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CIDADE
Boas-novas
no centro velho
Com
a inauguração de hotel,
universidade e academia,
a
região volta a atrair investidores
Alessandro
Duarte
Fotos Heudes Regis
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gis
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| O
pórtico na entrada do Mercure e o restaurante (foto
à dir.): decoração lembra a São
Paulo antiga |
Quem
anda diariamente pelo centro velho da cidade convive com muitos
dos problemas que há anos assolam os paulistanos. Camelôs
que tomam conta das calçadas, ruas esburacadas e uma poluição
visual vergonhosa. Graças a uma ocupação desordenada,
o que de dia é um formigueiro à noite vira um deserto.
Apesar de tantos obstáculos, a chegada de novos empreendimentos
mostra que a iniciativa privada está acreditando na tão
propalada "revitalização" da área. Na última
terça-feira, a região recebeu mais uma boa notícia.
A rede Accor inaugurou, em sistema de soft opening (abertura parcial),
o hotel Mercure São Paulo Downtown, na Rua Araújo,
próximo à Praça da República. O edifício
fica em um terreno onde funcionou, no início do século
passado, a primeira estação geradora de energia para
bondes da capital. No ano passado, a Universidade Anhembi Morumbi
e a Academia Bio Ritmo também se aventuraram por ali.
O
Mercure Downtown é o primeiro lançamento de uma rede
internacional de hotéis no centro em três décadas.
Com padrão quatro-estrelas, tem 260 apartamentos em treze
andares. Um pórtico construído no início do
século XX e tombado pelo patrimônio histórico
foi restaurado e dá um charme especial à fachada.
A decoração interna traz grandes painéis com
fotos antigas. "Seremos uma opção para quem está
em São Paulo a negócios e busca uma localização
estratégica", afirma Orlando de Souza, diretor de operações
da Accor. Para erguer o empreendimento, a rede investiu 24 milhões
de reais. O setor hoteleiro tem se mostrado o mais ativo. Nos últimos
três anos foram reformados o tradicional Normandie, na Avenida
Ipiranga, o Bourbon, na Avenida Vieira de Carvalho, e o San Raphael,
no Largo do Arouche. Até o fim de 2003 deve ser inaugurado
o Holiday Inn Select Jaraguá no mesmo prédio que,
entre as décadas de 50 e 70, hospedou personalidades como
Ella Fitzgerald, Alain Delon e Nelson Rockefeller.
Fotos Heudes Regis
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gis
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| Luciana
de Paula, na Bio Ritmo: "Venho a pé" |
Anhembi
Morumbi: boa infra-estrutura pesou na decisão |
De
acordo com um estudo da consultoria imobiliária Jones Lang
LaSalle, o centro tem vocação para acolher empresas
prestadoras de serviço. Mais de 40% dos edifícios
são usados para esse fim (veja
quadro). "A região tem uma infra-estrutura
espetacular, com malha de fibra óptica, rede de distribuição
que garante fornecimento ininterrupto de energia e o mais completo
sistema de transporte público da cidade", diz Delduque Martins,
coordenador administrativo da Universidade Anhembi Morumbi. O campus
Vale do Anhangabaú ocupa um prédio que já foi
do BankBoston e abriga aulas de direito, administração,
ciências econômicas e relações internacionais,
entre outras. "Estamos no início da formação
de uma bola de neve", acredita Marco Antonio Ramos de Almeida, presidente
da diretoria executiva da Associação Viva o Centro.
"Agora, um investimento começa a puxar outro." Só
a academia Bio Ritmo, aberta em dezembro num prédio de 1912
projetado pelo escritório Ramos de Azevedo na Rua Quinze
de Novembro, conseguiu reunir 1.800 alunos.
"Quando me mudei para a Bela Vista, há um ano, não
tinha onde malhar", conta a estudante Luciana de Paula. "Aqui posso
vir a pé."
Todos
os empreendedores apostam na promessa dos governos municipal e estadual
de cuidar do local. Algumas secretarias já se transferiram
para lá, e a prefeita Marta Suplicy pretende levar seu gabinete
para a Praça do Patriarca em janeiro. "Serão investidos
168 milhões de dólares nos próximos cinco anos",
garante a presidente da Empresa Municipal de Urbanização
(Emurb), Nadia Somekh. Outro atrativo é o baixo valor cobrado
pelo aluguel dos imóveis. Segundo a consultoria Jones Lang
LaSalle, o aluguel do metro quadrado na região custa 15 reais.
Na Berrini, esse valor salta para 52 reais e na Faria Lima, para
65 reais. "Estímulos para que haja uma convergência
ao centro não faltam", diz a urbanista Regina Meyer, professora
da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São
Paulo. "É claro que o retorno não será imediato,
mas quem está lá é porque enxerga longe."
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