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MÚSICA
A
mina das rimas
Rapper
paulistana Negra Li
ganha fama após dueto com
Charlie Brown Jr. na MTV
Rodrigo
Pereira
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| Liliane
de Carvalho, a Negra Li, 24 anos: da Vila Brasilândia
ao Credicard Hall |
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Quem
vê aquela charmosa rapper cantar Não É Sério
no Acústico MTV Charlie Brown Jr. se pergunta
o que o vocalista Chorão faz ali. A voz de acento soul de
Negra Li, de 24 anos, preenche a canção e literalmente
rouba a cena. Está habituada. Participações
especiais nos CDs e nos shows do RZO, trio de rap de Pirituba, Zona
Oeste da capital, serviram para transformá-la em musa de
jovens da periferia. "Ela sabe impor respeito, não tem aquilo
de o público ficar chamando de bonitona", diz Hélio
Barbosa dos Santos, o Helião, um dos integrantes do grupo.
Liliane de Carvalho virou Negra Li sete anos atrás, quando
aceitou a proposta de trabalhar com o RZO. Anos depois, os três
rappers foram convidados a participar do terceiro CD da banda santista
Charlie Brown Jr. e levaram a amiga. O líder Chorão
ofereceu-lhe um rap para gravarem juntos, mas a moça não
gostou da música. Convenceu os anfitriões a acrescentar
uns versinhos, compostos e cantados por ela, em uma das faixas.
O disco Nadando com os Tubarões saiu em 2000, o tal
rap ficou de fora e Não É Sério consagrou-se
como hit nacional. "Li tem beleza e talento, mas é a atitude
que faz a diferença", elogia Chorão. Na gravação
do Acústico MTV, em agosto, a dupla recriou ao vivo
a dobradinha. O especial televisivo popularizou a voz, os 56 quilos
e o 1,68 metro da cantora de rosto angelical. "As pessoas me olham
curiosas, mas devem pensar que estrela de TV não anda de
busão", diverte-se ela, que leva uma hora para ir de ônibus
de sua casa na Vila Brasilândia, Zona Norte, até a
Rua Oscar Freire, onde estuda piano de segunda a quinta.
Negra
Li ainda faz aulas de técnica vocal, participa como solista
do coral da USP e canta nos shows do RZO duas vezes por semana.
Gravadoras acenaram com a possibilidade de um disco-solo, mas ela
recusou. "Não chegou a hora, tenho muito a aprender", desconversa.
De família evangélica, a cantora cresceu sem aparelho
de som nem televisão. De música, conhecia apenas os
hinos da igreja, que abandonou aos 10 anos. Mas até hoje
reza antes de subir ao palco. Mora com a mãe, uma irmã
e um sobrinho. O irmão mais velho está preso por porte
de drogas. A criminalidade também levou o amigo Sabotage,
assassinado em janeiro. A exemplo dela, esse rapper paulistano havia
começado a carreira ao lado do RZO. Em seu elogiado álbum
de estréia, Rap É Compromisso (2001), dividia
com Negra Li os vocais na faixa-título. Ela segue em frente.
Em breve, marca presença nos CDs do SP Funk, do Sambatronik
(projeto eletrônico que envolve ritmistas da Vai-Vai) e em
um comercial do Greenpeace. Essa versatilidade já a levou
a espaços de espetáculos tão distintos quanto
o Sesc Pompéia, o Credicard Hall e o Anhembi. Com uma agenda
atribulada assim, não sobra muito tempo para namorados. "Sou
romântica, mas não tenho pressa", afirma. "Quando encontrar
o cara certo, sei que será para sempre."
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