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23 de junho de 2004
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A novela de 31 andares

Após cinco anos de encrencas, prédio
luxuoso da Rua Tucumã é desembargado

Marcella Centofanti

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Entenda o embargo ao edifício de 118 metros de altura

Foi uma encrenca que durou cinco anos, consumiu 2 000 páginas de processo judicial e tirou o sono de engenheiros, construtores e investidores. Na última segunda-feira, o juiz Rômolo Russo Júnior, da 5ª Vara da Fazenda, pôs um ponto final ao dramalhão do edifício Villa Europa, irregularmente erguido num dos metros quadrados mais caros da cidade. "Imoral a conduta do município de São Paulo. Imoral a operação interligada. Imoral a conduta da construtora. Um feixe de imoralidades e ilegalidades", escreveu o juiz em um dos trechos de sua longa sentença. A partir dessa decisão, as obras no espigão da Rua Tucumã, no Jardim Paulista, podem ser retomadas.

Para adequar o prédio à legislação municipal, 10% da atual área construída deverá ser demolida. Isso equivale a 1 100 metros quadrados (veja quadro). As partes, que incluem ainda o Ministério Público, podem recorrer. A construtora Moraes Sampaio não pretende entrar com recurso, mas deve questionar as custas do processo, fixadas em 500 000 reais. Se desobedecer aos parâmetros estabelecidos pela Justiça, a empresa será multada em 5 milhões de reais.

Mesmo inacabado, o Villa Europa é um dos imóveis mais luxuosos da cidade. Seus treze apartamentos dúplex de 800 metros quadrados e mais a cobertura custariam hoje cerca de 8 milhões de reais cada um. Com 29 metros de altura acima do previsto (no total são 118 metros), o prédio poderia atrapalhar o tráfego aéreo. Incomodado com as acusações, Octaviano Augusto de Moraes Sampaio, proprietário da construtora, carrega na carteira um documento do Departamento de Aviação Civil (DAC) informando que o Villa Europa não está na rota dos aviões. A finalização do edifício deve levar pelo menos um ano. Agora, o ritmo das obras dependerá da disposição dos proprietários de injetar mais dinheiro ali. Entre eles, figuram o empresário Gregory Ryan, que implantou o McDonald's no Brasil, e o banqueiro Manuel Tavares de Almeida, do Banco Luso Brasileiro.



Heudes Regis
egis


Para adequar o prédio à legislação municipal, o laudo técnico determina a demolição de 1 100 metros quadrados. Confira as mudanças

Do 27º ao 31º andar, as laterais e os fundos serão afinados em até 1,10 metro

A escada do hall e a laje que separa o mezanino do piso térreo serão removidas

Para restabelecer o pé-direito duplo de sete das catorze unidades, que alteraram o projeto durante a construção, uma laje de 50 metros quadrados no piso superior (planta abaixo) será demolida


         
     
 
 
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