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AMBIENTE
Hóspedes de inverno Em busca de comida,
milhares de aves migratórias passam a estação em praças,
parques e no Zoológico de São Paulo Edison
Veiga Fotos
Fernando Moraes
 |  | | Irerês
e marrecas- caneleiras (à dir.): estima-se que 3 000 deles se hospedem
no Zoológico |
Todos os anos, 1,5 milhão de
pessoas visitam o Zoológico. Quem escolhe fazer o passeio entre maio e
setembro tem a chance de admirar um espetáculo à parte. Por causa
do frio, o parque recebe cerca de 3 000 aves hóspedes, principalmente irerês
e marrecas-caneleiras. "São animais encontrados em todo o Brasil e em alguns
países da América do Sul", afirma o biólogo Guilherme Augusto
Domenichelli, do Zôo. "Os que vêm para cá são provenientes
de regiões ao sul, onde o inverno é mais rigoroso." Essa bicharada
toda, que curte o friozinho na cidade grande, encontra no Zoológico o que
mais falta em seu ambiente natural nesta época: alimentação
abundante. Alojadas ao redor do lago principal, as aves têm à disposição,
além de vermes, moluscos e plantas aquáticas que compõem
o ecossistema, ração à base de milho. Para se ter uma idéia,
os tratadores deixam ali 300 quilos diários de ração, 100
a mais que no restante do ano. Outras
áreas verdes da cidade também abrigam aves viajantes. É o
caso dos 32 parques municipais, que, no total, representam 15 milhões de
metros quadrados de natureza, refúgio perfeito para exemplares de papa-moscas-joão-pires,
tesoura-do-brejo e verão, entre outros. "Eles vêm porque acham comida
grátis", brinca o ornitólogo paulistano Johan Dalgas Frisch, presidente
da Associação de Preservação da Vida Selvagem e autor
do livro Aves Brasileiras. "O verão macho, por exemplo, tem uma
bela penugem avermelhada. Nos meses de junho, julho e agosto, pode ser visto às
margens da Represa de Guarapiranga e nos parques do Ibirapuera e da Aclimação."
No fim de agosto, quando o inverno está quase terminando, os cerca de cinqüenta
pássaros dessa espécie que se hospedam em São Paulo voltam
para o sul do Brasil, Argentina e Uruguai, onde constroem seus ninhos e se reproduzem.
Suiriris, coleirinhas, tizius e bacuraus são outras aves que costumam passar
pela cidade nesta estação, embora raramente se alojem por aqui.
"Elas migram até a Amazônia. São Paulo apenas faz parte da
rota", explica Frisch. Fotos
Johan Dalgas Frisch
 |  | | Verão
e tesoura-do-brejo (à dir.): com sorte, é possível
observá-los nos parques da cidade |
Apaixonado por aves há quase sete décadas, o ornitólogo lamenta
que o paisagismo urbano não seja projetado para receber os pássaros.
"A partir dos anos 60, o número de espécies na cidade caiu muito",
diz Frisch. Para ele, a falha está na escolha das plantas. Há uma
exagerada preocupação com sua aparência e não se leva
em conta que são seus frutos e flores que atraem a fauna. "Para povoarmos
o céu da cidade, precisaríamos de muitas amoreiras, pitangueiras,
mangueiras, jabuticabeiras, caquizeiros..." Com mais árvores frutíferas,
quem sabe nossos hóspedes de inverno não se sentiriam mais em casa?
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