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TRÂNSITO
Primeiro
alívio
Trecho
do Rodoanel que liga cinco
rodovias entra
em operação para
desafogar as marginais
Erika
Sallum
Mario Rodrigues
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| Da
Bandeirantes ŕ Régis Bittencourt: sem pedágio nem postos de
gasolina |
Em
uma cidade onde 3,5 milhões de veículos saem às
ruas todos os dias, provocando congestionamentos que volta e meia
ultrapassam os 100 quilômetros de extensão, o Rodoanel
sempre foi apontado como uma das soluções mais eficazes
para ajudar a diminuir o problema do trânsito em São
Paulo. A conclusão da rodovia, que terá 170 quilômetros
em torno da região metropolitana e vai unir dez estradas
que desembocam na capital (veja
quadro), está prevista para 2008 e exigirá
um investimento total de 6,7 bilhões de reais. Mas, como
ela foi dividida em quatro etapas, os motoristas podem utilizar
o primeiro segmento desde o dia 11.
O
trecho oeste do Rodoanel Mário Covas, como foi batizado,
interliga as rodovias Régis Bittencourt, Raposo Tavares,
Castelo Branco, Anhangüera e Bandeirantes. Tem 32 quilômetros
de extensão, com quatro faixas em cada pista. Deve tirar
das já saturadas marginais boa parte dos caminhões
e carros que estão apenas de passagem por aqui. Embora o
combate ao inferno dos congestionamentos dependa também da
melhoria do transporte público, com a extensão da
malha do metrô e a construção de novos corredores
de ônibus, o Rodoanel representa um passo importante nessa
direção. "É um projeto imprescindível",
diz o consultor Adriano Murgel Branco, ex-secretário estadual
dos Transportes. "Todas as principais metrópoles do mundo,
como Paris e Londres, contam com um sistema viário parecido,
desviando para longe quem não precisa circular pelas regiões
centrais."
Desde
a inauguração, essa parte do Rodoanel está
sendo utilizada diariamente por cerca de 90.000
veículos. A estimativa é que o número suba
para 150.000 até o fim do ano.
Em 2010, o Rodoanel todo deve ser usado por 618 000. Veja São
Paulo percorreu, na manhã da última quarta-feira,
os dois caminhos possíveis para quem chega a São Paulo
pela Bandeirantes em direção à Régis
Bittencourt. Pegando a Marginal Pinheiros, rodam-se 37 quilômetros
e, sem congestionamentos, o tempo gasto é de 45 minutos.
Pelo trecho concluído do Rodoanel, o percurso cai para 28
quilômetros e é coberto em dezenove minutos. "A partir
de agora, é tchau, tchau, marginal", brinca o caminhoneiro
Luiz Carlos Ramos, que quase todas as manhãs sai de Jundiaí
e vai até Taboão da Serra fazer entregas. Antes, ele
passava, em média, uma hora e vinte minutos no trânsito.
Na terça-feira, Ramos usou o Rodoanel pela primeira vez.
Resultado: chegou em Taboão da Serra na metade do tempo.
No
Rodoanel, ao contrário do que acontece em qualquer estrada,
não serão instalados postos de gasolina, oficinas
mecânicas nem restaurantes. Ele terá somente postos
de auxílio aos motoristas. As únicas saídas
possíveis serão os acessos às rodovias. "É
uma estrada exclusivamente de passagem", explica o secretário
estadual dos Transportes, Luiz Carlos David. "Vamos evitar qualquer
tipo de aglomeração, para que ela esteja sempre livre."
Segundo ele, também não serão instalados pedágios.
"Assim, ninguém tem desculpa para não usar." Nos 32
quilômetros, há sessenta viadutos, seis pontes e três
túneis (um deles com 1.713 metros).
Faltam, no entanto, passarelas suficientes para os moradores das
vizinhanças. Com risco de serem atropelados, eles atravessam
as pistas correndo. Até agora, o empreendimento custou 1,2
bilhão de reais. O Estado financiou 70% e o governo federal,
30%. A próxima etapa do Rodoanel, planejada para começar
em 2003, é o trecho sul, com 54 quilômetros. Quando
estiver pronta, será mais um alívio. Nesse caso, para
quem chega a São Paulo com destino ao sistema AnchietaImigrantes.
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