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CINEMA Pipoca comentada
Pelo menos dez salas da cidade promovem debates após
a exibição do filme. Vai encarar? Marcos
Buarque de Gusmão
Fotos Heudes Regis  | gis
 | | O
professor Morettin, da USP, e a universitária Fernanda Queiroz: discussões
sobre filme russo na Cinemateca |
Terça,
dia 9, Cinemateca, 20h30. Termina a exibição de A Greve,
filme mudo do cineasta russo Sergei Eisenstein. Mas ninguém arreda o pé
da sala. Os 110 lugares ficam exatamente como no início da sessão
lotados. Acendem-se as luzes. O professor Eduardo Morettin, do departamento
de cinema, rádio e televisão da Escola de Comunicações
e Artes da USP, dispensa o microfone e começa a falar sobre as primeiras
produções da antiga União Soviética... Minutos depois,
uma animada estudante de filosofia levanta a questão da "relação
entre o expressionismo e a produção engajada soviética dos
anos 30". Foram duas horas de, digamos, intensas conversas. Cada vez mais comuns
nos cinemas, esses papos-cabeça atraem uma legião de interessados
em debater o filme a que assistiram com nomes ligados à produção
ou especialistas no tema tratado pela história. "Gosto da idéia
de analisar um filme ainda dentro do cinema", diz a universitária Fernanda
Queiroz. "O comentário de alguém pode nos fazer ver algo que passou
despercebido." O sucesso dessa fórmula
pôs em cartaz programas do gênero em pelo menos dez endereços
da cidade. Pipoca comentada está na agenda do Sesc Vila Mariana, do CineSesc,
do Planeta Tela, do Espaço Unibanco, da Cinemateca e do Centro Cultural
Banco do Brasil. Além de alguns lugares que, à primeira vista, têm
pouca afinidade com a telona, caso da Associação Paulista de Medicina,
do Hospital Samaritano, do Esporte Clube Pinheiros e do Colégio Santa Cruz.
Na maioria deles a entrada é gratuita o ingresso mais caro para
a dobradinha cinema-debate custa 6 reais. Conhecedor
ou não dos meandros das artes cinematográficas, o participante,
por mais prolixo que seja, nunca é censurado. "A idéia é
que a discussão ocorra num ambiente informal e descontraído", explica
Adhemar Oliveira, diretor de programação do Espaço Unibanco.
"Assim, qualquer um se sente à vontade para dar sua opinião e compreender
melhor o que viu." Para o psiquiatra Wimer Botura Júnior, o debate tira
a platéia de uma situação passiva diante da tela. Uma vez
por mês, ele atua como mediador nas sessões promovidas na Associação
Paulista de Medicina. Sua próxima empreitada, na sexta (26), será
em torno do drama Tudo sobre Minha Mãe, de Pedro Almodóvar.
"Os encontros, no melhor estilo cineclube, servem para educar o público
para compreender melhor o cinema e o papel dele em sua vida", diz Botura Júnior.
Alguém duvida?
| Programe-se para um papo-cabeça Dia
21 Punhos de Campeão,
de Robert Wise, no Museu Lasar Segall, Rua Berta, 111, Vila Mariana,
5574-7322, 11h, grátis Dia
22 Durval Discos, de Anna Muylaert,
no Teatro do Colégio Santa Cruz, Rua Orobó, 277, Alto de Pinheiros,
3024-5191, 20h, 6 reais Dia 23 Brasil
Verdade, episódios de Geraldo Sarno, Paulo Gil Soares
e Manoel Horácio Gimenez, na Sala Cinemateca, Largo Senador Raul Cardoso,
207, Vila Mariana,
5084-2177 e 5081-2954, 15h, grátis Outubro,
de Sergei Eisenstein, na Sala Cinemateca, 19h, grátis O
Escorpião de Jade, de Woody Allen, no Planeta Tela Espaço
Cultural, Rua Humberto Primo, 981, Vila Mariana,
5081-5810, 20h, grátis (retirar senha com trinta minutos de antecedência)
Dia 25 Filhas
do Vento, de Joel Zito Araújo, no Centro Cultural Banco
do Brasil, Rua Álvares Penteado, 112, Sé,
3113-3651, 17h e 19h, 4 reais (o debate com o diretor ocorrerá após
a segunda sessão) Dia 26 Tudo
sobre Minha Mãe, de Pedro Almodóvar, na Associação
Paulista de Medicina, Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 278, Bela
Vista,
3188-4301, 19h30, grátis Dia
28 O Fim dos Deuses Segundo Nichiren, de
Noboru Nakamura, no Museu Lasar Segall, 11h, grátis |
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