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GASTRONOMIA
Chegamos
a 278 sushis
por minuto
Nos
600 restaurantes japoneses
da
cidade, são consumidos 12 milhões
de sushis por mês. É a São Paulo da
pizza se rendendo ao império do hashi
Otávio
Canecchio
Mario Rodrigues
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| O
badalado Kosushi, do Itaim Bibi: burburinho e receitas bem-feitas
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A cantora
Sandy gosta de jantar com os pais no badalado Kosushi, no Itaim
Bibi. A dasluzete Carolina Magalhães, neta de Antonio Carlos
Magalhães, não troca o sushi do Nagayama do Itaim
nem pela melhor moqueca baiana. Adepto da alimentação
saudável, o ator Rodrigo Faro conheceu e aprovou recentemente
o novo Yabany, na Vila Olímpia. Depois de fazer shows na
cidade, Ivete Sangalo costuma ir com seus músicos ao Nakombi
da Rua Pequetita. A capital nacional da pizza rende-se aos encantos
dos sushis, sashimis, tempuras, sukiyakis e outras especialidades
da milenar cozinha do Japão. O sucesso é comprovado
pelas estatísticas. Conforme levantamento do Sindicato de
Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, atualmente há
mais restaurantes japoneses na cidade do que churrascarias. Nos
últimos cinco anos, ocorreu uma explosão de sushis-bares
em São Paulo. Espalhados pelos mais variados bairros, contabilizam-se
cerca de 600 estabelecimentos que servem uma média de 12
milhões de sushis por mês (o que dá a incrível
marca de 278 por minuto).É uma cozinha que conquista cada
vez mais apreciadores por seu sabor, textura e visual harmonioso.
"Os pratos seduzem num simples olhar", define o crítico gastronômico
Arnaldo Lorençato.
Rogério Montenegro
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O
mais criativo
Sushi com foie gras combina? No By Adriano Kanashiro, do chef
Kanashiro, qualquer invenção esquisita tem resultado
soberbo |
A
comida japonesa tem cativado os paulistanos por vários motivos.
Ao deixarem o reduto da Liberdade, os restaurantes se modernizaram
e investiram em ambientes charmosos e elegantes. Antes familiar,
o serviço se profissionalizou e tornou-se bastante eficiente.
Nas praças de alimentação dos principais shopping
centers, há pelo menos uma franquia dedicada a esse tipo
de culinária, o que ajuda a popularização.
As prateleiras dos supermercados reservaram espaço para produtos
e temperos da Terra do Sol Nascente. Até alguns dos principais
rodízios de carne da cidade como Jardineira Grill
e Vento Haragano se curvaram ao império do hashi.
Sem preconceito, incluíram em seus bufês uma variedade
imensa de sushis e sashimis. "Eu conheço gente que janta
sushi todos os dias", diz o crítico Josimar Melo, da Folha
de S. Paulo. "Isso não acontece nem em Tóquio,
onde as pessoas comem no dia-a-dia pratos triviais como macarrão
e sopa."
Mario Rodrigues
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O
mais antigo
Inaugurado em 1966, o Hinodê, na Liberdade, conserva o
seu salão original, que foi feito por marceneiros que
vieram do Japão |
É
só circular por bairros como Jardins, Itaim Bibi e Vila Olímpia
para notar a febre nipônica. Na hora do almoço, muitas
casas funcionam em sistema de rodízio ou bufê para
atrair a clientela que trabalha nos escritórios da região.
Nesse horário, os preços variam de 15 a 30 reais por
pessoa. À noite, esses lugares se transformam em fervilhantes
pontos de badalação e recebem jovens bonitos e animados.
Endereços como Kosushi, Nakombi, Nagayama, Noyoi, Japengo,
Koi e Boo costumam soltar gente pelo ladrão. Mais do que
o burburinho, oferecem uma comida bem-feita. "A Liberdade já
não concentra os melhores japoneses da cidade", afirma o
editor de restaurantes do Guia Quatro Rodas, Ricardo Castanho.
"Nos últimos anos, as boas cozinhas instalaram-se em outros
bairros", afirma. A produtora de marketing Patricia Eckmann chega
a freqüentar o circuito de japoneses do Itaim pelo menos três
vezes por semana. "Prefiro os da nova geração, que
são mais modernos e agitados", diz.
Mario Rodrigues
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O
melhor sushi
Jun Sakamoto revolucionou a maneira de fazer sushi. Ingredientes
frescos, cortes precisos e muita inspiração explicam
o sucesso de crítica e público |
A proliferação dos restaurantes provocou certa banalização
dessa culinária. Atrás do sucesso rápido, muitas
casas recém-inauguradas não respeitam as tradições
e fazem as mais bizarras combinações de ingredientes
e temperos. "Tem gente colocando até Doritos no sushi", critica
Jun Sakamoto, um mestre no corte e no preparo de peixes. Seu pequeno
restaurante, em Pinheiros, foi eleito pelo júri de Veja
São Paulo, na edição O Melhor da Cidade,
como o melhor do gênero em 2001 e 2002. Sakamoto realiza uma
minuciosa pesquisa de produtos antes de elaborar qualquer receita
nova. "Vou atrás das raízes e das origens de cada
ingrediente", explica. Tamanho perfeccionismo e talento têm
seu preço. Um jantar preparado por ele não sai por
menos de 130 reais por pessoa. Mesmo assim, seu salão está
sempre lotado e recebe cerca de 1 300 clientes por mês. No
concorrido By Adriano Kanashiro, no Itaim Bibi, as misturas também
são feitas depois de muito estudo. O magnífico resultado
pode ser conferido em criações originais, algumas
sob influência da gastronomia francesa. Por insistência
do chef francês Erick Jacquin, por exemplo, Kanashiro inventou
um sushi feito de foie gras (fígado de ganso). "A receita
agradou tanto que é uma das poucas que eu não modifico",
diz o sushiman.
Mario Rodrigues
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O
melhor na cozinha quente
A grande surpresa no Kinoshita surge quando o chef Tysuyoshi
Murakami prepara um imperdível menu degustação
de pratos quentes |
Durante
a década de 80, a comida japonesa sofreu adaptações
ocidentais sobretudo nos restaurantes americanos. Em endereços
sofisticados de Nova York, os pratos orientais ganharam ingredientes
inusitados, como cream cheese, maionese e tabasco, para mascarar
o gosto forte dos peixes. A suavização tornou-os mais
digeríveis, porém, segundo os especialistas, menos
interessantes. "O grande drama do sushi paulistano foi ter aderido
sem restrições à influência americana",
critica Melo. Até o tradicional Koyama, na Bela Vista, viu-se
obrigado a preparar exóticas misturas para atender a clientela.
"Eu sou contra, mas o próprio freguês me pede para
colocar maionese. Vou fazer o quê?", indaga o proprietário
Shuji Koyama. Encravado na Liberdade, o restaurante Kinoshita, templo
do chef Tsuyoshi Murakami, é um exemplo bem-sucedido de como
se pode criar sem cometer sacrilégios. "Viajo e brinco muito
nas receitas, mas sempre respeitando o equilíbrio dos ingredientes",
diz. Nascido no Japão, com passagem por Nova York e Barcelona,
Murakami elabora na hora iguarias inovadoras que deixam seus clientes
extasiados. "As pessoas saem daqui emocionadas", garante.
Mario Rodrigues
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Bufê
eclético
Vários restaurantes investem no rodízio e sistema
de bufê. O Noyoi oferece uma generosa mesa durante o almoço
por 25 reais |
A
expansão do segmento causou também escassez de mão-de-obra
especializada. Faltam japoneses e descendentes para trabalhar atrás
dos balcões. Assim, muitos donos de estabelecimentos começaram
a treinar funcionários nordestinos no preparo dos pratos
típicos. Ser sushiman significa hoje ascensão financeira
na carreira. Para fatiar peixes-brancos, preparar combinados e fazer
os bolinhos de arroz com alga, um restaurante da moda paga salários
em torno de 4 000 reais mensais. Por isso, cursos para sushiman
pipocam pela cidade. "É necessário ter precisão
cirúrgica e muita delicadeza para cortar o peixe corretamente",
explica Ricardo Castilho, da revista Prazeres da Mesa. Um
desses mestres orientais, o sushiman Tanji, que por anos atuou na
Liberdade, promete retornar em agosto com a inauguração
de um novo restaurante na Vila Olímpia.
Mario Rodrigues
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Prateleira
oriental
De olho no crescimento da onda japonesa, a rede Pão de
Açúcar reserva espaços específicos
para produtos e temperos |
Outro fator que explica a popularização está
na crença de que se trata de uma culinária saudável.
O ator Rodrigo Faro tornou-se fã incondicional do sushi e
do sashimi por causa de seu caráter natural. "Acho tudo muito
levinho e não sinto o estômago pesar depois de comer",
explica o ator, que costuma freqüentar sushi-bares paulistanos
e cariocas. No entanto, a nutricionista Anita Sachs, da Universidade
Federal de São Paulo, faz um alerta para as pessoas que sofrem
de hipertensão e não dispensam um delivery japonês.
"É uma cozinha que utiliza muito shoyu, um molho de soja
que não é recomendado para quem tem problemas de pressão
alta", diz. Para os que pensam em perder uns quilinhos, aí
vai outro aviso. Apesar de bastante saudável, o salmão
peixe usado em muitos pratos japoneses é altamente
calórico: uma porção de 100 gramas de salmão
cru tem 211 calorias. "O melhor é pedir sushis de peixes
como robalo e atum", aconselha a nutricionista.
Rogério Montenegro
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Menu
infantil
O Kotobiya serve para a criançada um combinado que inclui
sushis, hambúrguer, batata frita e bolinhos de peixe.
O prato custa 13,80 reais |
De
olho no público mirim, alguns proprietários criaram
opções de menu infantil com uma série de "disfarces"
para atrair a criançada que só pede aos pais para
ir ao McDonald's. O chef Makoto Nishimura, do Kotobiya, em Moema,
incluiu no cardápio duas versões de combinados infantis.
Uma delas oferece hambúrguer, batata frita, croquetes de
peixe e sushis com a cara do Mickey por 13,80 reais. Por dia, costuma
preparar uma média de oito porções. Já
para os adultos que sentem arrepios só de ouvir falar de
peixe cru, a dica é experimentar outras receitas até
encontrar as que mais agradam. Muitos estabelecimentos servem o
omakase: uma espécie de banquete com diversos pratos que
geralmente inclui sopa, grelhados, cozidos e sobremesa. "A gastronomia
japonesa vai muito além do sushi e do sashimi", explica Castilho
(veja quadro abaixo). O menu degustação pode ser
a porta de entrada para muita gente se aventurar por essa cozinha
que faz história há milhares de anos.
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ALÉM
DO PEIXE CRU
Mario Rodrigues
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Uma
das receitas mais clássicas da cozinha japonesa,
o tempura consiste em legumes, peixes ou frutos do mar
recobertos com uma fina massa de farinha e ovos. Os pedaços
são fritos em alta temperatura. É possível
apreciá-lo em caldos quentes e com macarrão.
Serve-se também acompanhado de nabo ralado e conserva
de gengibre, além de molho picante feito com caldo
de peixe e molho de soja |
Mario Rodrigues
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O
teppaniyaki é mais uma receita da linha saudável
da culinária nipônica. É feito com
grelhados carne, peixe, frango ou frutos do mar
e acompanhado de legumes na manteiga. Porções
de arroz e missoshiro também costumam ser pedidas
junto com o prato |
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Tradicionalmente
preparado na própria mesa, o sukiyaki é
um cozido de carne e legumes em caldo de molho de soja
adocicado. É um dos pratos quentes mais populares
entre os orientais e uma boa sugestão para os
que não gostam dos combinados de sushi, sashimi
e temaki
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Arthur Cavalieri/Strana
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Uma
cozinha de nomes difíceis
Conheça o significado de termos
comuns nos cardápios japoneses
Bancha:
chá verde torrado
Guioza: pastel oriental tradicionalmente recheado
com carne de porco
Hashis: "pauzinhos" usados como talher
Missoshiro: sopa de peixe com pasta de soja
Robata: espetinho preparado na grelha
Saquê: bebida fermentada à base
de arroz
Sashimi: peixe cru em cortes especiais
Sukiyaki: cozido de carne e legumes em caldo
de shoyu adocicado
Sushi: peixe cru ou algas com arroz temperado
Temaki: cone de arroz temperado envolto em
folha crocante de alga
Tempura: pedaços de legumes e camarões
empanados e fritos
Teppaniyaki: grelhado de carne, peixe, frango
ou frutos do mar preparado na chapa e acompanhado de legumes
na manteiga
Uramaki: enrolado de arroz por fora com recheios
variados
Wasabi: pasta verde, feita de raiz-forte, usada
como tempero no sushi e sashimi
Yakimeshi: arroz temperado com ovos, presunto
e legumes picados
Yakisoba: macarrão frito, servido ao
molho de shoyu e legumes, que pode levar frutos do mar e carnes
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