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CIDADE
A clientela sumiu
Obras
na Cidade Jardim fazem lojas
perder até 90% do movimento
Erika Sallum
Fotos Heudes Régis
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| Operários
constroem túnel sob a avenida: dez meses de caos
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Cada vez que olha pela janela de sua loja, Yvonne Schwarcz tem vontade
de chorar. Proprietária de um antiquário no número
1010 da Avenida Cidade Jardim, ela viu seu movimento cair 90% desde
que foi iniciada, em janeiro, a construção de uma
passagem subterrânea na via. Com as obras, parte da avenida
teve de ser interditada e o acesso ao comércio local ficou
prejudicado. Hoje, quem quiser chegar de carro ao lado par da Cidade
Jardim (o que fica na faixa direita no sentido centrobairro)
tem de amargar um trânsito infernal, com os veículos
circulando morosamente em fila única entre cones, tratores
e operários. "Os clientes sumiram. Tem dia em que não
entra ninguém aqui", diz Yvonne, que está instalada
no local há 29 anos. "Outras lojas baixaram os preços
para atrair gente. Mas trabalho com peças raras. Não
posso fazer uma liquidação de antiguidades do século
XIX." A situação da loja de equipamentos esportivos
Reebok, ao lado, é parecida. Dos quatro funcionários
que lá trabalhavam, ficou apenas um. "Tive de abrir um quiosque
caríssimo no Shopping Iguatemi para as pessoas lembrarem
daqui", conta a comerciante Suzi Baker. "É um desastre."
Assim como as duas comerciantes, outros cerca de 120 estabelecimentos
instalados na avenida e nas vizinhanças, como as ruas Mário
Ferraz e Artur Ramos, têm sofrido queda no movimento por causa
da obra viária. São locadoras de vídeo, lojas
de decoração, farmácia e banco, entre outros
endereços que devem fechar o ano de 2004 com uma perda braba.
O túnel faz parte de uma impressionante operação
pré-eleitoral da prefeitura para a região e vai interligar
as avenidas Cidade Jardim, Europa e Nove de Julho, passando sob
a Faria Lima. É uma obra com duração prevista
de dez meses e custo estimado em 83 milhões de reais. Para
tentar reverter seus pesados prejuízos, cinqüenta lojistas
uniram-se e criaram a ONG Boulevard Cidade Jardim. Na semana passada,
a associação reuniu-se com a prefeita Marta Suplicy
para discutir como melhorar o acesso do público e propor
sugestões ao projeto. Entre elas, a colocação
de cabos de iluminação por baixo da terra, uma calçada
diferenciada e outras modificações, que poderiam transformar
a avenida em um bulevar sofisticado.
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| Placa
indica que o comércio local está funcionando: solução precária
para enfrentar os prejuízos |
Durante
a conversa, a prefeita prometeu atender no futuro à maioria
dos pedidos dos comerciantes, mas até que isso aconteça
se acontecer suas lojas continuarão praticamente
vazias. "Ela nos garantiu que os carros da Cidade Jardim poderão
acessar diretamente a Faria Lima, sem precisar fazer um retorno
distante, como estava previsto anteriormente", conta Tania Piva
de Albuquerque, presidente da ONG e dona do Empório Santa
Maria. Um dos supermercados mais chiques da cidade, o Santa Maria
demitiu recentemente mais de vinte de seus 100 funcionários,
reduziu as importações e redobrou o serviço
de limpeza por causa da poeira provocada pelas britadeiras. Antes,
recebia num dia de semana em seu estacionamento até 500 carros.
Atualmente, esse número caiu para 150. Além disso,
foram criadas algumas soluções paliativas como
o aumento do serviço de entrega em domicílio e eventos
de degustação. "Estamos nos desdobrando como podemos
para enfrentar esse enorme transtorno", diz Tania.
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