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ESPORTE Barradas
na USP Determinação polêmica
proíbe bicicletas na Cidade Universitária Marcella
Centofanti
Julio Vilela  |
| Faixa na entrada do campus: conflito entre motoristas
e ciclistas |
Na manhã do sábado
9, centenas de ciclistas tiveram uma amarga surpresa ao chegar com sua bike à
Cidade Universitária, no Butantã. Fincada próximo à
entrada principal, uma faixa amarela avisava que, a partir do próximo dia
25, apenas funcionários, professores e alunos da USP poderão pedalar
dentro do campus. Para quem usa a bicicleta como modalidade esportiva, a notícia
foi um tombo e tanto. A Cidade Universitária é ponto de encontro
de atletas e, segundo treinadores, o único lugar em São Paulo que
permite corridas de longa distância com segurança. Indignados, os
fanáticos pelo pedal dispararam e-mails, fizeram reuniões e marcaram
uma manifestação idéia que não foi levada adiante.
"As ruas são perigosas e os parques têm um movimento muito grande
de pedestres e animais", diz Ricardo Arap, professor da consultoria esportiva
Race e membro da Associação de Treinadores de Corrida (ATC), que
reúne cerca de setenta equipes. "O paulistano vai precisar sair de São
Paulo para praticar o esporte."
Julio Vilela  |
| Pelotão ao lado de um ônibus: cinco acidentes
por mês | A prefeitura da Cidade
Universitária alega motivos de segurança para justificar a proibição.
"Alguns grupos ocupam metade da rua, não respeitam o trânsito e xingam
os outros", afirma o prefeito, Wanderley Messias da Costa, referindo-se aos pelotões
que reúnem até cinqüenta pessoas e atingem velocidade de 50
quilômetros por hora. O suposto mau comportamento de atletas gera de uma
a três queixas por semana na ouvidoria-geral da USP. Motoristas de ônibus
reclamam constantemente. Além disso, são registrados em média
cinco acidentes por mês envolvendo bicicletas. "Sabemos que os problemas
são causados por uma minoria, mas não podemos tolerar agressões
sistemáticas a funcionários, alunos e professores", argumenta Costa,
que teria recebido perto de 100 e-mails, a maioria em tom de revolta, logo após
o aviso da proibição.
Julio Vilela  |
| A advogada Thais Becker: "Onde
vou praticar?" | A maior
concentração de bikes na USP é nas manhãs de terça
e quinta, quando ocorrem os treinos das equipes. Cerca de 1.000 atletas levam
sua magrela para lá das 5h30 às 8 da manhã. Há ainda
grupos noturnos e centenas de pessoas que não recebem orientação
formal. Com a proibição, apenas aos sábados será permitida
a entrada de todos (aos domingos a Cidade Universitária fica fechada).
A polêmica medida deixou treinadores em polvorosa. "Não podemos ficar
sem a USP", aflige-se Marcos Paulo Reis, ex-técnico da Seleção
Brasileira de Triatlo. Sua equipe conta com 300 ciclistas. Os treinadores das
equipes pretendem levar à prefeitura do campus uma lista de sugestões
para amenizar os atritos, como estipular horários, criar carteirinhas individuais
e acoplar placas numeradas nas bicicletas para identificar os imprudentes. A advogada
e consultora ambiental Thais Becker, pedaladora assídua há cinco
anos, torce para uma solução rápida. "Ciclismo é meu
único esporte. Sem a USP, onde vou praticar?"
| Escassas, curtas e malconservadas
Mario Rodrigues  |
| Ciclovia na Avenida Pedroso de Morais: apenas 26 quilômetros
na cidade toda | São Paulo tem
uma surpreendente frota de 4 milhões de bicicletas, pouco menor que a de
carros (5,3 milhões). Cerca de 300 000 circulam diariamente, segundo pesquisa
realizada em 2004 pela Caloi e pela Associação Nacional de Transportes
Públicos. Para 50% dos ciclistas, bicicletas são uma forma de lazer.
Outros 45% as utilizam como meio de transporte e 5% para prática de esporte.
Todos enfrentam maus bocados nas ruas. A cidade conta com apenas 26 quilômetros
de ciclovias. Desses, 20 estão em parques municipais a pista mais
recente foi construída há oito anos, no Parque do Carmo. "Nas ruas,
as ciclovias são curtas e malconservadas", afirma Ana Hoffman, engenheira
da Secretaria Municipal de Verde e do Meio Ambiente. A comparação
com outras cidades deixa claro o atraso. No Rio de Janeiro há 140 quilômetros
de áreas especiais para pedaladores e em Curitiba, 120. A capital que dispõe
da maior rede de ciclovias na América Latina é Bogotá, na
Colômbia, com 270 quilômetros. Em Paris, ciclistas têm à
disposição 314 quilômetros de vias exclusivas.
"Em uma cidade endividada e com trânsito caótico
como São Paulo é difícil fazer intervenções
radicais em algumas avenidas", diz Eduardo Jorge, secretário municipal
do Verde e do Meio Ambiente. Sua pasta negocia verba com o Banco Mundial para
estudar o comportamento dos ciclistas paulistanos e sua imagem entre motoristas
de carro, ônibus e caminhão. Depois dessa pesquisa, a prefeitura
pretende traçar programas de educação e planos para melhorar
o fluxo das bikes. Outro projeto da secretaria é instalar bicicletários
(estacionamentos especiais, com vigilância permanente) em prédios
públicos, terminais de ônibus e estações de trem e
metrô. "É o método mais rápido e eficaz para estimular
o uso", acredita Eduardo Jorge, que instalou um desses bicicletários na
sede da secretaria, no Paraíso, para onde vai pedalando desde sua casa,
na Vila Mariana, em um percurso diário de 4 quilômetros.
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