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TURISMO Lagos,
montanhas e neve... ...muita neve Com um visual
deslumbrante, temperaturas abaixo de zero, bons hotéis e restaurantes
bacanas, Bariloche, na Argentina, deve receber 21 000 paulistanos neste
inverno Alessandro Duarte, de Bariloche Fotos
Mário Rodrigues
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| O Lago Nahuel Huapi, com montanhas ao fundo: de tirar o fôlego
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No último domingo, o centro
de San Carlos de Bariloche, no norte da Patagônia argentina, amanheceu coberto
de neve pela primeira vez neste ano. Automóveis trafegavam devagar, e pedestres
andavam cuidadosamente pelas calçadas. Jornais locais anunciavam que a
cidade havia se transformado em um patinódromo. Com os termômetros
marcando 2 graus negativos, os turistas, claro, se esbaldaram. Por todo canto
pipocavam flashes de máquinas fotográficas. Os mais animados arriscavam
atirar bolas de neve uns nos outros. O inverno em Bariloche é assim, uma
festa. E os paulistanos parecem saber bem disso. No ano passado, 15.000 turistas
saíram daqui rumo a seus lagos cercados de montanhas geladas. Graças
à desvalorização do dólar diante do real, a estimativa
das agências de turismo é que o número cresça 40% neste
ano. Pacotes com passagem aérea e sete noites de hospedagem custam a partir
de 750 dólares (1 875 reais). Só a CVC, a maior operadora de turismo
do Brasil, irá fretar doze vôos semanais para lá. Em 2004,
foram oito por semana.
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| Aula de esqui para principiantes | Truta
do restaurante Tarquino | Bonecos no alto do Cerro Catedral |
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| O hotel moderninho Design Suites | Snowboard
em Cerro Bayo | Fábrica de chocolates Frantom | Para
muitos, o principal atrativo de Bariloche a cerca de quatro horas e meia
de vôo de São Paulo é a possibilidade de deslizar de
seus picos sobre esquis ou pranchas de snowboard. Em julho, a mais importante
montanha da região, o Cerro Catedral, que chega a 2.388 metros de altitude,
recebe até 15.000 visitantes por dia. Seus teleféricos trabalham
sem parar, e, nos horários de rush, a espera por um lugar nas cadeirinhas
chega a quase duas horas. Há pistas para todo tipo de esportista. Dos mais
experimentados, capazes de saltar e fazer acrobacias no ar, a iniciantes que mal
conseguem manter-se em pé. Na base, a agitação acontece no
Shopping La Terraza e nos restaurantes de seu entorno. Quem procura um pouco mais
de tranqüilidade vai a Cerro Bayo, na Villa La Angostura, a 85 quilômetros
do centro de Bariloche. Ali aparecem uns 1.000 visitantes por dia. Nos dois lugares,
a diversão é garantida. "Quando eu estava aprendendo a fazer curvas,
tomei muitos tombos", conta o químico paulistano Ronald Ferfila, que passou
a lua-de-mel com a fisioterapeuta Elisângela em Bariloche. Aproveitou para
receber suas primeiras lições de esqui. "Logo que aprendi a me virar
sozinho, queria descer o morro inteiro." Por sorte, guias locais o demoveram da
idéia.
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| Daniela Terci e Sergio Zarato, no Cerro
Campanario: "Estamos deslumbrados" | Refugio Neumeyer: caminhada noturna
no bosque |
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| O Centro Cívico no último domingo: neve
pela primeira vez no ano | Ronald e Elisângela Ferfila: tombos na lua-de-mel
| Mas há muito mais
que montanhas cobertas de neve em Bariloche. A cidade, que em julho registra temperaturas
máximas de 5 graus positivos e mínimas de 10 graus negativos, tem
bons hotéis e restaurantes, um cassino e passeios interessantes mesmo para
quem nem pensa em chegar perto dos tais esquis. Observar o Lago Nahuel Huapi de
um dos mirantes da região é de tirar o fôlego. "Estamos deslumbrados,
não imaginávamos que teríamos um visual tão bonito",
afirmava a economista Daniela Terci, que conferiu com seu marido, Sergio Zarato,
a neve que caía sobre a cidade do alto do Cerro Campanario. Outro ponto
que oferece uma visão privilegiada é a confeitaria giratória
instalada em cima do Cerro Otto. O charmoso bondinho vermelho que leva os visitantes
ao pico já garante o passeio. Existem ainda viagens de barco e caminhadas
noturnas por bosques onde a neve bate nos joelhos.
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| Rincón Patagónico: parrillada é a estrela
do cardápio | Bondinhos do Cerro Otto: vista de 360 graus da região |
A rede hoteleira vem ganhando opções
a cada temporada. O hotel mais luxuoso continua sendo o Llao Llao, resort aberto
em 1938. Tem spa, piscina aquecida, campo de golfe e um refúgio exclusivo
na base do Cerro Catedral. "Há semanas em que nossos quartos ficam quase
todos tomados por brasileiros", diz Gilda Fuentes, relações-públicas
do Llao Llao. As diárias mais altas beiram os 4.500 reais, mas pode-se
ir até lá apenas para curtir o chá da tarde servido no elegante
jardim-de-inverno (28 reais por pessoa). O moderninho Design Suites, que dispõe
em todos os quartos de hidromassagem com vista para o Lago Nahuel Huapi, e o Ayres
del Nahuel, com tarifas baixas e apartamentos espaçosos, estão entre
as novidades inauguradas menos de um ano atrás.
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| Pub Wilkenny: opção para o fim de noite | Bons
restaurantes especializados em carnes, truta, fondue e massas fazem da gastronomia
um dos pontos fortes de Bariloche. Gasta-se pouco para comer, em comparação
com os preços cobrados em São Paulo ou mesmo em outros destinos
turísticos. Dificilmente a conta passa dos 40 reais por pessoa, com vinho.
"Se decidisse viajar uma semana para Campos do Jordão, por exemplo, não
conseguiria ir a tantos restaurantes bacanas", acredita a paulistana Priscila
Landgraf, formada em turismo. Uma opção bastante típica é
o Rincón Patagónico, em um prédio de dois andares construído
com toras de madeira e pedra. Carnes são assadas no espeto à vista
dos clientes. A campeã de pedidos é a parrillada, churrasco que
mistura cortes nobres com morcilla (chouriço) e chinchulines (tripa). Outra
boa sugestão é a casa El Boliche de Alberto. Além de carnes
com cortes generosos, tem como uma das atrações seu simpático
proprietário, Alberto Perez. É comum vê-lo circular pelo ambiente
tocando tango em seu bandônion. Mas talvez a surpresa mais agradável
seja o italiano Il Gabbiano, a 24 quilômetros do centro, com massas e sobremesas
deliciosas.
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| O elegante Llao Llao e o chá servido no jardim-de-inverno
(à dir.): desde 1938 |
Bariloche, com 100.000 habitantes, muda muitos de seus hábitos para recepcionar
os brasileiros que a invadem em julho. Os restaurantes, que costumam fechar às
15 horas e abrir para o jantar apenas às 20 horas, esticam seu horário
de funcionamento, e diversas lojas passam a exibir placas em português nas
vitrines. O idioma, aliás, não é nenhum empecilho para o
turista. Mesmo quem não conhece uma só palavra em espanhol consegue
se virar bem. Muitos guias falam português ou melhor, portunhol ,
assim como funcionários de hotéis, lojas e restaurantes. Ao entrarem
em algum estabelecimento comercial, os brasileiros normalmente são saudados
com algo que lembra um "bom-dia!". Todo esse esforço não é
à toa. Os moradores de Bariloche costumam brincar que, no inverno, a cidade
muda de nome. Vira Brasiloche.
| Dicas quentes Onde
comer
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| Nhoque tricolor do italiano Il Gabbiano:
25 reais | Fondue de queijo emmental do La Marmite: 47 reais |
Muitos turistas estranham o nome desse tradicional restaurante barilochense. Afinal,
por que El Boliche de Alberto? A explicação é simples:
na Argentina, boliche significa um boteco que vende todo tipo de comida. E foi
assim que Alberto Perez começou, há 25 anos. Hoje, possui dois endereços
especializados em carnes (Rua Villegas, 347,
43-1433, e Avenida Bustillo, quilômetro 8,8,
46-2285) e um em massas (Rua Elflein, 49,
43-1084). Assado de tira, 18 reais para duas pessoas. www.elbolichedealberto.com.
Nada mais romântico que dividir uma fondue. No La Marmite, a de queijo
emmental custa 47 reais. A de chocolate, 32 reais. Rua Mitre, 329,
42-3685.
A fachada de madeira, as amplas janelas e a lareira fazem do Tarquino um
dos endereços charmosos de Bariloche. Filé de truta ao limão,
17 reais. Rua 24 de Septiembre com Saavedra,
43-4774.
Com uma nova casa recém-inaugurada, o Rincón Patagónico
tem como atração as carnes assadas no espeto à vista dos
clientes. Parrillada mista, 36 reais, para duas pessoas. Avenida Bustillo,
quilômetro 14,
46-3063, www.rinconpatagonico.com.
Cansou de carnes? Vá ao italiano Il Gabbiano, um dos mais sofisticados
de Bariloche. A carta de vinhos conta com boas opções do Chile,
da Itália e da França, além dos argentinos, claro. Nhoque
tricolor, 25 reais. Como fica a cerca de trinta minutos do centro, convém
reservar. Avenida Bustillo, quilômetro 24,3,
44-8346.
Um dos preferidos dos turistas, o Familia Weiss tem uma boa picada de ahumados
(espécie de tábua de frios com carnes de caça, salmão
e patês defumados). Custa 18 reais, para duas pessoas. Rua Palacios com
O'Connor,
43-5789.
Prove e leve para casa os deliciosos chocolates da Mamuschka
(Rua Mitre, 216,
42-3294, www.mamuschka.com)
ou da Frantom (Rua Panozzi com J.M. de Rosas,
52-2391, www.chocolatesfrantom.com).
O quilo sai por 38 reais. Onde
ficar
O Llao Llao é o hotel mais chique da cidade. Cercado por montanhas
e lagos, tem um visual belíssimo. Conta com piscina, spa e academia. Oferece
traslado todos os dias para o Cerro Catedral. Diárias de 438 a 4 425 reais.
Avenida Bustillo, quilômetro 25,
44-8530, www.llaollao.com.
Com decoração moderninha e hidromassagem com vista para o lago em
todos os quartos, o Design Suites é um dos mais novos de Bariloche.
Diárias de 312 a 875 reais. Avenida Bustillo, quilômetro 2,5,
45-7000, www.designsuites.com.
Famílias podem usar os chalés com cozinha do Nido del Cóndor.
As unidades mais luxuosas têm banheira de hidromassagem. Diárias
de 382 a 1 170 reais. Avenida Bustillo, quilômetro 6,9,
44-2221, www.nidodelcondor.com.ar.
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| Suíte do Hotel Panamericano: diárias a partir de 300
reais |
O Panamericano conta com 306 apartamentos, que no inverno costumam ficar
quase todos ocupados por brasileiros. Está ali o cassino Worest. Diárias
de 300 a 1 125 reais. Avenida San Martín, 536,
42-5846, www.panamericanobariloche.com.
No centro, o Edelweiss tem apartamentos amplos e piscina com vista para
o lago. Diárias de 288 a 750 reais. Avenida San Martín, 202,
44-5500, www.edelweiss.com.ar.
Aberto no ano passado, o Ayres del Nahuel é uma opção
mais econômica. Os quartos são espaçosos e a localização
é excelente. Diárias de 150 a 200 reais. Rua Rolando, 147,
42-4915. www.ayresdelnahuel.com.ar.
Vale
a pena visitar
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| Teleférico que leva ao Cerro Campanario: parada do Circuito
Chico |
O Circuito Chico, ao longo da Avenida Bustillo, tem vistas deslumbrantes.
Gaste alguns minutos no Cerro Campanario, um mirante, ao qual se chega de teleférico
(15 reais) ou a pé. O passeio custa 19 reais por pessoa nas agências
ou 100 reais de táxi a partir do centro.
Para
se arriscar nas pistas ou apenas curtir a neve da montanha, pode-se ir ao Cerro
Catedral (19 reais por pessoa nas agências) ou ao Cerro Bayo
(45 reais por pessoa). O ingresso do teleférico custa entre 20 e 95 reais.
O aluguel do equipamento de esqui sai por 49 reais e de snowboard, 55 reais. Aulas
coletivas custam 40 reais (esqui) e 25 reais (snowboard).
Não
dá para ir ao Cerro Bayo sem parar na Villa La Angostura, que conta
com boas lojas e cafés, como o Amigos del Lado Sur e o Havanna.
Só os bondinhos vermelhos do Cerro Otto já valem a visita.
Mas o melhor é a confeitaria giratória, que oferece uma vista de
360 graus de toda a região. Compre o ingresso do teleférico na esquina
da Rua Mitre com a Villegas (30 reais). Um ônibus gratuito leva à
montanha.
Barcos fazem passeios a Puerto Blest (onde se pode conhecer o lago congelado
Los Cántaros) ou à Ilha Vitória (com visita ao Bosque
de Arrayanes, aquele das árvores de tronco alaranjado que teriam inspirado
a floresta do desenho Bambi, de Walt Disney). Entre 56 e 62 reais, mais
16 de traslado até Porto Pañuelo, próximo ao Hotel Llao Llao.
Chegar ao Refugio Neumeyer é uma aventura. O traslado é feito
em veículos 4 por 4 e a pé por uma trilha dentro de um bosque nevado.
À noite, a caminhada é ainda mais emocionante, pois os visitantes
apagam a lanterna entre as árvores. Com jantar, 79 reais.
Onde
curtir a noite
Depois do jantar, as melhores pedidas são os pubs Pilgrim (Rua
Palacios, 167,
42-1686, www.pilgrim.com.ar)
e Wilkenny (Avenida San Martín, 435,
42-4444, www.wilkeny.com.ar).
Na cervejaria artesanal Blest (Avenida Bustillo, quilômetro 11,6,
46-1026), faça uma degustação com as seis variedades
da bebida fabricadas ali (pilsen, bock, stout, framboesa, sidra e uma mistura
de pilsen e bock). Custa 9 reais. Quem
leva
CVC: passagem e sete noites de hotel a partir de 808 dólares (2
020 reais).
2191-8410, www.cvc.com.br.
Agaxtur: passagem e sete noites de hotel a partir de 934 dólares
(2 335 reais).
3067-0900, www.agaxtur.com.br.
Fenix: passagem e sete noites de hotel a partir de 748 dólares (1
870 reais).
3255-4666, www.fenixtur.com.br.
Maktour: passagem e sete noites no Hotel Llao Llao a partir de 1 915 dólares
(4 787 reais).
3034-1234, www.maktour.com.br.
Não
esqueça
O DDI da Argentina é 54 e o código de Bariloche, 2944.
Restaurantes,
hotéis, motoristas de táxi e lojas aceitam dólares, mas dão
o troco em pesos.
Reais podem ser trocados nas casas de câmbio de Bariloche, com cotação
melhor que a do aeroporto.
Tenha sempre dinheiro no bolso. Muitos estabelecimentos comerciais não
trabalham com cartões de crédito internacionais.
Alugue
bota, gorro, óculos, calça e jaqueta térmicas nas lojas do
centro (20 reais por dia na Cebron, Rua Mitre, 171,
42-8817). A roupa é ideal para os passeios às montanhas, mas
muitos turistas usam mesmo na cidade.
Filtro
solar é essencial, pois o sol refletido na neve costuma fazer estragos
na pele. Leve também um bom hidratante e um protetor labial.
Prefira
andar de táxi a alugar um carro. Dirigir com gelo e neve requer experiência.
Fique atento se seu pacote inclui um seguro-saúde que cubra acidentes em
esportes de risco, como o esqui e o snowboard. | |