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IMÓVEL
A novela de
31 andares
Após
cinco anos de encrencas, prédio
luxuoso da Rua Tucumã é desembargado
Marcella
Centofanti
Foi
uma encrenca que durou cinco anos, consumiu 2 000 páginas
de processo judicial e tirou o sono de engenheiros, construtores
e investidores. Na última segunda-feira, o juiz Rômolo
Russo Júnior, da 5ª Vara da Fazenda, pôs um ponto
final ao dramalhão do edifício Villa Europa, irregularmente
erguido num dos metros quadrados mais caros da cidade. "Imoral a
conduta do município de São Paulo. Imoral a operação
interligada. Imoral a conduta da construtora. Um feixe de imoralidades
e ilegalidades", escreveu o juiz em um dos trechos de sua longa
sentença. A partir dessa decisão, as obras no espigão
da Rua Tucumã, no Jardim Paulista, podem ser retomadas.
Para
adequar o prédio à legislação municipal,
10% da atual área construída deverá ser demolida.
Isso equivale a 1 100 metros quadrados (veja
quadro). As partes, que incluem ainda o Ministério
Público, podem recorrer. A construtora Moraes Sampaio não
pretende entrar com recurso, mas deve questionar as custas do processo,
fixadas em 500 000 reais. Se desobedecer aos parâmetros estabelecidos
pela Justiça, a empresa será multada em 5 milhões
de reais.
Mesmo
inacabado, o Villa Europa é um dos imóveis mais luxuosos
da cidade. Seus treze apartamentos dúplex de 800 metros quadrados
e mais a cobertura custariam hoje cerca de 8 milhões de reais
cada um. Com 29 metros de altura acima do previsto (no total são
118 metros), o prédio poderia atrapalhar o tráfego
aéreo. Incomodado com as acusações, Octaviano
Augusto de Moraes Sampaio, proprietário da construtora, carrega
na carteira um documento do Departamento de Aviação
Civil (DAC) informando que o Villa Europa não está
na rota dos aviões. A finalização do edifício
deve levar pelo menos um ano. Agora, o ritmo das obras dependerá
da disposição dos proprietários de injetar
mais dinheiro ali. Entre eles, figuram o empresário Gregory
Ryan, que implantou o McDonald's no Brasil, e o banqueiro Manuel
Tavares de Almeida, do Banco Luso Brasileiro.
Heudes Regis
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egis
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Para adequar o prédio à legislação
municipal, o laudo técnico determina a demolição
de 1 100 metros quadrados. Confira as mudanças
Do 27º ao 31º andar, as laterais e os fundos
serão afinados em até 1,10 metro
A escada do hall e a laje que separa o mezanino do piso
térreo serão removidas
Para restabelecer
o pé-direito duplo de sete das catorze unidades,
que alteraram o projeto durante a construção,
uma laje de 50 metros quadrados no piso superior (planta
abaixo) será demolida
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