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ESPECIAL Baladeira
profissional
Fotos
Heudes Régis
 | Flávia
Ceccato, dona da Lov.e |
A
vida útil de uma casa noturna costuma ser curta em São Paulo. Em
geral, dura um, dois, três anos no máximo. Na contramão, a
Lov.e permanece no auge desde sua inauguração, em 1998. Trata-se,
sem dúvida, do mais badalado clube de música eletrônica da
cidade. Qual o segredo do sucesso e da longevidade? A empresária e estilista
Flávia Ceccato, 33 anos. Seis dias por semana, à tarde e
à noite, lá está ela no comando da danceteria que fica na
Rua Pequetita, na Vila Olímpia. "Eu gosto mesmo de acompanhar tudo de perto",
diz. Nascida em Santos, Flávia freqüentou dois anos de moda na Faculdade
Santa Marcelina e concluiu o curso no Senac. Por quase uma década, trabalhou
como estilista da Zoomp, na fábrica em Alphaville. Um belo dia, largou
o emprego, viajou pela Europa e deu uma esticada de quatro meses na Índia.
"Foi nesse período que comecei a gostar de música eletrônica",
lembra. Na volta, conheceu o empresário da noite Angelo Leuzzi, com quem
se casou um ano depois. Juntos, abriram a B.A.S.E., em 1996, e dois anos mais
tarde a Lov.e. Quando o casamento terminou, Flávia assumiu o negócio
sozinha. Bem relacionada, já trouxe para tocar alguns dos melhores DJs
do mundo, como Laurent Garnier, Sven Väth e Miss Kittin. O clube quase sempre
vive entupido de gente uma média diária de 500 pessoas dançam
freneticamente até o sol raiar. Entre uma noitada e outra, ela gosta de
bater pernas na Rua 25 de Março. "Aquela desordem tem a minha cara", conta
Flávia, que encontra em suas lojas tecidos, acessórios e badulaques
que usa para mexer na decoração da Lov.e, templo dos paulistanos
que, como ela, amam a noite. Ele cuida
das férias de 500 000 paulistanos
 | Guilherme
Paulus, dono da CVC |
"Toda vez que vejo
na TV aqueles engarrafamentos monstruosos na Imigrantes, penso imediatamente:
se esse pessoal tivesse comprado um de meus pacotes, não estaria preso
em congestionamentos", dispara Guilherme Paulus, de 55 anos, dono da CVC.
De olho principalmente no turismo nacional, esse paulistano (nasceu em Cerro Azul,
no Paraná, mas foi registrado aqui) conseguiu transformar sua operadora
na maior do país. Só no ano passado, cerca de 500.000 moradores
da cidade embarcaram pela CVC para algum lugar do Brasil ou do exterior. "Se não
fosse São Paulo, eu não teria chegado tão longe", afirma
Paulus, que começou a vida como vendedor e guia turístico de uma
agência no centro da cidade. Há 33 anos, ele abriu seu negócio
com um sócio. Desde 1976, é o único dono. De administração
familiar, a empresa avançou no mercado durante a década de 90 e
atualmente fatura cerca de 300 milhões de dólares por ano. Dividido
entre suas 26 lojas na Grande São Paulo, ele dorme apenas cinco horas por
noite, não gosta de praia e raramente tira férias. Quando volta
de alguma viagem, o pouso no Aeroporto de Congonhas desperta seu espírito
empreendedor. "Do alto, fico observando a grandeza da cidade e penso em quanta
gente ainda tenho para transportar", conta. No mês passado, Paulus iniciou
outro grande vôo: conseguiu licença para operar uma companhia aérea.

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