Publicidade
 

 
 
 


25 de fevereiro de 2004
BICHOS
CIDADE
PASSEIO
CRIANÇAS
AS BOAS COMPRAS
MISTÉRIOS DA CIDADE
TERRAÇO PAULISTANO
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
   

CIDADE

A clientela sumiu

Obras na Cidade Jardim fazem lojas
perder até 90% do movimento

Erika Sallum

Fotos Heudes Régis
Operários constroem túnel sob a avenida: dez meses de caos


Cada vez que olha pela janela de sua loja, Yvonne Schwarcz tem vontade de chorar. Proprietária de um antiquário no número 1010 da Avenida Cidade Jardim, ela viu seu movimento cair 90% desde que foi iniciada, em janeiro, a construção de uma passagem subterrânea na via. Com as obras, parte da avenida teve de ser interditada e o acesso ao comércio local ficou prejudicado. Hoje, quem quiser chegar de carro ao lado par da Cidade Jardim (o que fica na faixa direita no sentido centro–bairro) tem de amargar um trânsito infernal, com os veículos circulando morosamente em fila única entre cones, tratores e operários. "Os clientes sumiram. Tem dia em que não entra ninguém aqui", diz Yvonne, que está instalada no local há 29 anos. "Outras lojas baixaram os preços para atrair gente. Mas trabalho com peças raras. Não posso fazer uma liquidação de antiguidades do século XIX." A situação da loja de equipamentos esportivos Reebok, ao lado, é parecida. Dos quatro funcionários que lá trabalhavam, ficou apenas um. "Tive de abrir um quiosque caríssimo no Shopping Iguatemi para as pessoas lembrarem daqui", conta a comerciante Suzi Baker. "É um desastre."

Assim como as duas comerciantes, outros cerca de 120 estabelecimentos instalados na avenida e nas vizinhanças, como as ruas Mário Ferraz e Artur Ramos, têm sofrido queda no movimento por causa da obra viária. São locadoras de vídeo, lojas de decoração, farmácia e banco, entre outros endereços que devem fechar o ano de 2004 com uma perda braba. O túnel faz parte de uma impressionante operação pré-eleitoral da prefeitura para a região e vai interligar as avenidas Cidade Jardim, Europa e Nove de Julho, passando sob a Faria Lima. É uma obra com duração prevista de dez meses e custo estimado em 83 milhões de reais. Para tentar reverter seus pesados prejuízos, cinqüenta lojistas uniram-se e criaram a ONG Boulevard Cidade Jardim. Na semana passada, a associação reuniu-se com a prefeita Marta Suplicy para discutir como melhorar o acesso do público e propor sugestões ao projeto. Entre elas, a colocação de cabos de iluminação por baixo da terra, uma calçada diferenciada e outras modificações, que poderiam transformar a avenida em um bulevar sofisticado.

 
Placa indica que o comércio local está funcionando: solução precária para enfrentar os prejuízos

Durante a conversa, a prefeita prometeu atender no futuro à maioria dos pedidos dos comerciantes, mas até que isso aconteça – se acontecer – suas lojas continuarão praticamente vazias. "Ela nos garantiu que os carros da Cidade Jardim poderão acessar diretamente a Faria Lima, sem precisar fazer um retorno distante, como estava previsto anteriormente", conta Tania Piva de Albuquerque, presidente da ONG e dona do Empório Santa Maria. Um dos supermercados mais chiques da cidade, o Santa Maria demitiu recentemente mais de vinte de seus 100 funcionários, reduziu as importações e redobrou o serviço de limpeza por causa da poeira provocada pelas britadeiras. Antes, recebia num dia de semana em seu estacionamento até 500 carros. Atualmente, esse número caiu para 150. Além disso, foram criadas algumas soluções paliativas – como o aumento do serviço de entrega em domicílio e eventos de degustação. "Estamos nos desdobrando como podemos para enfrentar esse enorme transtorno", diz Tania.

         
     
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo | VEJA Noite São Paulo
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados