o pianista Nelson Freire (foto à dir.)

19, 20 e 21 de outubro
Participação do violoncelista Antonio Meneses, pernambucano radicado na Europa e considerado o maior instrumentista de cordas do país  

30 de novembro,
1º e 2 de dezembro

A pianista portuguesa Maria João Pires faz duo com o baiano Ricardo Castro em três concertos de Mozart

     
   
 
 
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