Publicidade
 
 

 
 


24 de agosto de 2005
ESPECIAL
GASTRONOMIA
MUNDO ANIMAL
CIDADE
DIVERSÃO
Portal Veja São Paulo
AS BOAS COMPRAS
MISTÉRIOS DA CIDADE
TERRAÇO PAULISTANO
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
  

CIDADE

Tira ou deixa?

A prefeitura estuda o que fazer
com a polêmica cobertura colocada
na Praça do Patriarca

Rodrigo Brancatelli

 
Visão da Igreja de Santo Antônio: prejudicada pela cobertura de 9 metros de altura


Veja também
Fórum: Você acha que a marquise deve mudar de lugar? Dê a sua opinião.

O comerciante Jorge Lopes, que trabalha na Rua Líbero Badaró, abomina aquela estrutura de metal fincada bem no meio da Praça do Patriarca, no centro da cidade. "É muito grande e fica cheia de mendigos dormindo pelo chão", afirma. Já a dona-de-casa Lorena de Carvalho, que costuma fazer compras por ali, diz "amar de paixão" a obra. "Acho linda, supermoderna." Desde que foi erguido, em meados de 2002, o portal desenhado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha gera polêmica. Não há consenso nem mesmo entre especialistas (veja abaixo). A ex-prefeita Marta Suplicy é uma das fãs de carteirinha. Foi ela quem tirou da gaveta e bancou o projeto criado pela Associação Viva o Centro, em 1992, para revitalizar a área. Já o prefeito José Serra faz parte justamente do grupo que critica a marquise de 9 metros de altura. Segundo seus assessores, ele perde o humor sempre que olha para ela. E faz isso todos os dias, pois seu gabinete se localiza ao lado da praça. Serra encomendou um estudo sobre a possibilidade de retirar a obra arquitetônica de lá e mandá-la para outro lugar, possivelmente um parque municipal.

A Praça do Patriarca é um símbolo de São Paulo. Foi criada há cerca de oitenta anos para homenagear José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), o Patriarca da Independência. No quarteirão delimitado pelas ruas São Bento, Direita, Líbero Badaró e da Quitanda fica a entrada da Galeria Prestes Maia, passagem entre o centro velho e o Vale do Anhangabaú. Para completar o cenário está também ali a Igreja de Santo Antônio, matriz da Vila de São Paulo no início do século XVII. "O grande problema é que, com o passar do tempo, a região foi engolida pelo trânsito", diz o historiador Massimo Fernandes. O projeto de Paulo Mendes da Rocha pretendia organizar a confusão. Na galeria, funcionariam cafés e uma nova área de exposições mantida pelo Masp. No Viaduto do Chá seria feita uma garagem para ônibus. Nada disso saiu do papel. "A marquise nasceu de uma idéia mais ampla", diz a urbanista Regina Meyer, que participou da reforma. "Acho simplista retirá-la. O espaço precisa ser discutido novamente."

 
Moacyr Lopes Junior/
Folha Imagem

"O pórtico é exagerado, atrapalha a visão da região. Achei criminosa a demolição do abrigo que existia antes."
CARLOS LEMOS, arquiteto
Heitor Hui/AE
"A marquise nasceu de um projeto mais amplo. Seria simplista retirar a obra. O espaço precisa ser rediscutido."
REGINA MEYER, urbanista
Caio Guatalli /Folha Imagem
"Acho bonita, chama atenção pela originalidade. É uma perda de tempo e de dinheiro mudar a estrutura de lugar."
JORGE WILHEIM, arquiteto
José Luis da Conceição /AE
"É grande e atrapalha a visão. Mas a forma geral é bonita. A retirada não resolve o problema."
CÂNDIDO MALTA, urbanista
Germano Luders
"A marquise foi feita para ser a entrada da galeria. Não tem sentido tirá-la da praça. Pelas informações que tenho, ela não vai sair de lá."
MARCO ANTÔNIO DE ALMEIDA, Associação Viva o Centro
Lalo deAlmeida/Folha Imagem
"Para cobrir uma escada, não há por que ter um pórtico daquele tamanho. Fizeram pouco-caso da igrejinha."
BENEDITO LIMA DE TOLEDO, arquiteto

     
   
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados