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CIDADE Tira
ou deixa? A prefeitura estuda o que fazer com
a polêmica cobertura colocada na Praça do Patriarca Rodrigo
Brancatelli  | | Visão
da Igreja de Santo Antônio: prejudicada pela cobertura de 9 metros de altura |
O comerciante
Jorge Lopes, que trabalha na Rua Líbero Badaró, abomina aquela estrutura
de metal fincada bem no meio da Praça do Patriarca, no centro da cidade.
"É muito grande e fica cheia de mendigos dormindo pelo chão", afirma.
Já a dona-de-casa Lorena de Carvalho, que costuma fazer compras por ali,
diz "amar de paixão" a obra. "Acho linda, supermoderna." Desde que foi
erguido, em meados de 2002, o portal desenhado pelo arquiteto Paulo Mendes da
Rocha gera polêmica. Não há consenso nem mesmo entre especialistas
(veja abaixo). A ex-prefeita Marta Suplicy é uma das fãs
de carteirinha. Foi ela quem tirou da gaveta e bancou o projeto criado pela Associação
Viva o Centro, em 1992, para revitalizar a área. Já o prefeito José
Serra faz parte justamente do grupo que critica a marquise de 9 metros de altura.
Segundo seus assessores, ele perde o humor sempre que olha para ela. E faz isso
todos os dias, pois seu gabinete se localiza ao lado da praça. Serra encomendou
um estudo sobre a possibilidade de retirar a obra arquitetônica de lá
e mandá-la para outro lugar, possivelmente um parque municipal.
A Praça do Patriarca é um símbolo de São Paulo. Foi
criada há cerca de oitenta anos para homenagear José Bonifácio
de Andrada e Silva (1763-1838), o Patriarca da Independência. No quarteirão
delimitado pelas ruas São Bento, Direita, Líbero Badaró e
da Quitanda fica a entrada da Galeria Prestes Maia, passagem entre o centro velho
e o Vale do Anhangabaú. Para completar o cenário está também
ali a Igreja de Santo Antônio, matriz da Vila de São Paulo no início
do século XVII. "O grande problema é que, com o passar do tempo,
a região foi engolida pelo trânsito", diz o historiador Massimo Fernandes.
O projeto de Paulo Mendes da Rocha pretendia organizar a confusão. Na galeria,
funcionariam cafés e uma nova área de exposições mantida
pelo Masp. No Viaduto do Chá seria feita uma garagem para ônibus.
Nada disso saiu do papel. "A marquise nasceu de uma idéia mais ampla",
diz a urbanista Regina Meyer, que participou da reforma. "Acho simplista retirá-la.
O espaço precisa ser discutido novamente." Moacyr
Lopes Junior/ Folha Imagem
 | "O
pórtico é exagerado, atrapalha a visão da região.
Achei criminosa a demolição do abrigo que existia antes." CARLOS
LEMOS, arquiteto | Heitor Hui/AE
 | "A
marquise nasceu de um projeto mais amplo. Seria simplista retirar a obra. O espaço
precisa ser rediscutido." REGINA MEYER, urbanista | Caio
Guatalli /Folha Imagem
 | "Acho
bonita, chama atenção pela originalidade. É uma perda de
tempo e de dinheiro mudar a estrutura de lugar." JORGE
WILHEIM, arquiteto | José
Luis da Conceição /AE
 | "É
grande e atrapalha a visão. Mas a forma geral é bonita. A retirada
não resolve o problema." CÂNDIDO
MALTA, urbanista | Germano Luders
 | "A
marquise foi feita para ser a entrada da galeria. Não tem sentido tirá-la
da praça. Pelas informações que tenho, ela não vai
sair de lá." MARCO ANTÔNIO DE
ALMEIDA, Associação Viva o Centro | Lalo
deAlmeida/Folha Imagem
 | "Para
cobrir uma escada, não há por que ter um pórtico daquele
tamanho. Fizeram pouco-caso da igrejinha." BENEDITO
LIMA DE TOLEDO, arquiteto |
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