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24 de março de 2004
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TERRAÇO PAULISTANO
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
   

GENTE


Rodrigo Martins,
27 anos
Profissão: chef de cozinha.
Formação: curso de cozinheiro chef internacional no Senac.
Carreira: o pai tinha um restaurante em São Carlos. Sempre que sobrava um tempinho, Rodrigo Martins (à esq.) escapulia até a cozinha. Pegou tanto gosto pela coisa que decidiu cursar gastronomia no Senac. Ali sua vida mudou: foi onde conheceu o amigo e sócio inseparável Jefferson Rueda, com quem, aos 20 e poucos anos, abriu uma consultoria. Juntos, ralaram por anos ao lado de celebridades das panelas, entre elas Laurent Suaudeau, Emmanuel Bassoleil e Luciano Boseggia. "Eles são talentosíssimos", festeja Laurent. "Sintonizados, sabem com simplicidade dar toques de charme a receitas tradicionais", afirma o crítico Arnaldo Lorençato. Após um grave acidente de carro, Martins decidiu aquietar-se. Junto com Rueda, abriu o primoroso Pomodori, no Itaim Bibi, onde recebem apenas 32 pessoas, a maioria com reserva. Um jantar ali não sai por menos de 100 reais. "Primamos por um serviço personalizado ao máximo. Antes do jantar, por exemplo, o cliente pode escolher o vinho e adaptamos o prato às características da bebida", conta Martins. São donos ainda do Rosmarino, em Visconde de Mauá. "Posso dizer, sem modéstia, que 90% dos chefs da cidade gostariam de trabalhar em nossa cozinha."
Feito: ter representado o Brasil no concurso francês Bocuse D'Or, em 1997.
Receita de sucesso: "Sucesso não tem nada a ver com ser conhecido. Quem quer ser chef tem de ralar, estudar gastronomia profundamente, não apenas reproduzir lições ou receitas".


Gisele Nasser, 26 anos
Profissão: estilista.
Formação: moda na Faculdade Santa Marcelina.
Carreira: com delicadas e românticas roupas, Gisele Nasser arrebatou elogios em eventos como a Semana de Moda Casa de Criadores e o Amni Hot Spot, destinados a descobrir novos talentos. A consultora Costanza Pascolato e as jornalistas Jussara Romão (Elle) e Maria Prata (Capricho) são alguns dos nomes que acreditam no potencial da estilista. "As criações de Gisele têm um toque feminino muito bonito, mas ao mesmo tempo são supercontemporâneas", diz a jornalista Lilian Pacce, de O Estado de S. Paulo e do canal GNT. Neta de uma estilista de alta-costura do Paraná, com quem aprendeu a amar a profissão, ela já foi assistente de Icarius e cuidou sozinha, com apenas 22 anos, da linha de malharia da Ellus. Agora se dedica a sua própria grife, principalmente a confecção de vestidos de noiva e de festa. Nada é produzido em grande quantidade – algumas peças são numeradas e não passam de dez unidades. "Faço roupas para as pessoas usarem, não curto aquela moda que só fica bem na passarela", diz ela, que a partir de abril venderá com exclusividade para a sofisticada loja Clube Chocolate, nos Jardins.
Feito: o último desfile no Amni Hot Spot, no começo deste ano.
Receita de sucesso: "Seguir na carreira passo a passo. Primeiro construir sua imagem, solidificar o nome, para depois pensar em expansão".


Marcos Preto, 29 anos
Profissão: diretor comercial.
Formação: administração na Faap.
Carreira: ele é fera no assunto. Quando se trata de saber onde investir bem o dinheiro, Marcos Preto, do Banco Schahin, arrebenta. Mesmo num ano com economia complicada, conquistou o cobiçado título de melhor gestor de renda fixa do Guia Exame – Os Melhores Fundos de Investimento de 2003. É um feito e tanto para quem começou a vida ajudando o pai numa padaria do Alto da Lapa. "Foi ali que peguei gosto pelas contas e negociações", relembra. Com pouco mais de 20 anos, já conhecia de cor a mesa de operações da bolsa e, meteórico, passou pelo Banco Marka até ser "roubado" pelos donos do Schahin, que logo perceberam o potencial do garoto. Um diretor de um banco desse porte costuma ganhar, em média, uns 15000 reais. Mas seus bônus anuais podem chegar a 100000 reais, dependendo da área de atuação. "Meu lema é ter cautela sempre", diz ele, sobre as artimanhas do mundo dos investimentos. "Não se brinca com a grana dos outros. Acho que isso me diferencia dos demais."
Feito: ser convidado a dirigir a equipe comercial do Banco Schahin com apenas 24 anos.
Receita de sucesso: "O segredo para conseguir qualquer coisa é esforço e paciência. Hoje ninguém mais tem paciência para trabalhar nem quer se esforçar para ser bem-sucedido. Dinheiro e sucesso só vêm com o tempo, não tem jeito".


Santiago Nazarian, 26 anos
Profissão: escritor.
Formação: publicidade na Faap.
Carreira: em um meio onde o reconhecimento costuma chegar bem depois dos 30 anos de idade, Santiago Nazarian é exceção à regra. Às vésperas de lançar o terceiro livro, o autor tem feito barulho com seus textos perturbadores repletos de narrativas pop e surreais. A estréia aconteceu no ano passado com Olívio, vencedor do I Prêmio Fundação Conrado Wessel de Literatura, que trazia no júri, entre outros, o escritor Carlos Heitor Cony e o crítico Daniel Piza. Havia mais de 100 inscritos, porém a saga do personagem-título por um universo underground chamou a atenção de todos. Depois disso, ele participou da bem-sucedida coletânea Parati para Mim, ao lado de outros dois jovens colegas. "Agradam-me em sua prosa o realismo esquizofrênico, o clima seco de baile de máscaras, a rotina ácida das identidades trocadas...", avalia o escritor e descobridor de talentos Nelson de Oliveira, autor de Geração 90: Manuscritos de Computador. Em março, Santiago lança A Morte sem Nome, no qual uma mulher comete suicídio de diferentes maneiras em cada capítulo. "Escrevo porque assim posso criar outros universos, ter outras vidas", afirma esse ex-barman, ex-professor de inglês e ex-artista de rua.
Feito: vencer o Prêmio Conrado Wessel diante de um júri renomado.
Receita de sucesso: "Escrever quanto puder e não ter pressa de publicar textos. Ler muito, mas não em excesso, para não correr o risco de virar um crítico literário de sua própria obra".


Lia Chaia, 25 anos
Profissão: artista plástica.
Formação: artes plásticas na Faap.
Carreira: por trás do jeitão tímido e reservado de Lia Chaia, esconde-se uma artista plástica cuja força das obras tem deixado curadores e críticos de arte embasbacados. "Ela tem uma impressionante capacidade de trabalhar com desenhos, fotografias, performances e vídeos. Transita muito bem por todos esses meios", diz o crítico Tadeu Chiarelli. Filha do colecionador Miguel Chaia, ela ganhou no ano passado um prêmio da Faap e passou seis meses estudando na Cité des Arts, em Paris. Mesmo com pouca idade, já expôs no Instituto Tomie Ohtake, na Galeria Vermelho e numa coletiva na cidade do Porto, em Portugal. E coleciona fãs que vão dos críticos e jornalistas Fabio Cypriano (Folha de S.Paulo), Maria Hirszman (Estadão) e Celso Fioravante a Daniela Bousso, diretora do Paço das Artes. "Crio para poder entender o mundo", diz Lia, que vende suas obras por cerca de 2 500 reais. "Não faço arte pensando em ganhar elogios ou dinheiro, mas porque preciso mostrar o que se passa na minha cabeça."
Feito: passar seis meses na Cité des Arts, em Paris.
Receita de sucesso: "Trabalhar muito e não pensar logo de cara que dá para se sustentar com a arte. Acreditar na sua criação, mas jamais se levar muito a sério. Deixe isso para os críticos".


Daniela Ribeiro, 29 anos
Profissão: publicitária.
Formação: publicidade na PUC de Belo Horizonte.
Carreira: na área de publicidade, dá para contar nos dedos o número de mulheres nos departamentos de criação. Como se desbravar um universo basicamente masculino fosse pouco, a publicitária Daniela Ribeiro vem se destacando como uma das profissionais mais talentosas do meio na cidade. Nascida em Belo Horizonte, mudou-se há quatro anos para São Paulo e já passou por agências como a Propaganda Registrada e a TBWA/Cápsula. Em pouco tempo, conquistou com seus trabalhos um Leão de Bronze em Cannes e um prêmio no Festival da Associação Brasileira de Propaganda, além de ter peças mencionadas na revista alemã Archive e campanhas citadas no Anuário do Clube de Criação de São Paulo. Redatora da Fischer América, uma das maiores agências do país, ela atualmente participa da equipe que elabora a tão falada campanha daquela marca de cerveja do "Experimenta, experimenta"... "Sempre quis estar ao lado dos grandes nomes da publicidade", diz ela. "Fui atrás dos meus objetivos e, aos poucos, estou conseguindo alcançá-los."
Feito: um Leão de Bronze em Cannes, em 2002.
Receita de sucesso: "Não ter medo de largar tudo, mesmo que seja um emprego sólido, em busca dos seus sonhos. Dá para ser 100% feliz num trabalho, é só ir atrás".


Felipe Berringer,
27 anos
Profissão: promoter.
Formação: administração de empresas na Universidade Paulista (Unip).
Carreira: ele sempre foi um boêmio convicto. Até que um dia decidiu ganhar dinheiro com isso. Com apenas 17 anos, Berringer chamou a atenção dos donos do então badaladíssimo Cabral por sua notória capacidade de fazer amigos e reunir a galera. Em pouco tempo, foi contratado para organizar as noites da casa, um dos points mais concorridos da cidade no início dos anos 90. De lá, passou a promoter do Sirena, em Maresias, a meca dos mauricinhos paulistanos. Todos os fins de semana e feriados pode ser encontrado na danceteria cercado de pessoas implorando convites – entre elas, diga-se, mulheres estonteantes. "Ajudo a pensar em festas temáticas, a escolher os DJs, a elaborar a lista de vips... Meu trabalho é fazer com que a casa esteja sempre em alta", diz. Esperto, decidiu há alguns anos abrir uma empresa de eventos. Em 2003, promoveu uma megafesta no Hotel Unique que ganhou o prêmio Noite Ilustrada, da jornalista Erika Palomino. "Não posso reclamar: faço o que gosto, faturo uma grana legal e ainda freqüento altas baladas."
Feito: ter sido contratado tão novo como promoter do Cabral.
Receita de sucesso: "Ser extrovertido, ter idéias novas sempre e, principalmente, manter bons contatos".


Henrique Alves Pinto, 29 anos
Profissão: empresário.
Formação: engenharia civil na Fumec de Belo Horizonte.
Carreira: desde os 22 anos, Henrique Alves Pinto preside uma das maiores construtoras do país. Quando herdou a empresa do pai, o faturamento anual era de 20 milhões de reais e restringia-se a Minas Gerais. Atualmente esse número saltou para 200 milhões de reais e a Tenda expandiu suas obras para São Paulo e outros Estados. Empreendedor, Alves Pinto abriu há alguns anos uma empresa de bebidas energéticas e uma produtora de granito que exporta para os Estados Unidos. "Não existe outro empresário de minha idade tão bem-sucedido", diz, com sua modéstia peculiar. "Daqui a dez, vinte anos, quero ser um dos grandes nomes do ramo no mundo." Para gerir tantas empresas, possui dez escritórios pelo Brasil e Estados Unidos. Solteiro, o bom partido vive na capital, mas semanalmente viaja pelo menos três vezes para vários destinos. O ótimo tino comercial já lhe permitiu comprar uma ilha em Angra, uma lancha e um helicóptero Esquilo. "Muito cedo consegui tudo o que quis na vida", conta. "Por isso hoje trabalho porque gosto, porque sinto prazer. Para mim, é uma grande diversão."
Feito: ter expandido a construtora Tenda para muito além de Minas Gerais, colocando-a na nona posição entre as maiores de São Paulo.
Receita de sucesso: "Não importa em qual mercado investir, mas sim as pessoas que trabalharão a seu lado. Uma boa equipe é tudo no mundo dos negócios".


Paulo Fernando Silva, 27 anos
Profissão: bombeiro.
Formação: Academia de Polícia Militar do Barro Branco.
Carreira: no próximo mês, a concorrida Academia de Polícia Militar do Barro Branco ganha seu mais novo professor: o tenente Paulo Fernando. Aos 27 anos, ele é um bombeiro exemplar, daquele tipo que sonhava em salvar vidas e apagar incêndios desde criancinha. Exímio na língua inglesa, integra o pelotão de intérpretes que fazem traduções para delegações estrangeiras em eventos como a Fórmula 1. Além disso, quando não está de plantão no Posto Casa Verde, na Zona Norte, comanda com competência o Posto Almanara, na Vila Brasilândia. Já participou de operações cinematográficas, entre elas o incêndio que destruiu boa parte da favela da Avenida Zaki Narchi, em 2002. "Tem casos, como o de uma garotinha morta num acidente de carro, que me abalam profundamente", diz, emocionado, ao lembrar de quando tentou em vão resgatar a filha de um policial prensada entre as ferragens do veículo na Rodovia Anhangüera. "Mas por nada deste mundo escolheria outra profissão. Amo o que faço acima de tudo."
Feito: há uns dois anos, num acidente de carro na Anhangüera, tirou das ferragens uma mãe ferida com seu filho pequeno.
Receita de sucesso: "Ter um objetivo e nunca desistir dele. Sempre soube que ser bombeiro não seria fácil, só que nunca deixei de acreditar nisso".


Daniela Della Volpe,
26 anos

Profissão: arquiteta.
Formação: Faculdade de Belas Artes de São Paulo.
Carreira: ela é assistente e pupila de um dos mais importantes arquitetos brasileiros. Há dois anos, Daniela Della Volpe trabalha no escritório de Ruy Ohtake, onde a fila de espera por um estágio pode durar anos, com candidatos de todo o país e de várias partes do mundo. "Fui apresentada ao Ruy por um amigo durante um evento de arquitetura", diz. "Perguntei brincando se ele precisava de alguém no escritório e, por sorte, havia uma vaga", conta ela, a caçula de um grupo de catorze profissionais que dão expediente no escritório. Entre as obras das quais já participou, está o imponente Hotel Unique, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Além dos projetos, Daniela organiza e acompanha pessoalmente as palestras que o arquiteto dá no Brasil e no exterior. Cuida ainda do acervo de desenhos, textos e fotos de Ohtake, consultado por estudantes e professores da área. "Daniela tem rápida percepção e é movida por uma boa dose de iniciativa própria", elogia Ohtake. "Representa bem a nova safra de arquitetos e a nova geração brasileira."
Feito: ter participado do projeto do Hotel Unique.
Receita de sucesso: "A boa formação de um arquiteto é fundamental. Saber sobre história, arte e técnica a fundo são requisitos básicos para quem quer se dar bem nessa carreira".

         
     
 
 
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