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22 de junho de 2005
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TURISMO

Lagos, montanhas e neve...
...muita neve

Com um visual deslumbrante, temperaturas
abaixo de zero, bons hotéis e restaurantes
bacanas, Bariloche, na Argentina, deve
receber 21 000 paulistanos neste inverno

Alessandro Duarte, de Bariloche
Fotos Mário Rodrigues


O Lago Nahuel Huapi, com montanhas ao fundo: de tirar o fôlego


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No último domingo, o centro de San Carlos de Bariloche, no norte da Patagônia argentina, amanheceu coberto de neve pela primeira vez neste ano. Automóveis trafegavam devagar, e pedestres andavam cuidadosamente pelas calçadas. Jornais locais anunciavam que a cidade havia se transformado em um patinódromo. Com os termômetros marcando 2 graus negativos, os turistas, claro, se esbaldaram. Por todo canto pipocavam flashes de máquinas fotográficas. Os mais animados arriscavam atirar bolas de neve uns nos outros. O inverno em Bariloche é assim, uma festa. E os paulistanos parecem saber bem disso. No ano passado, 15.000 turistas saíram daqui rumo a seus lagos cercados de montanhas geladas. Graças à desvalorização do dólar diante do real, a estimativa das agências de turismo é que o número cresça 40% neste ano. Pacotes com passagem aérea e sete noites de hospedagem custam a partir de 750 dólares (1 875 reais). Só a CVC, a maior operadora de turismo do Brasil, irá fretar doze vôos semanais para lá. Em 2004, foram oito por semana.

Aula de esqui para principiantes Truta do restaurante Tarquino Bonecos no alto do Cerro Catedral


O hotel moderninho Design Suites Snowboard em
Cerro Bayo
Fábrica de chocolates Frantom

Para muitos, o principal atrativo de Bariloche – a cerca de quatro horas e meia de vôo de São Paulo – é a possibilidade de deslizar de seus picos sobre esquis ou pranchas de snowboard. Em julho, a mais importante montanha da região, o Cerro Catedral, que chega a 2.388 metros de altitude, recebe até 15.000 visitantes por dia. Seus teleféricos trabalham sem parar, e, nos horários de rush, a espera por um lugar nas cadeirinhas chega a quase duas horas. Há pistas para todo tipo de esportista. Dos mais experimentados, capazes de saltar e fazer acrobacias no ar, a iniciantes que mal conseguem manter-se em pé. Na base, a agitação acontece no Shopping La Terraza e nos restaurantes de seu entorno. Quem procura um pouco mais de tranqüilidade vai a Cerro Bayo, na Villa La Angostura, a 85 quilômetros do centro de Bariloche. Ali aparecem uns 1.000 visitantes por dia. Nos dois lugares, a diversão é garantida. "Quando eu estava aprendendo a fazer curvas, tomei muitos tombos", conta o químico paulistano Ronald Ferfila, que passou a lua-de-mel com a fisioterapeuta Elisângela em Bariloche. Aproveitou para receber suas primeiras lições de esqui. "Logo que aprendi a me virar sozinho, queria descer o morro inteiro." Por sorte, guias locais o demoveram da idéia.

Daniela Terci e Sergio Zarato, no Cerro Campanario: "Estamos deslumbrados" Refugio Neumeyer: caminhada noturna no bosque


O Centro Cívico no último domingo: neve pela primeira vez no ano Ronald e Elisângela Ferfila: tombos na lua-de-mel

Mas há muito mais que montanhas cobertas de neve em Bariloche. A cidade, que em julho registra temperaturas máximas de 5 graus positivos e mínimas de 10 graus negativos, tem bons hotéis e restaurantes, um cassino e passeios interessantes mesmo para quem nem pensa em chegar perto dos tais esquis. Observar o Lago Nahuel Huapi de um dos mirantes da região é de tirar o fôlego. "Estamos deslumbrados, não imaginávamos que teríamos um visual tão bonito", afirmava a economista Daniela Terci, que conferiu com seu marido, Sergio Zarato, a neve que caía sobre a cidade do alto do Cerro Campanario. Outro ponto que oferece uma visão privilegiada é a confeitaria giratória instalada em cima do Cerro Otto. O charmoso bondinho vermelho que leva os visitantes ao pico já garante o passeio. Existem ainda viagens de barco e caminhadas noturnas por bosques onde a neve bate nos joelhos.

Rincón Patagónico: parrillada é a estrela do cardápio Bondinhos do Cerro Otto: vista de 360 graus da região

A rede hoteleira vem ganhando opções a cada temporada. O hotel mais luxuoso continua sendo o Llao Llao, resort aberto em 1938. Tem spa, piscina aquecida, campo de golfe e um refúgio exclusivo na base do Cerro Catedral. "Há semanas em que nossos quartos ficam quase todos tomados por brasileiros", diz Gilda Fuentes, relações-públicas do Llao Llao. As diárias mais altas beiram os 4.500 reais, mas pode-se ir até lá apenas para curtir o chá da tarde servido no elegante jardim-de-inverno (28 reais por pessoa). O moderninho Design Suites, que dispõe em todos os quartos de hidromassagem com vista para o Lago Nahuel Huapi, e o Ayres del Nahuel, com tarifas baixas e apartamentos espaçosos, estão entre as novidades inauguradas menos de um ano atrás.

Pub Wilkenny: opção para o fim de noite

Bons restaurantes especializados em carnes, truta, fondue e massas fazem da gastronomia um dos pontos fortes de Bariloche. Gasta-se pouco para comer, em comparação com os preços cobrados em São Paulo ou mesmo em outros destinos turísticos. Dificilmente a conta passa dos 40 reais por pessoa, com vinho. "Se decidisse viajar uma semana para Campos do Jordão, por exemplo, não conseguiria ir a tantos restaurantes bacanas", acredita a paulistana Priscila Landgraf, formada em turismo. Uma opção bastante típica é o Rincón Patagónico, em um prédio de dois andares construído com toras de madeira e pedra. Carnes são assadas no espeto à vista dos clientes. A campeã de pedidos é a parrillada, churrasco que mistura cortes nobres com morcilla (chouriço) e chinchulines (tripa). Outra boa sugestão é a casa El Boliche de Alberto. Além de carnes com cortes generosos, tem como uma das atrações seu simpático proprietário, Alberto Perez. É comum vê-lo circular pelo ambiente tocando tango em seu bandônion. Mas talvez a surpresa mais agradável seja o italiano Il Gabbiano, a 24 quilômetros do centro, com massas e sobremesas deliciosas.

O elegante Llao Llao e o chá servido no jardim-de-inverno (à dir.): desde 1938

Bariloche, com 100.000 habitantes, muda muitos de seus hábitos para recepcionar os brasileiros que a invadem em julho. Os restaurantes, que costumam fechar às 15 horas e abrir para o jantar apenas às 20 horas, esticam seu horário de funcionamento, e diversas lojas passam a exibir placas em português nas vitrines. O idioma, aliás, não é nenhum empecilho para o turista. Mesmo quem não conhece uma só palavra em espanhol consegue se virar bem. Muitos guias falam português – ou melhor, portunhol –, assim como funcionários de hotéis, lojas e restaurantes. Ao entrarem em algum estabelecimento comercial, os brasileiros normalmente são saudados com algo que lembra um "bom-dia!". Todo esse esforço não é à toa. Os moradores de Bariloche costumam brincar que, no inverno, a cidade muda de nome. Vira Brasiloche.

 

Dicas quentes

Onde comer


Nhoque tricolor do italiano Il Gabbiano: 25 reais Fondue de queijo emmental do La Marmite: 47 reais

Muitos turistas estranham o nome desse tradicional restaurante barilochense. Afinal, por que El Boliche de Alberto? A explicação é simples: na Argentina, boliche significa um boteco que vende todo tipo de comida. E foi assim que Alberto Perez começou, há 25 anos. Hoje, possui dois endereços especializados em carnes (Rua Villegas, 347, 43-1433, e Avenida Bustillo, quilômetro 8,8, 46-2285) e um em massas (Rua Elflein, 49, 43-1084). Assado de tira, 18 reais para duas pessoas. www.elbolichedealberto.com.

Nada mais romântico que dividir uma fondue. No La Marmite, a de queijo emmental custa 47 reais. A de chocolate, 32 reais. Rua Mitre, 329, 42-3685.

A fachada de madeira, as amplas janelas e a lareira fazem do Tarquino um dos endereços charmosos de Bariloche. Filé de truta ao limão, 17 reais. Rua 24 de Septiembre com Saavedra, 43-4774.

Com uma nova casa recém-inaugurada, o Rincón Patagónico tem como atração as carnes assadas no espeto à vista dos clientes. Parrillada mista, 36 reais, para duas pessoas. Avenida Bustillo, quilômetro 14, 46-3063, www.rinconpatagonico.com.

Cansou de carnes? Vá ao italiano Il Gabbiano, um dos mais sofisticados de Bariloche. A carta de vinhos conta com boas opções do Chile, da Itália e da França, além dos argentinos, claro. Nhoque tricolor, 25 reais. Como fica a cerca de trinta minutos do centro, convém reservar. Avenida Bustillo, quilômetro 24,3, 44-8346.

Um dos preferidos dos turistas, o Familia Weiss tem uma boa picada de ahumados (espécie de tábua de frios com carnes de caça, salmão e patês defumados). Custa 18 reais, para duas pessoas. Rua Palacios com O'Connor, 43-5789.

Prove – e leve para casa – os deliciosos chocolates da Mamuschka (Rua Mitre, 216, 42-3294, www.mamuschka.com) ou da Frantom (Rua Panozzi com J.M. de Rosas, 52-2391, www.chocolatesfrantom.com). O quilo sai por 38 reais.

 

Onde ficar

O Llao Llao é o hotel mais chique da cidade. Cercado por montanhas e lagos, tem um visual belíssimo. Conta com piscina, spa e academia. Oferece traslado todos os dias para o Cerro Catedral. Diárias de 438 a 4 425 reais. Avenida Bustillo, quilômetro 25, 44-8530, www.llaollao.com.

Com decoração moderninha e hidromassagem com vista para o lago em todos os quartos, o Design Suites é um dos mais novos de Bariloche. Diárias de 312 a 875 reais. Avenida Bustillo, quilômetro 2,5, 45-7000, www.designsuites.com.

Famílias podem usar os chalés com cozinha do Nido del Cóndor. As unidades mais luxuosas têm banheira de hidromassagem. Diárias de 382 a 1 170 reais. Avenida Bustillo, quilômetro 6,9, 44-2221, www.nidodelcondor.com.ar.

Suíte do Hotel Panamericano: diárias a partir de 300 reais

O Panamericano conta com 306 apartamentos, que no inverno costumam ficar quase todos ocupados por brasileiros. Está ali o cassino Worest. Diárias de 300 a 1 125 reais. Avenida San Martín, 536, 42-5846, www.panamericanobariloche.com.

No centro, o Edelweiss tem apartamentos amplos e piscina com vista para o lago. Diárias de 288 a 750 reais. Avenida San Martín, 202, 44-5500, www.edelweiss.com.ar.

Aberto no ano passado, o Ayres del Nahuel é uma opção mais econômica. Os quartos são espaçosos e a localização é excelente. Diárias de 150 a 200 reais. Rua Rolando, 147, 42-4915. www.ayresdelnahuel.com.ar.

 

Vale a pena visitar

Teleférico que leva ao Cerro Campanario: parada do Circuito Chico

O Circuito Chico, ao longo da Avenida Bustillo, tem vistas deslumbrantes. Gaste alguns minutos no Cerro Campanario, um mirante, ao qual se chega de teleférico (15 reais) ou a pé. O passeio custa 19 reais por pessoa nas agências ou 100 reais de táxi a partir do centro.

Para se arriscar nas pistas ou apenas curtir a neve da montanha, pode-se ir ao Cerro Catedral (19 reais por pessoa nas agências) ou ao Cerro Bayo (45 reais por pessoa). O ingresso do teleférico custa entre 20 e 95 reais. O aluguel do equipamento de esqui sai por 49 reais e de snowboard, 55 reais. Aulas coletivas custam 40 reais (esqui) e 25 reais (snowboard).

Não dá para ir ao Cerro Bayo sem parar na Villa La Angostura, que conta com boas lojas e cafés, como o Amigos del Lado Sur e o Havanna.

Só os bondinhos vermelhos do Cerro Otto já valem a visita. Mas o melhor é a confeitaria giratória, que oferece uma vista de 360 graus de toda a região. Compre o ingresso do teleférico na esquina da Rua Mitre com a Villegas (30 reais). Um ônibus gratuito leva à montanha.

Barcos fazem passeios a Puerto Blest (onde se pode conhecer o lago congelado Los Cántaros) ou à Ilha Vitória (com visita ao Bosque de Arrayanes, aquele das árvores de tronco alaranjado que teriam inspirado a floresta do desenho Bambi, de Walt Disney). Entre 56 e 62 reais, mais 16 de traslado até Porto Pañuelo, próximo ao Hotel Llao Llao.

Chegar ao Refugio Neumeyer é uma aventura. O traslado é feito em veículos 4 por 4 e a pé por uma trilha dentro de um bosque nevado. À noite, a caminhada é ainda mais emocionante, pois os visitantes apagam a lanterna entre as árvores. Com jantar, 79 reais.

 

Onde curtir a noite

Depois do jantar, as melhores pedidas são os pubs Pilgrim (Rua Palacios, 167, 42-1686, www.pilgrim.com.ar) e Wilkenny (Avenida San Martín, 435, 42-4444, www.wilkeny.com.ar).

Na cervejaria artesanal Blest (Avenida Bustillo, quilômetro 11,6, 46-1026), faça uma degustação com as seis variedades da bebida fabricadas ali (pilsen, bock, stout, framboesa, sidra e uma mistura de pilsen e bock). Custa 9 reais.

 

Quem leva

CVC: passagem e sete noites de hotel a partir de 808 dólares (2 020 reais). 2191-8410, www.cvc.com.br.

Agaxtur: passagem e sete noites de hotel a partir de 934 dólares (2 335 reais). 3067-0900, www.agaxtur.com.br.

Fenix: passagem e sete noites de hotel a partir de 748 dólares (1 870 reais). 3255-4666, www.fenixtur.com.br.

Maktour: passagem e sete noites no Hotel Llao Llao a partir de 1 915 dólares (4 787 reais). 3034-1234, www.maktour.com.br.

 

Não esqueça

O DDI da Argentina é 54 e o código de Bariloche, 2944.

Restaurantes, hotéis, motoristas de táxi e lojas aceitam dólares, mas dão o troco em pesos.

Reais podem ser trocados nas casas de câmbio de Bariloche, com cotação melhor que a do aeroporto.

Tenha sempre dinheiro no bolso. Muitos estabelecimentos comerciais não trabalham com cartões de crédito internacionais.

Alugue bota, gorro, óculos, calça e jaqueta térmicas nas lojas do centro (20 reais por dia na Cebron, Rua Mitre, 171, 42-8817). A roupa é ideal para os passeios às montanhas, mas muitos turistas usam mesmo na cidade.

Filtro solar é essencial, pois o sol refletido na neve costuma fazer estragos na pele. Leve também um bom hidratante e um protetor labial.

Prefira andar de táxi a alugar um carro. Dirigir com gelo e neve requer experiência.

Fique atento se seu pacote inclui um seguro-saúde que cubra acidentes em esportes de risco, como o esqui e o snowboard.

 

     
   
 
 
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