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25 de agosto de 2004
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TELEVISÃO

No ar, os merchandetes

Versão moderna das garotas-propaganda,
eles vendem de tudo na telinha

Lia Bock


Mario Rodrigues
Paulo Salgado (à esq.), com Ney Gonçalves Dias no Bom Dia Mulher, da Rede TV!: 20 000 reais por mês

Entre os primórdios da TV, nos anos 50 e 60, quando não havia videoteipe, uma de suas atrações – ao lado das novelas protagonizadas por Vida Alves, do noticiário Mappin Movietone e das músicas cantadas por Hebe Camargo – eram as garotas-propaganda. Bonitas, simpáticas e bem vestidas, no intervalo dos programas elas anunciavam produtos ao vivo. Algumas se tornaram famosas, como Idalina de Oliveira, até hoje lembrada por antigos telespectadores. Elas têm uma nova versão. São os merchandetes, assim chamados por fazer merchandising. Com boa dicção, muitos sorrisos e uma desenvoltura de causar inveja a muitas modelos-apresentadoras, eles surgem no meio de programas matutinos e vespertinos dirigidos ao público feminino para alardear a suposta eficácia de cremes contra a celulite, aparelhos de ginástica passiva e chás emagrecedores. Durante a tarde, há sempre cinco ou seis deles nos corredores das emissoras da cidade à espera de sua vez para entrar no ar. Às vezes, aguardam por horas nos bastidores antes de seus dois minutos em frente às câmeras. E saem correndo para dar seu recado em outro estúdio.

Divulgação
Ana Paula: exclusiva do Dia Dia


As empresas que os contratam não divulgam o número de ligações recebidas quando os merchandetes estão no ar, mas o telefone dispara ao soltarem frases inacreditáveis como "O sistema de limpeza de ar é igualzinho ao utilizado pela Nasa" ou "Com este remédio natural você pode perder até 20 quilos em uma semana!". No começo da carreira, muitos acreditam que fazer esses comerciais pode ser uma porta de entrada para o mundo do showbiz. "Algumas meninas acham que vão roubar a cena e virar estrela", afirma Tânia Plácido, no ramo há quatro anos. "Mas ninguém reconhece a gente na rua."

Nesse mundo predominantemente feminino, um dos mais bem-sucedidos é um homem: o paulistano Paulo Salgado. Ele anuncia produtos em programas de auditório há dez anos e diz que consegue tirar 20.000 reais por mês com a atividade, enquanto o salário médio de um merchandete é de cerca de 3.000 reais. Dono de um salão de beleza no bairro da Pompéia, Salgado aproveita a pequena fama para apresentar festas e eventos no interior. No corre-corre entre um programa e outro, chega a trabalhar catorze horas por dia, inclusive aos sábados. "E ainda tenho de ir à academia, porque nessa profissão não dá para ficar fora de forma", diz ele.


Mario Rodrigues
Tânia Plácido (à dir.), no programa Mulheres, da Gazeta: "Ninguém nos reconhece na rua"

Recentemente, uma inovação da TV Bandeirantes mexeu com o mundo da televenda. No programa Dia Dia, comandado por Viviane Romanelli – uma ex-merchandete que começou a carreira no canal de vendas Shoptime –, os tais reclames não são mais feitos por garotas enviadas pelos anunciantes. Agora ficam a cargo da apresentadora Ana Paula Anzelotti, que foi descoberta em aparições no Liquida Mix. "Os diretores queriam que todas as propagandas tivessem uma única cara", conta Ana Paula. "O tititi entre as meninas foi grande." Para as merchandetes tradicionais, no entanto, a experiência não vai longe. "A intimidade com o produto é mais importante do que apenas um sorriso bonito", desdenha Tânia Plácido.

 

     
   
 
 
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