| |
|
|
 |
|
CIDADE
Guerra
aos helicópteros
Moradores
querem restringir o
tráfego aéreo sobre os Jardins
Lúcia
Monteiro
Do
lado de dentro dos modernos edifícios de escritórios
da Avenida Faria Lima, com vidros duplos nas janelas, praticamente
não dá para ouvir sons externos nem de buzinas
nem de hélices. Quem mora por ali, no entanto, chega a enfrentar
ruídos de até 95 decibéis provocados por helicópteros.
A legislação estabelece o máximo de 55 decibéis
na região. Essa barulheira foi medida pela Sociedade dos
Amigos dos Jardins Europa e Paulistano (Sajep), numa sexta-feira,
entre 16 horas e 17h30. Constatou-se ainda que, nos horários
de pico, um helicóptero cruza a avenida a cada seis minutos.
"Nosso objetivo é fechar os helipontos da região",
afirma o arquiteto Roberto Saruê, diretor da Sajep.
Mario Rodrigues
 |
"Sou
piloto e proprietário de helicóptero. Vôo
três vezes por semana, mas me recuso a decolar da Faria
Lima, perto de onde moro e trabalho. Uso os helicentros."
Pedro Mellão, empresário |
O problema
se intensificou com o crescimento da frota aérea e com os
congestionamentos gigantescos em terra firme. "Sou piloto e proprietário
de helicóptero, vôo três vezes por semana, mas
me recuso a decolar da Faria Lima, perto de onde moro e trabalho",
diz o empresário Pedro Mellão. "Uso os helicentros."
Restringir o tráfego sobre áreas residenciais a uma
altura mínima de 5.000 pés
(1.524 metros) é uma das principais
reivindicações da associação. Hoje,
o limite de circulação fica entre 500 e 2.800
pés (152 e 853 metros). "Não podemos agir se não
houver mudança na lei. O pedido dos moradores não
basta", afirma o coronel Helio Severino Filho, chefe do Serviço
Regional de Proteção ao Vôo. "Entendo que incomoda,
mas esta é uma área comercial e nosso heliponto foi
aprovado", argumenta o empresário José Roberto Auriemo,
um dos donos do Edifício Plaza Iguatemi, inaugurado no ano
passado.
|
"É
preciso que existam normas. Se a população não
reclama, abusos acontecem. Emissoras de rádio e TV
sobrevoam os Jardins por até uma hora. É ensurdecedor."
Cândido Malta, urbanista
|
Eduardo Albarello
 |
Os
moradores buscam a mesma tranqüilidade dos veranistas do Condomínio
Laranjeiras, em Parati, que entraram num acordo e proibiram o sobrevôo
de suas mansões. "Lá, os usuários são
os próprios incomodados", diz o urbanista Cândido Malta,
presidente da Sajep. "Em São Paulo, como isso não
acontece, nossa briga é bem mais difícil." Teoricamente,
só se pode sobrevoar São Paulo por dezoito corredores,
em geral sobre rios e estradas. Nada impede, porém, que as
aeronaves passem sobre bairros quando se dirigem a helipontos. Ou
seja, o céu paulistano é uma espécie de terra
de ninguém, diferentemente de metrópoles como Paris
e Nova York, onde helicópteros circulam pela área
urbana apenas em casos de emergência. "Aqui, se um piloto
usa helicentros ou helipontos privados, não precisa informar
a torre", afirma o coronel. Dos 172 helipontos da cidade, não
mais que trinta foram aprovados pela prefeitura, de acordo com o
secretário do Planejamento, Jorge Wilheim. "Queremos civilizar
esse tráfego de helicópteros", diz ele, que pediu
há um mês uma reunião com o DAC para discutir
o assunto. Até agora, não ouviu resposta alguma
um contra-senso em se tratando de questão tão ruidosa.
Mario Rodrigues
 |
"A
Aeronáutica levou um ano para aprovar o heliponto do
Plaza Iguatemi, que opera dia e noite. Até entendo que
o barulho incomoda, mas esta é uma área comercial."
José
Roberto Auriemo, empresário, sócio dos edifícios
Plaza Iguatemi e San Paolo |
Fotos Mario Rodrigues e Sajep/divulgação
 |
Barulheira
no ar
O
que essas aeronaves fazem na região da
Faria Lima
6
minutos é o intervalo entre os vôos nos horários
de pico
16
helipontos operam na região, o que corresponde
a 10% do total da cidade. Dos doze da Avenida
Faria Lima, seis têm autorização
da prefeitura
95
decibéis é o nível de ruído
produzido pelas hélices (a lei permite 55 decibéis)
2
800 pés (ou 853 metros) é a altura
máxima permitida para sobrevoar a Faria Lima
|
|