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22 de janeiro de 2003
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TEATRO

A vez dos bonecos

Festivais trazem ótimos espetáculos infantis
com atores feitos de pano, espuma ou machê

Lúcia Monteiro

 
Vovô, da Truks: retrospectiva no Sesc Belenzinho

O garotinho loiro, de 60 centímetros de altura, voa, enfrenta tubarões e passeia por uma ilha deserta. Tudo isso durante cinqüenta minutos, num espaço cercado por cortinas pretas. Lucas, um boneco de papel machê e pano, narra suas aventuras e diverte a criançada, como protagonista de O Senhor dos Sonhos. Três manipuladoras são responsáveis por seus movimentos. Uma mexe os braços, outra controla as pernas e a terceira, além de segurar o tronco e a cabeça, fala por ele. A peça faz parte de uma retrospectiva, que poderá ser vista até o fim de fevereiro, organizada pelo Sesc Belenzinho com as últimas quatro montagens da Cia. Truks, especializada em teatro de bonecos.

Uma segunda mostra dedicada ao gênero começa na quarta-feira (22) no Teatro Folha. São doze peças de oito grupos. Todas gratuitas. Nesses espetáculos, a platéia, formada por adultos e crianças a partir de 2 anos, cai na gargalhada e interage com os bonequinhos, como se eles tivessem vida própria. Na saída, é comum ver a molecada imitar seus movimentos e reproduzir trechos dos diálogos. "Os mais novos entram na magia porque brincam com seus bonecos do mesmo jeito que a gente", afirma Henrique Sitchin, diretor da Truks. Ele se inspirou numa técnica japonesa milenar, o bunraku, para construir personagens como Lucas. No início, para serem fiéis à tradição dos japoneses, os manipuladores da Truks usavam um capuz preto e quase não apareciam. Não funcionou. "As crianças morriam de medo", conta Sitchin, que resolveu fazer os bonecos interagir com atores de carne e osso.


Cena de O Vôo, no Teatro Folha: doze peças grátis O Senhor dos Sonhos: as manipuladoras aparecem

Junto com esses dois festivais, há mais atrações em cartaz que se valem de técnicas semelhantes (confira a programação em Para as crianças). É o caso da Compañia Turruquena, da Espanha, que colocará no palco, no encerramento da mostra do Teatro Folha, marionetes que brincam com dançarinos de flamenco. Nas apresentações do grupo Articularte, atores contracenam com figuras como o Abaporu, da famosa tela de Tarsila do Amaral. "A grande vantagem dos bonecos é que eles conseguem superar as leis da física e as barreiras do impossível", diz o diretor da Articularte, Dario Uzam. "Eles fazem tudo o que os atores sempre sonharam."

         
     
 
 
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