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CIDADE
Qual relógio é verdadeiro? Fotos
Mario Rodrigues
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Só
o da foto abaixo. Os três acima são piratas. Há mais de
100 equipamentos irregulares, com espaço publicitário, instalados
em pontos nobres da capital Rodrigo Brancatelli
 | | Este,
sim, com haste de alumínio escovado, na Praça General Estilac Leal, no Jardim
Paulista, é oficial: um dos 340 aprovados pela prefeitura | |
Na esquina das avenidas Brasil
e Brigadeiro Luís Antônio, bem perto do Monumento às Bandeiras,
são 10h07 e a qualidade do ar é boa. Do outro lado da rua, a menos
de 15 metros de distância, outro relógio aponta 12 horas e qualidade
do ar "reular" deveria ser regular, mas está faltando uma letra
no mostrador. Na Avenida Paulista, os equipamentos que registram o horário
e a temperatura também não conseguem chegar a um acordo. Em um quarteirão,
faz 25 graus. No seguinte, 29. Afinal, em qual confiar? "São tantos equipamentos
espalhados pelas ruas que nem a prefeitura consegue saber qual está certo",
admite a arquiteta e urbanista Regina Monteiro, diretora da Empresa Municipal
de Urbanização (Emurb), órgão responsável por
autorizar e fiscalizar a instalação de qualquer tipo de estrutura
na área urbana. Estima-se que existam hoje
mais de 100 equipamentos irregulares em pontos nobres da cidade. Além de
poluírem a paisagem urbana, esses trambolhos clandestinos com quase 5 metros
de altura não trazem um tostão aos cofres públicos. Há
oito anos, a empresa Publicrono ganhou licitação para explorar a
publicidade nos relógios. Desde então, instalou 340 equipamentos.
Cada um lhe custa 495 mensais, pagos à prefeitura. Feitos de alumínio
escovado e equipados com um mini-GPS em seu interior para sincronizar o horário,
eles marcam a temperatura exata do local onde estão. Oito deles também
apontam a qualidade do ar, seguindo as medições da Cetesb. As informações
do letreiro são atualizadas a cada três segundos. O projeto dos relógios,
inspirado nos modelos existentes na Europa, é do arquiteto Carlos Bratke.
"Nosso trabalho é prejudicado por essas empresas ilegais", diz a engenheira
Ana Célia Rodriguez, diretora da Publicrono, que fatura 4 milhões
de reais por ano com a comercialização do espaço publicitário.
A prefeitura promete agora contra-atacar. "Vamos fazer um levantamento para notificar
todas as empresas irregulares", afirma Regina Monteiro. |