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23 de outubro de 2002
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TRÂNSITO

Primeiro alívio

Trecho do Rodoanel que liga cinco
rodovias
entra em operação para
desafogar as marginais

Erika Sallum


Mario Rodrigues
Da Bandeirantes ŕ Régis Bittencourt: sem pedágio nem postos de gasolina

Em uma cidade onde 3,5 milhões de veículos saem às ruas todos os dias, provocando congestionamentos que volta e meia ultrapassam os 100 quilômetros de extensão, o Rodoanel sempre foi apontado como uma das soluções mais eficazes para ajudar a diminuir o problema do trânsito em São Paulo. A conclusão da rodovia, que terá 170 quilômetros em torno da região metropolitana e vai unir dez estradas que desembocam na capital (veja quadro), está prevista para 2008 e exigirá um investimento total de 6,7 bilhões de reais. Mas, como ela foi dividida em quatro etapas, os motoristas podem utilizar o primeiro segmento desde o dia 11.

O trecho oeste do Rodoanel Mário Covas, como foi batizado, interliga as rodovias Régis Bittencourt, Raposo Tavares, Castelo Branco, Anhangüera e Bandeirantes. Tem 32 quilômetros de extensão, com quatro faixas em cada pista. Deve tirar das já saturadas marginais boa parte dos caminhões e carros que estão apenas de passagem por aqui. Embora o combate ao inferno dos congestionamentos dependa também da melhoria do transporte público, com a extensão da malha do metrô e a construção de novos corredores de ônibus, o Rodoanel representa um passo importante nessa direção. "É um projeto imprescindível", diz o consultor Adriano Murgel Branco, ex-secretário estadual dos Transportes. "Todas as principais metrópoles do mundo, como Paris e Londres, contam com um sistema viário parecido, desviando para longe quem não precisa circular pelas regiões centrais."

Desde a inauguração, essa parte do Rodoanel está sendo utilizada diariamente por cerca de 90.000 veículos. A estimativa é que o número suba para 150.000 até o fim do ano. Em 2010, o Rodoanel todo deve ser usado por 618 000. Veja São Paulo percorreu, na manhã da última quarta-feira, os dois caminhos possíveis para quem chega a São Paulo pela Bandeirantes em direção à Régis Bittencourt. Pegando a Marginal Pinheiros, rodam-se 37 quilômetros e, sem congestionamentos, o tempo gasto é de 45 minutos. Pelo trecho concluído do Rodoanel, o percurso cai para 28 quilômetros e é coberto em dezenove minutos. "A partir de agora, é tchau, tchau, marginal", brinca o caminhoneiro Luiz Carlos Ramos, que quase todas as manhãs sai de Jundiaí e vai até Taboão da Serra fazer entregas. Antes, ele passava, em média, uma hora e vinte minutos no trânsito. Na terça-feira, Ramos usou o Rodoanel pela primeira vez. Resultado: chegou em Taboão da Serra na metade do tempo.

No Rodoanel, ao contrário do que acontece em qualquer estrada, não serão instalados postos de gasolina, oficinas mecânicas nem restaurantes. Ele terá somente postos de auxílio aos motoristas. As únicas saídas possíveis serão os acessos às rodovias. "É uma estrada exclusivamente de passagem", explica o secretário estadual dos Transportes, Luiz Carlos David. "Vamos evitar qualquer tipo de aglomeração, para que ela esteja sempre livre." Segundo ele, também não serão instalados pedágios. "Assim, ninguém tem desculpa para não usar." Nos 32 quilômetros, há sessenta viadutos, seis pontes e três túneis (um deles com 1.713 metros). Faltam, no entanto, passarelas suficientes para os moradores das vizinhanças. Com risco de serem atropelados, eles atravessam as pistas correndo. Até agora, o empreendimento custou 1,2 bilhão de reais. O Estado financiou 70% e o governo federal, 30%. A próxima etapa do Rodoanel, planejada para começar em 2003, é o trecho sul, com 54 quilômetros. Quando estiver pronta, será mais um alívio. Nesse caso, para quem chega a São Paulo com destino ao sistema Anchieta–Imigrantes.

         
   
     
 
 
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