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26 de janeiro de 2005
ESPECIAL
CONSUMO
LAZER
VERÃO
MEU ESTILO
AS BOAS COMPRAS
MISTÉRIOS DA CIDADE
TERRAÇO PAULISTANO
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
  

ESPECIAL

Eles venceram aqui

O torneiro mecânico que se tornou
médico, a vendedora que criou uma das
mais badaladas lojas de roupa da cidade,
o ex-guia de viagens que possui a maior
operadora de turismo do Brasil...

Ao construírem carreiras de sucesso,
dez paulistanos e forasteiros ajudaram
a escrever alguns capítulos da história
de São Paulo

Caio Quero, Lúcia Monteiro e Otávio Canecchio

 
Fotos Rogério Montenegro/Heudes Régis/Milton Shirata/Miguel Boyayan e Mario Rodrigues

 

Veja também
Edições comemorativas do aniversário da cidade
Primeira revista da Editora Abril sobre SP e retrospectiva aos 450 anos
Passeios em vídeo pela cidade

 

O doutor dos regimes, com
pinta de galã e 9 000 pacientes

 
Heudes Régis
Filippo Pedrinola, endocrinologista

Quem liga para a clínica do endocrinologista Filippo Pedrinola recebe as seguintes informações: a consulta custa 420 reais, nenhum plano de saúde é aceito e só há horários disponíveis para março. Nada disso, no entanto, costuma intimidar quem quer entrar em forma seguindo as receitas do médico de olhos azuis e pinta de galã. Entre as mais de 9 000 pessoas que já subiram em sua balança estão figuras como os apresentadores Luciano Huck, Luciana Gimenez e Ana Luiza Castro, a atriz Deborah Secco e a modelo Carolina Magalhães. Essa clientela estrelada não o procura à toa. Espalhada por três andares de um prédio no Itaim, a clínica de Pedrinola é um complexo de beleza. Ali trabalham nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, dermatologista, cirurgião plástico, dentista, ginecologista, urologista e acupunturista. "Meu consultório virou um cheesetudo", costuma brincar.

Pedrinola defende a tese de que a idade biológica pode ser inferior à cronológica. "Não dá para mudar a certidão de nascimento, mas é possível manter a aparência e a saúde de uma pessoa dez anos mais jovem", diz ele, que tem 40 anos no papel e uns 30 "biologicamente falando". Filho de imigrantes italianos, teve uma infância confortável no Paraíso – seu pai era dono de uma indústria de embalagens, ele estudou no Colégio Dante Alighieri e joga golfe desde os 7 anos. Apesar disso, quando se formou na Faculdade de Medicina da USP, não pediu um consultório de presente. Com o dinheiro que ganhara dando plantões em spas e hospitais, alugou uma sala na Avenida Angélica. Nunca mais parou de crescer. Atualmente, seus rendimentos mensais superam 100.000 reais. Atende quinze pessoas por dia e, uma vez por mês, voa para Punta del Este, no Uruguai, onde coordena o spa do Hotel Mantra. Nos fins de semana, troca o apartamento do Real Parque, no Morumbi, pela casa que comprou num condomínio em Itu. Ali, joga golfe com os amigos e curte os dois filhos. "Em nenhuma outra cidade eu conseguiria ter uma ascensão tão rápida", diz. "Os paulistanos trabalham demais e esquecem de se cuidar. Depois ficam desesperados para recuperar a beleza e a saúde."

 

A bambambã da genética

Paulo Vitale
Mayana Zatz, coordenadora do Centro
de Estudos do Genoma Humano


Dezembro de 1978. Fazia um ano que Mayana Zatz estava de volta à Universidade de São Paulo depois de cursar pós-doutorado em Los Angeles, nos Estados Unidos. Um problema lhe tirava o sono: não conseguia retomar sua pesquisa na área de genética médica por total falta de recursos. Foi então que, num telefonema, veio seu melhor presente de Natal. Um ex-professor americano havia lhe enviado caixas com os reagentes necessários para identificar a enzima da distrofia de Duchenne, grave doença degenerativa que Mayana estudava. A cientista acelerou seu Fusca verde até o Aeroporto de Congonhas e, decidida, convenceu o fiscal da alfândega a liberar o material, que valia 5.000 dólares.

Hoje, como professora titular da USP e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano, Mayana administra verbas bem maiores – cerca de 1 milhão de reais por ano. Seu laboratório fica num prédio branco, todo moderno, o mais novo e reluzente do Instituto de Biociências. "O segredo do sucesso é inspiração, transpiração e aspiração", acredita. Além de identificar a tal enzima da distrofia muscular, aperfeiçoou testes que permitem avaliar a probabilidade de um casal ter filhos com o problema e participou da descoberta de seis genes responsáveis por outras dezenas de doenças neuromusculares. "Para quem estuda genética, a diversidade étnica de São Paulo é fantástica", afirma Mayana, que passa longe do estereótipo de cientista maluca. Ao contrário. É vaidosa, está sempre em forma e não dispensa acessórios. Costuma levar no pescoço colares feitos na Associação Brasileira de Distrofia Muscular, entidade que criou para atender jovens. É pensando neles que luta pela liberação da pesquisa com células-tronco embrionárias. "Elas podem ter a chave para o tratamento de patologias genéticas."

 

     
   
 
 
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