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SOCIEDADE
O
amor é lindo e faz milagres
Apaixonada
e sete quilos mais magra,
Marta
Suplicy faz de seu casamento
uma festança para a qual convidou
400 pessoas, do presidente Lula
às velhas amigas
Erika
Sallum, Lúcia Monteiro e
Maria Rita Alonso
Ernesto Rodrigues/Folha Imagem
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Agliberto Lima/AE
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| Afagos
e beijinhos: demonstrações de carinho em público, como no Carnaval,
são freqüentes entre Marta e Luis Favre |
Marta
Suplicy, a prefeita de São Paulo, arranjou um gatão
para chamar de seu. Neste sábado (20), aos 58 anos, a prefeita,
decidida como ela só, mete um guizo no dedo anular do gato.
O noivo que agora recebe a mão da prefeita e faz a ela juras
de amor eterno é o franco-argentino Luis Favre, quatro anos
mais jovem. Com seus olhos azuis e um poder de sedução
comprovado em quatro casamentos anteriores e numa rede de ótimos
contatos no circuito chique da esquerda internacional, Favre começou
a influir na vida de Marta tanto com palpites políticos quanto
com sugestões, devidamente aceitas, em assuntos referentes
ao guarda-roupa e à dieta. Ela o ouve sobre tudo. "Depois
que conheceu Luis, ela passou a escolher vestidos mais adequados
e com cores certas", observa uma amiga, lembrando os modelitos vermelho-PT
e verde-bandeira exibidos pela prefeita no início do mandato.
Marta Suplicy tem um dos maiores guarda-roupas do Brasil.
E
assim começa a história de um amor em fase nova. O
namoro e o noivado chegam ao fim e, agora, tem início o período
em que, nas cerimônias matrimoniais, os noivos prometem permanecer
unidos para sempre (bem, não é preciso exagerar),
amando-se e respeitando-se, na saúde e na doença,
na alegria e na tristeza... Marta, apaixonadérrima, sente-se
nas nuvens. E está vencendo sua luta contra a balança.
O manequim encolheu de 42 para 40. O ponteiro da balança,
que andava subindo, despencou dos 67 para os 60 quilos, peso bastante
adequado para quem tem 1,64 metro. No rosto, bem mais lisinho (efeito
também das aplicações de Botox, é verdade),
o sorriso tornou-se quase permanente. Não dá para
negar. Marta Teresa Smith de Vasconcellos Suplicy, prefeita de São
Paulo, psicanalista, sexóloga, ex-deputada federal, mãe
de três homens adultos, avó de dois netos, ex-mulher
do senador Eduardo Suplicy, petista desde a fundação
do partido e bem-nascida em uma família tradicional da cidade,
está mais bonita, mais elegante e feliz.
Essa fase de felicidade vivida por Marta terá seu ápice
na festa de casamento, numa fazenda em Itupeva, a 70 quilômetros
da capital. "Quero assumir, celebrar e compartilhar esse momento
maravilhoso com meus amigos", explicou em uma entrevista recente.
O dedo de Favre estará presente até no vestido escolhido.
É um modelo bege, abaixo do joelho, comprado em Buenos Aires.
"O Luis é palpiteiro", entrega o cabeleireiro do casal, Celso
Kamura. "Quando ela vai sair com uma blusa muito decotada, ele fala
mesmo. 'Isso não é roupa de prefeita', vai dizendo.
'Pode trocar'. E ela troca." No fim de semana passado, o casal esteve
na capital argentina para acompanhar o segundo turno da eleição
para prefeito, vencida por Aníbal Ibarra, a quem Favre prestou
assessoria política e convidou para as bodas. "Ela aproveitou
a viagem para ajustar o vestido", informa uma das amigas. Os acessórios
serão um chapéu grande com flores e um xale de musselina
feito pela estilista argentina Any Carro, que vive no Rio de Janeiro.
Nada de buquê.
Arquivo pessoal
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| Marta
em 1964, aos 19 anos, com a avó e Eduardo Suplicy, em
seu primeiro casamento: celebração com pompa e
circunstância na Igreja Nossa Senhora do Carmo, a mais
disputada da época |
Confiante na manutenção do novo peso, Marta já
comprou até a roupa que pretende usar no aniversário
de 450 anos da cidade, daqui a quatro meses: um terninho branco
Giorgio Armani, que encontrou em liquidação na loja
da Rua Bela Cintra. Com desconto de 50% (o abatimento era de 40%,
mas ela pediu e conseguiu mais), saiu por cerca de 2.000 reais.
Sua animação pôde ser comprovada novamente na
segunda-feira passada, em duas ocasiões muito diferentes.
De manhã, na inauguração de um Centro de Educação
Unificado (CEU) no Itaim Paulista, Zona Leste, ela ensaiou alguns
passos de rap. À noite, no jantar de cinqüenta anos
do clube A Hebraica, exibia uma saia de chamois cor de vinho bem
ajustada ao corpo.
Nas últimas semanas, com a ajuda de Favre, Marta Suplicy
empenhou-se para que a festa não parecesse uma ostentação.
Temia, é claro, que a cerimônia fosse alvo de exploração
política. Nada seria pior para a imagem de quem pretende
se reeleger no próximo ano do que aparecer refestelando-se
com champanhe francês enquanto os munícipes, que pagam
tantas taxas aos cofres da prefeitura, enfrentam problemas de transporte,
buracos de rua, sujeira, pichações. Ela dizia que
faria algo simples. Mas como poderia ser simples um casamento para
400 pessoas com a presença do presidente da República,
de ministros e de parte da sociedade paulistana, à qual ela
pertence? Aliás, Marta é uma espécie de paradoxo
ambulante. É política do PT, partido de origem operária,
e no entanto veio da elite e nela continua agora, respaldada
por um elegante toque apimentado representado pelo marido de passado
trotskista.
Marcos Mendes/AE
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Monalisa Lins/AE
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| Logo
após a posse, em abril de 2001, durante
o
Grande Prêmio de Fórmula 1, em Interlagos:
na
ocasião, chegou a pesar 67 quilos |
Segunda-feira
passada, animadíssima na inauguração de
um CEU na Zona Leste, onde dançou rap:
dieta
e exercícios a deixaram sete quilos mais magra |
Os
200 convites começaram a ser despachados em meados de agosto.
Semanas antes, os noivos haviam acertado os nomes dos seis casais
de padrinhos. A lista apresenta uma simetria interessante. São
três antigas amigas, a artista gráfica Sylvia Monteiro
e as psicanalistas Yeda Saigh e Eleonora Mendes Caldeira, com seus
maridos. E três escolhas políticas: Lula, o ministro
Antonio Palocci e o presidente da Caixa Econômica Federal,
Jorge Mattoso, com suas mulheres. Diferentemente do que recomenda
o protocolo, não foram convidados para o casamento o governador
Geraldo Alckmin e dona Lu. "Mesmo que tivéssemos recebido
um convite, não poderíamos comparecer", afirma a primeira-dama.
"Nossa agenda para sábado já está tomada",
acrescenta, citando compromissos no Parque Villa-Lobos e na Febem,
onde deve distribuir 5.000 sorvetes aos internos.
O local escolhido foi a fazenda da madrinha Yeda. Com 14 alqueires,
dois lagos e um vasto jardim, a Estância Santa Rita de Cássia
tem uma casa digna de aparecer em revistas de decoração.
As propriedades vizinhas foram alugadas para o esquema de segurança,
que envolve o de Lula, a Polícia Militar e empresas particulares.
Um heliponto teve de ser construído às pressas para
receber os helicópteros de alguns convidados. No jardim,
perto dos lagos, foi armada uma grande tenda com piso de tábua
corrida. Ali ficam as mesas dos convidados, palco para músicos
e DJ. Em um anexo, montou-se uma cozinha. A poucos metros, foi construída
uma pequena capela, onde o juiz de paz do município, Ezequiel
Alves de Oliveira, realizaria a cerimônia civil. "Que a vida
de vocês tenha para sempre a alegria e o brilho desta festa",
ensaiava Oliveira alguns dias antes.
Leo Feltran
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João Caldas/divulgação
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| O
rabino e a cantora – Por desejo de Favre, a cerimônia
contará com uma bênção particular do rabino Sobel e uma apresentação
da cantora Fortuna, que irá interpretar cantos gregorianos e
ladinos |
Marta
optou por um cardápio brasileiro, com direito a arroz, feijão
e leitão. Tudo preparado por uma discreta dupla de banqueteiras,
as sócias Lourdes Bottura e Lia Tulmann, donas dos restaurantes
Badebec e Giorno Terraço. Foi uma surpresa para os concorrentes.
Um deles, inconformado, ligou para uma das madrinhas: "Quanto elas
cobraram? Faço por menos". Apesar da evidente projeção
que uma festa como essa pode proporcionar aos contratados, quase
nenhum fornecedor abriu a boca. Muitos temiam o que um deles chamou
de "a ira da prefeita" caso alguma informação vazasse.
"Garanto que não farei nada para esse casamento", afirmava,
a menos de uma semana da festa, a boleira das estrelas Isabella
Suplicy, parente distante do ex-marido de Marta. Doceira das mais
badaladas de São Paulo, Isabella foi, sim, chamada pelos
noivos para fazer o bolo que não seria enfeitado com
os manjados noivinhos. Quando esteve no ateliê de Isabella,
dias atrás, Marta decidiu substituí-los por flores
vermelhas, em homenagem ao PT. Decisão sensata. Noivinhos
no bolo seria um pouco infantil no caso de um casal como Marta e
Favre.
Heudes Régis
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| O
cenário da festa – Localizada em Itupeva, a Estância
Santa Rita de Cássia tem dois lagos. É ao lado deles que foi
armada a tenda para abrigar as mesas dos convidados, a pista
de dança e uma cozinha |
Um
evento semelhante, segundo cálculos de profissionais do ramo,
dificilmente sairia por menos de 200.000 reais, incluindo tenda,
comida, bebida, cachê dos músicos, equipamento de som,
refrigeração e caminhões geradores de energia,
já que a festa deveria se estender até a noite. Para
organizar tudo, Marta contratou o produtor George Freire, filho
da atriz Karin Rodrigues. "Será um típico casamento
de fazenda, com muitas flores do campo e azaléias", limitou-se
a dizer. Os preparativos movimentaram a vizinhança de Marta,
que mora no Jardim Europa. O vaivém de carros pela Rua Dinamarca
foi intenso nas duas últimas semanas com a entrega de presentes.
Há desde lembranças singelas, como os ovinhos ucranianos
pintados a mão, ofertados pela diretora do Teatro Municipal,
Lúcia Camargo, até o pote de cerâmica do século
XIX oferecido pelo ministro Márcio Thomaz Bastos. Secretários
municipais se cotizaram para comprar um jogo de copos da marca Strauss,
com sessenta peças, por 2.700 reais. "É tão
difícil dar algo para Marta... Ela tem tudo", lamentava-se
a subprefeita de Pinheiros, Bia Pardi, em dúvida até
o último momento. Entre os presentes mais caros que chegaram
à Rua Dinamarca figura um faqueiro de 130 peças da
marca francesa Christofle, cujo modelo mais barato custa 10.000
reais.
Marta e Favre já vivem juntos. Ele foi morar com a prefeita
alguns meses depois de ela se separar do senador Suplicy, em abril
de 2001. Nascido em Buenos Aires, com o nome de Felipe Wermus, mais
tarde trocado, Favre cresceu em um cortiço e não concluiu
o secundário. Antigo militante trotskista, é conhecido
como um homem culto e refinado. Três de seus quatro filhos
estão em São Paulo para o casamento, assim como amigos
e parentes vindos da Argentina e da França. Naturalizado
francês, ele se aproximou de Marta em 2000, quando uma das
irmãs da prefeita adoeceu e morreu em Paris. Ele já
havia sido bem casado anteriormente com mulheres de quatro nacionalidades:
a brasileira Marília Andrade, herdeira da construtora Andrade
Gutierrez, a filha de um empreiteiro argentino, uma americana e
uma francesa. Na época em que Marta concorria às eleições
municipais, Favre ficou um período hospedado na casa da prefeita,
que ainda era casada com Eduardo Suplicy. Nessa época, o
senador, abatido, admitiu em uma entrevista a VEJA que sentia ciúme
da aproximação dos dois. Poucos meses depois, Marta
separou-se e assumiu publicamente sua nova paixão. No fim
de agosto, ela declarou, durante o programa de Adriane Galisteu,
na Rede Record, que Favre é o grande amor de sua vida. Na
mesma noite, ele jantava sozinho no restaurante Cabaña Las
Lilas, em Buenos Aires. Tentava, sem sucesso, falar com Marta pelo
celular para saber como fora a entrevista.
Renato Chaui
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| Com
que roupa? – Até as vésperas do casamento, Marta tentava
convencer seu caçula, João, a comprar um terno para a cerimônia:
o músico detesta formalidades |
De origem judaica, Favre convidou o rabino Henry Sobel para dar
uma bênção íntima, somente com a presença
do casal, um pouco antes do início da cerimônia civil.
De acordo com Sobel, a bênção será concedida
em caráter de amizade, sem rituais. "Apenas desejarei que
os dois sejam felizes, pois eles merecem", explica. Marta, que tem
formação católica, garante que não convidou
nenhum padre para a celebração. "A Igreja não
permitiria esse tipo de união", disse na segunda-feira durante
o jantar do A Hebraica. Nessa comemoração, em que
estavam presentes o presidente Lula e o governador Alckmin, Favre
cantou com desenvoltura o hino de Israel. Na hora do Hino Nacional
Brasileiro, ficou calado. Por sua iniciativa, além da
presença do rabino, o casamento terá como uma espécie
de mestre-de-cerimônias a cantora Fortuna, muito requisitada
nas festividades da comunidade judaica de São Paulo. As músicas
que ela cantará foram selecionadas pessoalmente pelo noivo.
"Luis sabe o repertório mais do que eu, pois ele escolheu
tudo", conta Fortuna, cuja apresentação, logo após
o almoço, incluirá canções ladinas (músicas
dos antepassados sefaraditas da cantora) e cantos gregorianos.
Renato Chaui
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Fabio Mangabeira
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| Os
presentes – Na semana passada, muitos pacotes foram entregues
na casa da Rua Dinamarca. Entre eles, um jogo de copos Strauss
no valor de 2 700 reais dado em conjunto por catorze secretários
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Marta
e Favre devem trocar alianças ao som de Pavane, do
francês Maurice Ravel, em mais uma decisão do noivo.
Trata-se de uma bela melodia, embora algo triste e, como indica
o título completo da obra Pavane pour une Infante
Défunte , de conotação um tanto fúnebre.
Felizmente, na seqüência haverá músicas
mais alegres de Mozart, Haydn e Bach. O programa será executado
por um quarteto de cordas montado especialmente para a ocasião
com músicos da Orquestra Sinfônica Municipal, entre
os quais o primeiro violino Pablo de León, que só
costuma apresentar-se em salas de concerto, nunca em casamentos.
"Todos os instrumentistas foram selecionados a dedo", diz o maestro
Daniel Minczuk, que cuidou da produção musical e com
quem Favre acertou o repertório por e-mail.
Em seguida, sai o quarteto e o DJ Fernando Figueiredo, que já
se apresentou na Casa dos Artistas do SBT, entra em ação
com seus pick-ups. Ele deverá tocar hits dos anos 70, sua
especialidade, e um repertório variado, para que todos dancem.
A festa deve esticar pelo resto da tarde, pelo menos até
o anoitecer. Quando tudo terminar, os noivos voltam para casa. Não
haverá viagem de lua-de-mel. Na segunda-feira, Marta dará
expediente normal no Palácio das Indústrias. Com a
aliança na mão esquerda.
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"Não
havia motivos para me convidarem"
Antonio Milena
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Marta
e Suplicy, em 1998: um
casamento de 36 anos
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Na semana passada, o senador Eduardo Suplicy deu carta branca
a todos os amigos que se sentiam constrangidos em ir à
cerimônia do casamento de sua ex-mulher. Com voz embargada,
garantiu que não se sentiria magoado com quem decidisse
comparecer.
Veja
São Paulo O senhor vai ao casamento da
prefeita Marta Suplicy?
Suplicy
Por que eu iria?
Veja
São Paulo Não o convidaram?
Suplicy
Não, e não haveria motivos para me
convidarem. Fui convidado para um encontro no Equador, na
mesma data, com as maiores autoridades daquele país.
Vou fazer uma conferência sobre o meu projeto, que é
a Renda de Cidadania.
Veja
São Paulo Se o senhor fosse convidado,
iria ao casamento?
Suplicy
Não iria. Há dezenas de amigos meus
que foram convidados. Digo a todos que podem ir, que é
mais do que compreensível. Não vou ficar magoado
com ninguém.
Veja
São Paulo O senhor se lembra da festa
de seu casamento com Marta, em 1964?
Suplicy
Não me peça para falar sobre isso,
por favor.
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