| |
|
|
 |
|
CIDADE
Chinês
de rua
Yakisoba
feito ao ar livre
concorre com cachorro-quente
na Avenida Paulista
Mônica
Santos
Heudes Regis
 |
| O
chef Erick Jacquin: "A massa está no ponto e o sabor é bom,
mas a falta de higiene preocupa" |
Os
carrinhos são semelhantes aos de cachorro-quente. Na parte
de cima, carregam um fogareiro e uma wok, a tradicional panela
chinesa. Embaixo, soba (macarrão chinês cozido no vapor),
shoyu, óleo de soja, muita cebola e uma variedade de hortaliças
picadas, como acelga, repolho e pimentão. Em outras palavras,
o kit básico para preparar um yakisoba no meio da rua. Ultimamente,
quem anda pelas calçadas da Avenida Paulista vem deparando
com essa novidade. Em torno dos carrinhos, dezenas de clientes comem
em pé com hashi ou garfo de plástico
as porções servidas em caixinhas de isopor. A porção
individual custa 2 reais. Para duas pessoas, 3 reais.
Os
cozinheiros são chineses e não trocam uma palavra
em português com os fregueses. Limitam-se a repetir o preço
do prato e a dar risadinhas. Chegam à Paulista por volta
das 18 horas, no meio do corre-corre do fim de expediente, e ocupam
pontos estratégicos. Um dos carrinhos estaciona diante do
prédio da Gazeta. Outro vai para a esquina com a Avenida
Brigadeiro Luís Antônio. Mais dois ocupam a calçada
entre as ruas Augusta e Frei Caneca. Nos fins de semana, eles reaparecem
durante o dia, nas imediações do Itaú Cultural,
do Masp e do Conjunto Nacional. Trabalham sem parar. Em quinze minutos,
são capazes de preparar três panelas, cada uma com
cinco porções individuais. Como a Vigilância
Sanitária passa longe, os únicos a se queixar são
os vendedores de hot-dog. "Eles são sujos e fazem uma fumaça
danada", diz um dogueiro que não quis identificar-se.
Heudes Regis
 |
| Refeição
rápida: em poucos minutos ficam prontas cinco porções |
O chef
Erick Jacquin, do restaurante francês Café Antiqüe,
experimentou o yakisoba da Paulista a convite de Veja São
Paulo. Gostou, mas fez uma ressalva. "A massa está no
ponto e o sabor é bom", afirma. "Só que a falta de
higiene preocupa." Para a nutricionista Evie Mandelbaum Garcia,
entre um yakisoba e um cachorro-quente, a primeira opção
é melhor. Tem menos calorias são 400, contra
850 do sanduíche e mais fibras, vitaminas e minerais.
Além disso, não tem gordura saturada e colesterol,
encontrados com fartura no hot-dog. "Mas é claro que o ideal
é não comer nenhum dos dois", alerta Evie. "Qualquer
refeição preparada na rua expõe o consumidor
ao risco de infecções."
|