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23 de outubro de 2002
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Chinês de rua

Yakisoba feito ao ar livre
concorre com
cachorro-quente
na Avenida Paulista

Mônica Santos


Heudes Regis
O chef Erick Jacquin: "A massa está no ponto e o sabor é bom, mas a falta de higiene preocupa"

Os carrinhos são semelhantes aos de cachorro-quente. Na parte de cima, carregam um fogareiro e uma wok, a tradicional panela chinesa. Embaixo, soba (macarrão chinês cozido no vapor), shoyu, óleo de soja, muita cebola e uma variedade de hortaliças picadas, como acelga, repolho e pimentão. Em outras palavras, o kit básico para preparar um yakisoba no meio da rua. Ultimamente, quem anda pelas calçadas da Avenida Paulista vem deparando com essa novidade. Em torno dos carrinhos, dezenas de clientes comem em pé – com hashi ou garfo de plástico – as porções servidas em caixinhas de isopor. A porção individual custa 2 reais. Para duas pessoas, 3 reais.

Os cozinheiros são chineses e não trocam uma palavra em português com os fregueses. Limitam-se a repetir o preço do prato e a dar risadinhas. Chegam à Paulista por volta das 18 horas, no meio do corre-corre do fim de expediente, e ocupam pontos estratégicos. Um dos carrinhos estaciona diante do prédio da Gazeta. Outro vai para a esquina com a Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Mais dois ocupam a calçada entre as ruas Augusta e Frei Caneca. Nos fins de semana, eles reaparecem durante o dia, nas imediações do Itaú Cultural, do Masp e do Conjunto Nacional. Trabalham sem parar. Em quinze minutos, são capazes de preparar três panelas, cada uma com cinco porções individuais. Como a Vigilância Sanitária passa longe, os únicos a se queixar são os vendedores de hot-dog. "Eles são sujos e fazem uma fumaça danada", diz um dogueiro que não quis identificar-se.


Heudes Regis
Refeição rápida: em poucos minutos ficam prontas cinco porções

O chef Erick Jacquin, do restaurante francês Café Antiqüe, experimentou o yakisoba da Paulista a convite de Veja São Paulo. Gostou, mas fez uma ressalva. "A massa está no ponto e o sabor é bom", afirma. "Só que a falta de higiene preocupa." Para a nutricionista Evie Mandelbaum Garcia, entre um yakisoba e um cachorro-quente, a primeira opção é melhor. Tem menos calorias – são 400, contra 850 do sanduíche – e mais fibras, vitaminas e minerais. Além disso, não tem gordura saturada e colesterol, encontrados com fartura no hot-dog. "Mas é claro que o ideal é não comer nenhum dos dois", alerta Evie. "Qualquer refeição preparada na rua expõe o consumidor ao risco de infecções."

         
     
 
 
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