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TEATRO
A
vez dos bonecos
Festivais
trazem ótimos espetáculos infantis
com
atores feitos de pano, espuma ou machê
Lúcia
Monteiro
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| Vovô,
da Truks: retrospectiva
no
Sesc Belenzinho
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O
garotinho loiro, de 60 centímetros de altura, voa, enfrenta
tubarões e passeia por uma ilha deserta. Tudo isso durante
cinqüenta minutos, num espaço cercado por cortinas pretas.
Lucas, um boneco de papel machê e pano, narra suas aventuras
e diverte a criançada, como protagonista de O Senhor dos
Sonhos. Três manipuladoras são responsáveis
por seus movimentos. Uma mexe os braços, outra controla as
pernas e a terceira, além de segurar o tronco e a cabeça,
fala por ele. A peça faz parte de uma retrospectiva, que
poderá ser vista até o fim de fevereiro, organizada
pelo Sesc Belenzinho com as últimas quatro montagens da Cia.
Truks, especializada em teatro de bonecos.
Uma
segunda mostra dedicada ao gênero começa na quarta-feira
(22) no Teatro Folha. São doze peças de oito grupos.
Todas gratuitas. Nesses espetáculos, a platéia, formada
por adultos e crianças a partir de 2 anos, cai na gargalhada
e interage com os bonequinhos, como se eles tivessem vida própria.
Na saída, é comum ver a molecada imitar seus movimentos
e reproduzir trechos dos diálogos. "Os mais novos entram
na magia porque brincam com seus bonecos do mesmo jeito que a gente",
afirma Henrique Sitchin, diretor da Truks. Ele se inspirou numa
técnica japonesa milenar, o bunraku, para construir personagens
como Lucas. No início, para serem fiéis à tradição
dos japoneses, os manipuladores da Truks usavam um capuz preto e
quase não apareciam. Não funcionou. "As crianças
morriam de medo", conta Sitchin, que resolveu fazer os bonecos interagir
com atores de carne e osso.
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| Cena
de O Vôo, no Teatro Folha: doze peças
grátis |
O
Senhor dos Sonhos: as manipuladoras
aparecem
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Junto
com esses dois festivais, há mais atrações
em cartaz que se valem de técnicas semelhantes (confira
a programação em Para as crianças).
É o caso da Compañia Turruquena, da Espanha, que colocará
no palco, no encerramento da mostra do Teatro Folha, marionetes
que brincam com dançarinos de flamenco. Nas apresentações
do grupo Articularte, atores contracenam com figuras como o Abaporu,
da famosa tela de Tarsila do Amaral. "A grande vantagem dos bonecos
é que eles conseguem superar as leis da física e as
barreiras do impossível", diz o diretor da Articularte, Dario
Uzam. "Eles fazem tudo o que os atores sempre sonharam."
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