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ESPECIAL
Eles venceram aqui O torneiro mecânico que se
tornou médico, a vendedora que criou uma das mais badaladas lojas
de roupa da cidade, o ex-guia de viagens que possui a maior operadora de
turismo do Brasil... Ao construírem
carreiras de sucesso, dez paulistanos e forasteiros ajudaram a escrever
alguns capítulos da história de São Paulo
Caio Quero, Lúcia Monteiro e Otávio Canecchio Fotos
Rogério Montenegro/Heudes Régis/Milton Shirata/Miguel Boyayan e
Mario Rodrigues
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O
doutor dos regimes, com pinta de galã e 9 000 pacientes Heudes
Régis
 | | Filippo
Pedrinola, endocrinologista |
Quem
liga para a clínica do endocrinologista Filippo Pedrinola recebe
as seguintes informações: a consulta custa 420 reais, nenhum plano
de saúde é aceito e só há horários disponíveis
para março. Nada disso, no entanto, costuma intimidar quem quer entrar
em forma seguindo as receitas do médico de olhos azuis e pinta de galã.
Entre as mais de 9 000 pessoas que já subiram em sua balança estão
figuras como os apresentadores Luciano Huck, Luciana Gimenez e Ana Luiza Castro,
a atriz Deborah Secco e a modelo Carolina Magalhães. Essa clientela estrelada
não o procura à toa. Espalhada por três andares de um prédio
no Itaim, a clínica de Pedrinola é um complexo de beleza. Ali trabalham
nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, dermatologista, cirurgião
plástico, dentista, ginecologista, urologista e acupunturista. "Meu consultório
virou um cheesetudo", costuma brincar. Pedrinola
defende a tese de que a idade biológica pode ser inferior à cronológica.
"Não dá para mudar a certidão de nascimento, mas é
possível manter a aparência e a saúde de uma pessoa dez anos
mais jovem", diz ele, que tem 40 anos no papel e uns 30 "biologicamente falando".
Filho de imigrantes italianos, teve uma infância confortável no Paraíso
seu pai era dono de uma indústria de embalagens, ele estudou no
Colégio Dante Alighieri e joga golfe desde os 7 anos. Apesar disso, quando
se formou na Faculdade de Medicina da USP, não pediu um consultório
de presente. Com o dinheiro que ganhara dando plantões em spas e hospitais,
alugou uma sala na Avenida Angélica. Nunca mais parou de crescer. Atualmente,
seus rendimentos mensais superam 100.000 reais. Atende quinze pessoas por dia
e, uma vez por mês, voa para Punta del Este, no Uruguai, onde coordena o
spa do Hotel Mantra. Nos fins de semana, troca o apartamento do Real Parque, no
Morumbi, pela casa que comprou num condomínio em Itu. Ali, joga golfe com
os amigos e curte os dois filhos. "Em nenhuma outra cidade eu conseguiria ter
uma ascensão tão rápida", diz. "Os paulistanos trabalham
demais e esquecem de se cuidar. Depois ficam desesperados para recuperar a beleza
e a saúde." A bambambã
da genética
Paulo
Vitale
 | Mayana
Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano |
Dezembro de 1978. Fazia um ano que Mayana Zatz
estava de volta à Universidade de São Paulo depois de cursar pós-doutorado
em Los Angeles, nos Estados Unidos. Um problema lhe tirava o sono: não
conseguia retomar sua pesquisa na área de genética médica
por total falta de recursos. Foi então que, num telefonema, veio seu melhor
presente de Natal. Um ex-professor americano havia lhe enviado caixas com os reagentes
necessários para identificar a enzima da distrofia de Duchenne, grave doença
degenerativa que Mayana estudava. A cientista acelerou seu Fusca verde até
o Aeroporto de Congonhas e, decidida, convenceu o fiscal da alfândega a
liberar o material, que valia 5.000 dólares.
Hoje, como professora titular da USP e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma
Humano, Mayana administra verbas bem maiores cerca de 1 milhão de
reais por ano. Seu laboratório fica num prédio branco, todo moderno,
o mais novo e reluzente do Instituto de Biociências. "O segredo do sucesso
é inspiração, transpiração e aspiração",
acredita. Além de identificar a tal enzima da distrofia muscular, aperfeiçoou
testes que permitem avaliar a probabilidade de um casal ter filhos com o problema
e participou da descoberta de seis genes responsáveis por outras dezenas
de doenças neuromusculares. "Para quem estuda genética, a diversidade
étnica de São Paulo é fantástica", afirma Mayana,
que passa longe do estereótipo de cientista maluca. Ao contrário.
É vaidosa, está sempre em forma e não dispensa acessórios.
Costuma levar no pescoço colares feitos na Associação Brasileira
de Distrofia Muscular, entidade que criou para atender jovens. É pensando
neles que luta pela liberação da pesquisa com células-tronco
embrionárias. "Elas podem ter a chave para o tratamento de patologias genéticas."

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