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SHOPPINGS Tudo
por um consumidor Dez dos principais shoppings da cidade
investem em ampliação, reformas e lojas exclusivas para enfrentar
a concorrência, que já é grande e deve aumentar. Pelo
menos três novos empreendimentos estão em construção
na capital Sandra Soares  | | Como
mostra a fotomontagem, o Shopping Ibirapuera terá uma nova ala com 47 000
metros quadrados. O espaço abrigará cinqüenta lojas, dez salas
de cinema, um teatro com 1 400 lugares e estacionamento com 680 vagas. Cerca de
70 milhões de reais serão investidos na obra, que deve começar
no fim do mês e durar dois anos |
Quando o primeiro shopping center
foi inaugurado na cidade, em 1966, o comércio chique de São Paulo
se concentrava na Rua Augusta. Como o conceito de centro de compras nem sequer
existia por aqui, os lojistas instalados nos Jardins ficaram receosos em abrir
filiais no novíssimo Iguatemi, construído na área de uma
antiga chácara da família Matarazzo. Os que resolveram ir para lá
duvidavam que os consumidores visitariam as lojas localizadas no fundo do empreendimento
e entraram numa disputa pelas que ficavam próximas da entrada. Mal sabiam
que, passados quarenta anos, o prédio da então Rua Iguatemi, hoje
Avenida Brigadeiro Faria Lima, prefeito paulistano na época, seria um dos
pontos comerciais mais valorizados do Brasil. Em média, o aluguel de seu
metro quadrado custa hoje 350 reais por mês. Mais tarde, sobretudo a partir
da década de 80, dezenas de shoppings semelhantes pipocariam com sucesso
por aqui. Fernando
Moraes
 | Os
vidros que cobrem o Eldorado estão sendo substituídos por modelos 40% mais claros.
Seus cinemas, fechados desde o fim do ano passado, vão reabrir em novembro, com
nove salas. Um prédio de escritórios a ser inaugurado no segundo semestre de 2007
vai oferecer 1 815 vagas para carros, que nos fins de semana ficarão à disposição
dos consumidores |
De acordo com a Associação
Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), existem atualmente 41 desses estabelecimentos
na capital. O número sobe para 66 pelos critérios da Associação
Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), que inclui em seu levantamento espaços
menores, como promocenters e outlets. Se são divergentes na contagem, as
duas associações concordam em um ponto: há tantos shoppings
em São Paulo, e eles são tão perto um do outro, que suas
áreas de influência acabam se sobrepondo. A disputa pela clientela,
que já é grande, deve aumentar com a chegada de pelo menos três
novos concorrentes: o Cidade Jardim, no Morumbi, o Bourbon Pompéia, ao
lado do Parque Antarctica, e o Metrô Itaquera, todos em obras. Leo
Feltran
 | Comprado
pelo grupo Victor Malzoni, dono do Pátio Higienópolis, o histórico casarão da
Secretaria de Segurança Pública se transformará em um centro cultural. Outros
oito imóveis vizinhos adquiridos pelo shopping serão derrubados para dar lugar
a estruturas mais modernas, ligadas entre si por jardins. O projeto depende de
aprovação da prefeitura |
Para manterem
os corredores dos shoppings fervilhando, os empresários do setor resolveram
investir pesado em ampliações e reformas. "Cerca de um terço
de nossos associados passa ou está prestes a passar por algum processo
de revitalização", diz Nabil Sahyoun, presidente da Alshop. Há
mesmo novidades por todo lado. Anália Franco, Eldorado, Frei Caneca, Ibirapuera,
Iguatemi, Market Place, Morumbi, Paulista, Pátio Higienópolis e
Villa-Lobos são alguns dos grandes shoppings que apostam em mudanças
para conquistar mais e mais freqüentadores. É um mar de gente. Juntos,
os 41 shoppings paulistanos atraem para suas praias 40 milhões de consumidores
por mês (os freqüentadores habituais de cada endereço, evidentemente,
entram diversas vezes nessa conta). São 9 500 lojas, 205 salas de cinema
e 95 000 vagas (sempre lotadas!) de estacionamento. Nesses locais, é possível,
além de compras, claro, fazer quase tudo exames laboratoriais, aulas
de teatro, serviços bancários, tirar passaporte, cortar o cabelo...
Fotos
Fernando Moraes
 | O
Shopping Paulista ganhará um andar a mais. Ali serão construídas 62 lojas, um
teatro e onze salas de cinema – três delas com serviço de garçom. Quando a reforma
acabar, provavelmente em dois anos, o shopping terá uma fachada mais moderna e
um novo nome: Pátio Paulista |
Treze dos
shoppings são dos anos 90. A maioria tem mais ou menos o mesmo formato:
parecem grandes caixotes, com corredores estreitos e iluminados de maneira artificial.
Os projetistas queriam que os consumidores, uma vez lá dentro, perdessem
a noção da hora. Ao abrir as portas em 1999, o Pátio Higienópolis
lançou um modelo mais moderno, muito em voga nos Estados Unidos, que privilegia
a amplitude e a iluminação natural. "A tendência agora é
tentar reproduzir dentro do shopping a sensação de liberdade e espaço
que o consumidor experimenta na rua", afirma o gerente de análise do instituto
de pesquisa Toledo & Associados, Luis Rodrigues. "Com a vantagem da segurança
e do ar-condicionado."  | | "Nossa
principal preocupação não é crescer, e sim qualificar nossos serviços", diz Carlos
Jereissati Filho, diretor superintendente do Iguatemi. Para isso, o shopping erguerá
um prédio de onze andares onde fica hoje seu estacionamento a céu aberto. Haverá
650 novas vagas com serviço de manobrista, quatro pavimentos de escritórios de
alto padrão e dois restaurantes, provavelmente filiais do Carlota e do Spot |
Sempre
que surge uma novidade nesse mercado, ela é logo copiada. A moda da vez,
depois da troca dos antigos cinemas pelas opções multiplex, são
os teatros. Eldorado, Pátio Higienópolis e Frei Caneca já
têm; Ibirapuera e Paulista anunciaram que vão construir os seus.
Erguer prédios residenciais e comerciais ao lado dos empreendimentos também
virou febre. Previsto para entrar em funcionamento em dezembro do ano que vem,
o sofisticado Cidade Jardim terá lojas a céu aberto e integrará
um luxuoso complexo com nove edifícios residenciais e quatro comerciais.
Enquanto a construção do shopping está acelerada na Marginal
Pinheiros (na altura da Ponte Engenheiro Ari Torres), MorumbiShopping e Eldorado,
localizados na mesma região, respiram fundo, trocam o mobiliário
e passam por uma reforma. Ambos também estão erguendo prédios
de escritórios em seus terrenos, com, respectivamente, onze e 32 pavimentos.
 | | Inaugurado
em 1995, o Market Place abriga hoje 167 restaurantes e lojas, entre elas uma recém-inaugurada
unidade da Livraria Cultura, com 2 000 metros quadrados. Essa é uma das três marcas
que chegaram ao shopping em junho. Até outubro do ano que vem, outras 53 serão
apresentadas aos clientes |
Oferecer marcas
exclusivas, entretanto, ainda é o melhor caminho para se diferenciar. Não
basta montar um cardápio de lojas atraente e coerente com o perfil de cada
público. É fundamental garantir que as melhores fiquem longe dos
vizinhos. Daí surgiu a chamada cláusula de raio, que determina em
contrato a distância mínima para que a mesma grife se instale em
outro lugar. O Iguatemi é um exemplo. Entre suas 330 lojas figuram marcas
internacionais que, sozinhas, já lhe dão prestígio. É
o caso da Louis Vuitton e da Tiffany & Co. A cláusula de raio do Iguatemi
é de 2,5 quilômetros. Com 100 lojistas que considera estratégicos,
a administração do shopping mantém ainda uma cláusula
de exclusividade total (independentemente da distância) no documento de
locação.  | | A
partir de outubro os freqüentadores do MorumbiShopping terão à
disposição 83 novas lojas e 600 vagas de estacionamento, distribuídas
em um edifício de 29 000 metros quadrados que está sendo construído
(na linha pontilhada) ao lado do prédio atual. |
Essa disputa vai se acirrar. Carlos Jereissati Filho, diretor superintendente
do Iguatemi, garante não temer a concorrência com o Cidade Jardim,
que está sendo construído a 2,6 quilômetros dali e é
também voltado ao público AAA. "Nossa localização,
no chamado quadrilátero de luxo da cidade, perto dos Jardins, nos deixa
numa condição ímpar", afirma. Já o presidente da JHSF,
incorporadora responsável pelo novo empreendimento, está certo de
que ele será um sucesso. "Existe ainda um mercado que não foi atendido",
diz José Auriemo Neto. É por isso que os shoppings estão
brigando brigando, bem entendido, pelo consumidor paulistano, que no fim
de tudo ganhará novos ou renovados lugares para passear, comer, divertir-se
e, claro, comprar.  | | Quando
foi inaugurado, em 1999, o Anália Franco já tinha planos de crescer. Seu projeto
arquitetônico previa a transformação do 4º piso, um estacionamento de 12 000 metros
quadrados, em área de lojas. No início do ano que vem, setenta pontos-de-venda
serão construídos ali |
A
força dos templos de consumo paulistanos Número
de shoppings 41 Freqüentadores
(por mês) 40 milhões*
Lojas 9 500
Salas de cinema 205
Vagas para carros 95 000
O maior Centro Comercial Leste Aricanduva. Com 365 000
metros quadrados, engloba o Shopping Leste Aricanduva, o Interlar Aricanduva e
o Auto Shopping São Paulo O mais movimentado
O Centro Comercial Leste Aricanduva e o Shopping Center Norte empatam. Ambos recebem
mensalmente cerca de 4,5 milhões de pessoas*
O mais antigo Iguatemi, inaugurado em 28 de novembro de 1966
O mais valorizado Iguatemi. Alguns lojistas chegam a pagar aluguel de
350 reais por mês por metro quadrado Fonte:
Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce)
* Os freqüentadores habituais de cada endereço, evidentemente, entram
diversas vezes nessa conta |
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