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TELEVISÃO No
ar, os merchandetes Versão moderna das
garotas-propaganda, eles vendem de tudo na telinha Lia
Bock
Mario Rodrigues  |
| Paulo Salgado (à esq.), com Ney Gonçalves
Dias no Bom Dia Mulher, da Rede TV!: 20 000 reais por mês |
Entre os primórdios da TV, nos anos 50 e
60, quando não havia videoteipe, uma de suas atrações
ao lado das novelas protagonizadas por Vida Alves, do noticiário Mappin
Movietone e das músicas cantadas por Hebe Camargo eram as garotas-propaganda.
Bonitas, simpáticas e bem vestidas, no intervalo dos programas elas anunciavam
produtos ao vivo. Algumas se tornaram famosas, como Idalina de Oliveira, até
hoje lembrada por antigos telespectadores. Elas têm uma nova versão.
São os merchandetes, assim chamados por fazer merchandising. Com boa dicção,
muitos sorrisos e uma desenvoltura de causar inveja a muitas modelos-apresentadoras,
eles surgem no meio de programas matutinos e vespertinos dirigidos ao público
feminino para alardear a suposta eficácia de cremes contra a celulite,
aparelhos de ginástica passiva e chás emagrecedores. Durante a tarde,
há sempre cinco ou seis deles nos corredores das emissoras da cidade à
espera de sua vez para entrar no ar. Às vezes, aguardam por horas nos bastidores
antes de seus dois minutos em frente às câmeras. E saem correndo
para dar seu recado em outro estúdio.
Divulgação  |
| Ana Paula: exclusiva do Dia Dia |
As empresas que os contratam não divulgam o número de ligações
recebidas quando os merchandetes estão no ar, mas o telefone dispara ao
soltarem frases inacreditáveis como "O sistema de limpeza de ar é
igualzinho ao utilizado pela Nasa" ou "Com este remédio natural você
pode perder até 20 quilos em uma semana!". No começo da carreira,
muitos acreditam que fazer esses comerciais pode ser uma porta de entrada para
o mundo do showbiz. "Algumas meninas acham que vão roubar a cena e virar
estrela", afirma Tânia Plácido, no ramo há quatro anos. "Mas
ninguém reconhece a gente na rua."
Nesse
mundo predominantemente feminino, um dos mais bem-sucedidos é um homem:
o paulistano Paulo Salgado. Ele anuncia produtos em programas de auditório
há dez anos e diz que consegue tirar 20.000
reais por mês com a atividade, enquanto o salário médio de
um merchandete é de cerca de 3.000 reais. Dono
de um salão de beleza no bairro da Pompéia, Salgado aproveita a
pequena fama para apresentar festas e eventos no interior. No corre-corre entre
um programa e outro, chega a trabalhar catorze horas por dia, inclusive aos sábados.
"E ainda tenho de ir à academia, porque nessa profissão não
dá para ficar fora de forma", diz ele.
Mario Rodrigues  |
| Tânia Plácido (à dir.), no
programa Mulheres, da Gazeta: "Ninguém nos reconhece na rua"
| Recentemente, uma inovação
da TV Bandeirantes mexeu com o mundo da televenda. No programa Dia Dia,
comandado por Viviane Romanelli uma ex-merchandete que começou a
carreira no canal de vendas Shoptime , os tais reclames não
são mais feitos por garotas enviadas pelos anunciantes. Agora ficam a cargo
da apresentadora Ana Paula Anzelotti, que foi descoberta em aparições
no Liquida Mix. "Os diretores queriam que todas as propagandas tivessem
uma única cara", conta Ana Paula. "O tititi entre as meninas foi grande."
Para as merchandetes tradicionais, no entanto, a experiência não
vai longe. "A intimidade com o produto é mais importante do que apenas
um sorriso bonito", desdenha Tânia Plácido. |