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RESTAURANTES
Os chefs
ranzinzas
Eles rejeitam
qualquer interferência
dos clientes em seus pratos
Lia Bock
Mario Rodrigues
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Heudes Regis
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Jun Sakamoto: no balcão,
só o que ele servir e nada
de potinho de shoyu |
Simone, do Il Fornaio d'Itália,
e seu ragu de vitela e ervilhas: apenas duas sugestões
por dia |
Deixar uma
receita a seu gosto parece simples. Basta acrescentar ou retirar
um ingrediente, trocar um tempero ou mesmo mudar o ponto de cozimento.
Mas, se alguma dessas alterações é sugerida
ao chef de um restaurante paulistano, há boas chances de
o cliente não ter o pedido atendido. Alguns cozinheiros preferem
comprar briga com quem paga a conta a mexer em suas criações.
"Ninguém pede para mudar uma Ferrari. Por que pedir para
mudar um prato, então?", exagera Vincenzo Venitucci, proprietário
do italiano Casa Venitucci, em Perdizes. O sushiman Jun Sakamoto
é conhecido por impor regras aos freqüentadores de seu
restaurante, em Pinheiros. Quem se senta ao balcão não
escolhe o que irá comer, já que ali ele só
serve o menu degustação. Até aí, tudo
bem. Mas os comensais não podem nem decidir a quantidade
de shoyu que querem no peixe. "Estou em meu ateliê. Tem gente
que gosta de afogar o sushi no molho, o que desequilibra o sabor",
afirma.
Segundo
Sakamoto, hoje em dia as pessoas estão mais acostumadas com
seu sistema, mas logo que montou o restaurante ele passou por alguns
apertos. O sushiman chegou a ir para a delegacia por causa de um
bate-boca com um cliente que se sentou ao balcão e queria
escolher uma opção do cardápio. "Ele estava
bêbado, foi extremamente grosso e chamou a polícia",
lembra. "Tudo porque lhe disse que no balcão quem escolhia
o menu era eu." Outro chef conhecido por suas manias é Vito
Simone, dono do Il Fornaio d'Itália. Simone acorda às
6 da manhã e escolhe qual será o prato que irá
figurar no cardápio naquele dia. Às vezes, dispõe-se
a preparar duas receitas. Sua carta de vinhos se restringe a uma
opção de branco e uma de tinto. Nega-se a servir sucos
até para crianças. "Eles costumam dar azia, e depois
as pessoas colocam a culpa na minha comida", diz. O Il Fornaio d'Itália
fecha pontualmente às 21h30 e não abre nos fins de
semana. "No sábado e no domingo não se lavora,
se namora", brinca.
Em alguns
lugares, até o chope é tratado como uma obra intocável.
Nos bares Astor, Original e Pirajá, que pertencem aos mesmos
donos, o colarinho nunca tem menos que três dedos de altura.
E não adianta insistir, mesmo que o cliente jure que prefere
a bebida sem colarinho. "A espuma preserva a temperatura e evita
a oxidação", diz Edgard Bueno da Costa, um dos sócios
das casas. Na rede de pizzarias Bráz, quem pedir um pouco
de ketchup para deixar a redonda com sabor adocicado alguns
fazem isso no Rio de Janeiro, por exemplo está arriscado
a levar uma bronca dos garçons. É claro que o ideal
quando se sai para jantar, principalmente se a escolha for um restaurante
de gabarito, é deixar a criação a cargo dos
cozinheiros. Afinal, mudanças em profusão podem transformar
uma bela refeição em um desastre. "Se o desejo do
cliente viola a receita e vai descaracterizá-la, sugerimos
que ele peça outra coisa", diz Massimo Ferrari, do italiano
Massimo.
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"Aqui, de jeito nenhum!"
Oscar Cabral
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Sucos
são vetados em alguns restaurantes. No Pomodori,
por causa do barulho do liquidificador. No Il Fornaio
d'Itália, porque "provocam azia, e depois vão
culpar nossa comida" |
| Quem
quiser chope sem colarinho precisa procurar outros bares.
No Astor, Pirajá e Original, os três dedos
de creme são obrigatórios. "A espuma já
foi considerada um truque para economizar. Mas ela preserva
a temperatura e evita a oxidação", afirma
Edgard Bueno da Costa, um
dos sócios das casas
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Mario Rodrigues
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Elaine Coster
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Pedir
carne bem passada é
o mesmo que ofender a
maioria dos chefs. No
Bassi, as peças não saem
da grelha esturricadas nem se o cliente implorar. "Ninguém
gosta de comer sola
de sapato", diz o
churrasqueiro Marcos Bassi |
| Quem
é fã de ketchup e quer deixar a pizza um
tanto adocicada leva bronca na Bráz. Pedido por
alguns cariocas, o tempero é considerado uma heresia
por aqui |
Heudes Regis
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