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24 de novembro de 2004
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Pipoca comentada

Pelo menos dez salas da cidade
promovem debates após a
exibição do filme. Vai encarar?

Marcos Buarque de Gusmão


Fotos Heudes Regis
gis
O professor Morettin, da USP, e a universitária Fernanda Queiroz: discussões sobre filme russo na Cinemateca


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Confira a programação completa dos debates

Terça, dia 9, Cinemateca, 20h30. Termina a exibição de A Greve, filme mudo do cineasta russo Sergei Eisenstein. Mas ninguém arreda o pé da sala. Os 110 lugares ficam exatamente como no início da sessão – lotados. Acendem-se as luzes. O professor Eduardo Morettin, do departamento de cinema, rádio e televisão da Escola de Comunicações e Artes da USP, dispensa o microfone e começa a falar sobre as primeiras produções da antiga União Soviética... Minutos depois, uma animada estudante de filosofia levanta a questão da "relação entre o expressionismo e a produção engajada soviética dos anos 30". Foram duas horas de, digamos, intensas conversas. Cada vez mais comuns nos cinemas, esses papos-cabeça atraem uma legião de interessados em debater o filme a que assistiram com nomes ligados à produção ou especialistas no tema tratado pela história. "Gosto da idéia de analisar um filme ainda dentro do cinema", diz a universitária Fernanda Queiroz. "O comentário de alguém pode nos fazer ver algo que passou despercebido."

O sucesso dessa fórmula pôs em cartaz programas do gênero em pelo menos dez endereços da cidade. Pipoca comentada está na agenda do Sesc Vila Mariana, do CineSesc, do Planeta Tela, do Espaço Unibanco, da Cinemateca e do Centro Cultural Banco do Brasil. Além de alguns lugares que, à primeira vista, têm pouca afinidade com a telona, caso da Associação Paulista de Medicina, do Hospital Samaritano, do Esporte Clube Pinheiros e do Colégio Santa Cruz. Na maioria deles a entrada é gratuita – o ingresso mais caro para a dobradinha cinema-debate custa 6 reais.

Conhecedor ou não dos meandros das artes cinematográficas, o participante, por mais prolixo que seja, nunca é censurado. "A idéia é que a discussão ocorra num ambiente informal e descontraído", explica Adhemar Oliveira, diretor de programação do Espaço Unibanco. "Assim, qualquer um se sente à vontade para dar sua opinião e compreender melhor o que viu." Para o psiquiatra Wimer Botura Júnior, o debate tira a platéia de uma situação passiva diante da tela. Uma vez por mês, ele atua como mediador nas sessões promovidas na Associação Paulista de Medicina. Sua próxima empreitada, na sexta (26), será em torno do drama Tudo sobre Minha Mãe, de Pedro Almodóvar. "Os encontros, no melhor estilo cineclube, servem para educar o público para compreender melhor o cinema e o papel dele em sua vida", diz Botura Júnior. Alguém duvida?

 

Programe-se para
um papo-cabeça

Dia 21
Punhos de Campeão, de Robert Wise, no Museu Lasar Segall, Rua Berta, 111, Vila Mariana, 5574-7322, 11h, grátis

Dia 22
Durval Discos, de Anna Muylaert, no Teatro do Colégio Santa Cruz, Rua Orobó, 277, Alto de Pinheiros, 3024-5191, 20h, 6 reais

Dia 23
Brasil Verdade, episódios de Geraldo Sarno, Paulo Gil Soares e Manoel Horácio Gimenez, na Sala Cinemateca, Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana, 5084-2177 e 5081-2954, 15h, grátis
Outubro, de Sergei Eisenstein, na Sala Cinemateca, 19h, grátis
O Escorpião de Jade, de Woody Allen, no Planeta Tela Espaço Cultural, Rua Humberto Primo, 981, Vila Mariana, 5081-5810, 20h, grátis (retirar senha com trinta minutos de antecedência)

Dia 25
Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo, no Centro Cultural Banco do Brasil, Rua Álvares Penteado, 112, Sé, 3113-3651, 17h e 19h, 4 reais (o debate com o diretor ocorrerá após a segunda sessão)

Dia 26
Tudo sobre Minha Mãe,
de Pedro Almodóvar, na Associação Paulista de Medicina, Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 278, Bela Vista, 3188-4301, 19h30, grátis

Dia 28
O Fim dos Deuses Segundo Nichiren, de Noboru Nakamura, no Museu Lasar Segall, 11h, grátis

 

     
   
 
 
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