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TEATRO
A
volta do gordo
Jô
Soares adapta, produz e dirige a peça
FrankensteinS, com sua namorada, Mika Lins
Maria
Rita Alonso
Mario Rodrigues
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| Mika
Lins, Bete Coelho, Clara Carvalho e Paulo Gorgulho: ensaios
de até dez horas, comandados por Jô |
A vontade
de voltar ao teatro depois de vinte anos veio como que por impulso.
No meio de um bate-papo com a amiga Bete Coelho e a namorada, Mika
Lins, Jô Soares deu a deixa: "Adoraria dirigi-las no palco".
As atrizes, mais do que depressa, correram em busca de um texto.
Mas foi o próprio Jô quem o encontrou, enquanto folheava
uma pilha de revistas francesas. Passaram-se cinco meses e a peça
FrankensteinS adaptada, produzida e dirigida por ele
tinha estréia prometida para a última quinta
no Cultura Artística. Mika e Bete vivem, respectivamente,
a escritora Charlotte Brontë e sua heroína Jane Eyre,
um ícone do movimento feminista. Dividem o palco com Paulo
Gorgulho e Clara Carvalho, que encarnam o monstro de Frankenstein
e sua criadora, Mary Shelley. A reunião entre personagens
da literatura clássica inglesa e suas autoras parece feita
sob medida para o humor do gordo, escritor de dois best-sellers
que também colocam frente a frente personagens fictícios
e personalidades históricas (O Xangô de Baker Street
e O Homem que Matou Getúlio Vargas). "A trama é
muito engraçada, porque as criaturas resolvem tirar satisfação
com seus criadores e querem transformar seus destinos", diz ele,
que foi até Paris conhecer o autor da peça, o cubano
naturalizado francês Eduardo Manet.
Lenise Pinheiro
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| Clara
e Gorgulho: criador e criatura |
Nos últimos três meses, Jô comandou cinco ensaios
por semana. De oito a dez horas por dia. "Ele é de um perfeccionismo
irritante", afirma Gorgulho, que enfrenta duas horas de maquiagem
antes de pisar no palco. Apresentador, humorista, trompetista nas
horas vagas e artista plástico bissexto, Jô convocou
quatro profissionais para ajudá-lo a colocar a montagem de
pé. Tarcísio Filho, seu amigo há anos, é
o diretor-assistente. A cenografia ficou a cargo de Daniela Thomas.
Cássio Brasil é o responsável pelo figurino,
e a música original foi composta pelo maestro Antonio Carlos
Neves Campos. "Estamos nos divertindo muito", declara Mika. Foi
a namorada quem tornou sua volta aos palcos irresistível.
"A gente conversou, discutiu, relembrou espetáculos maravilhosos...",
conta Jô. "É como gordo de dieta: não pode deixar
entrar numa loja de doces."
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