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23 de agosto de 2006
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CIDADE

Qual relógio é verdadeiro?

 
Fotos Mario Rodrigues

Só o da foto abaixo. Os três acima são
piratas. Há mais de 100 equipamentos
irregulares, com espaço publicitário,
instalados em pontos nobres da capital

Rodrigo Brancatelli

Este, sim, com haste de alumínio escovado, na Praça General Estilac Leal, no Jardim Paulista, é oficial: um dos 340 aprovados pela prefeitura
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Na esquina das avenidas Brasil e Brigadeiro Luís Antônio, bem perto do Monumento às Bandeiras, são 10h07 e a qualidade do ar é boa. Do outro lado da rua, a menos de 15 metros de distância, outro relógio aponta 12 horas e qualidade do ar "reular" – deveria ser regular, mas está faltando uma letra no mostrador. Na Avenida Paulista, os equipamentos que registram o horário e a temperatura também não conseguem chegar a um acordo. Em um quarteirão, faz 25 graus. No seguinte, 29. Afinal, em qual confiar? "São tantos equipamentos espalhados pelas ruas que nem a prefeitura consegue saber qual está certo", admite a arquiteta e urbanista Regina Monteiro, diretora da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), órgão responsável por autorizar e fiscalizar a instalação de qualquer tipo de estrutura na área urbana.

Estima-se que existam hoje mais de 100 equipamentos irregulares em pontos nobres da cidade. Além de poluírem a paisagem urbana, esses trambolhos clandestinos com quase 5 metros de altura não trazem um tostão aos cofres públicos. Há oito anos, a empresa Publicrono ganhou licitação para explorar a publicidade nos relógios. Desde então, instalou 340 equipamentos. Cada um lhe custa 495 mensais, pagos à prefeitura. Feitos de alumínio escovado e equipados com um mini-GPS em seu interior para sincronizar o horário, eles marcam a temperatura exata do local onde estão. Oito deles também apontam a qualidade do ar, seguindo as medições da Cetesb. As informações do letreiro são atualizadas a cada três segundos. O projeto dos relógios, inspirado nos modelos existentes na Europa, é do arquiteto Carlos Bratke. "Nosso trabalho é prejudicado por essas empresas ilegais", diz a engenheira Ana Célia Rodriguez, diretora da Publicrono, que fatura 4 milhões de reais por ano com a comercialização do espaço publicitário. A prefeitura promete agora contra-atacar. "Vamos fazer um levantamento para notificar todas as empresas irregulares", afirma Regina Monteiro.

     
   
 
 
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