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20 de abril de 2005
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ESPORTE

Barradas na USP

Determinação polêmica proíbe
bicicletas na Cidade Universitária

Marcella Centofanti


Julio Vilela
Faixa na entrada do campus: conflito entre motoristas e ciclistas


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Fórum: O que você acha da proibição?

Na manhã do sábado 9, centenas de ciclistas tiveram uma amarga surpresa ao chegar com sua bike à Cidade Universitária, no Butantã. Fincada próximo à entrada principal, uma faixa amarela avisava que, a partir do próximo dia 25, apenas funcionários, professores e alunos da USP poderão pedalar dentro do campus. Para quem usa a bicicleta como modalidade esportiva, a notícia foi um tombo e tanto. A Cidade Universitária é ponto de encontro de atletas e, segundo treinadores, o único lugar em São Paulo que permite corridas de longa distância com segurança. Indignados, os fanáticos pelo pedal dispararam e-mails, fizeram reuniões e marcaram uma manifestação – idéia que não foi levada adiante. "As ruas são perigosas e os parques têm um movimento muito grande de pedestres e animais", diz Ricardo Arap, professor da consultoria esportiva Race e membro da Associação de Treinadores de Corrida (ATC), que reúne cerca de setenta equipes. "O paulistano vai precisar sair de São Paulo para praticar o esporte."


Julio Vilela
Pelotão ao lado de um ônibus: cinco acidentes por mês

A prefeitura da Cidade Universitária alega motivos de segurança para justificar a proibição. "Alguns grupos ocupam metade da rua, não respeitam o trânsito e xingam os outros", afirma o prefeito, Wanderley Messias da Costa, referindo-se aos pelotões que reúnem até cinqüenta pessoas e atingem velocidade de 50 quilômetros por hora. O suposto mau comportamento de atletas gera de uma a três queixas por semana na ouvidoria-geral da USP. Motoristas de ônibus reclamam constantemente. Além disso, são registrados em média cinco acidentes por mês envolvendo bicicletas. "Sabemos que os problemas são causados por uma minoria, mas não podemos tolerar agressões sistemáticas a funcionários, alunos e professores", argumenta Costa, que teria recebido perto de 100 e-mails, a maioria em tom de revolta, logo após o aviso da proibição.

Julio Vilela
A advogada Thais Becker: "Onde vou praticar?"


A maior concentração de bikes na USP é nas manhãs de terça e quinta, quando ocorrem os treinos das equipes. Cerca de 1.000 atletas levam sua magrela para lá das 5h30 às 8 da manhã. Há ainda grupos noturnos e centenas de pessoas que não recebem orientação formal. Com a proibição, apenas aos sábados será permitida a entrada de todos (aos domingos a Cidade Universitária fica fechada). A polêmica medida deixou treinadores em polvorosa. "Não podemos ficar sem a USP", aflige-se Marcos Paulo Reis, ex-técnico da Seleção Brasileira de Triatlo. Sua equipe conta com 300 ciclistas. Os treinadores das equipes pretendem levar à prefeitura do campus uma lista de sugestões para amenizar os atritos, como estipular horários, criar carteirinhas individuais e acoplar placas numeradas nas bicicletas para identificar os imprudentes. A advogada e consultora ambiental Thais Becker, pedaladora assídua há cinco anos, torce para uma solução rápida. "Ciclismo é meu único esporte. Sem a USP, onde vou praticar?"

 

Escassas, curtas e malconservadas

Mario Rodrigues
Ciclovia na Avenida Pedroso de Morais: apenas 26 quilômetros na cidade toda

São Paulo tem uma surpreendente frota de 4 milhões de bicicletas, pouco menor que a de carros (5,3 milhões). Cerca de 300 000 circulam diariamente, segundo pesquisa realizada em 2004 pela Caloi e pela Associação Nacional de Transportes Públicos. Para 50% dos ciclistas, bicicletas são uma forma de lazer. Outros 45% as utilizam como meio de transporte e 5% para prática de esporte. Todos enfrentam maus bocados nas ruas. A cidade conta com apenas 26 quilômetros de ciclovias. Desses, 20 estão em parques municipais – a pista mais recente foi construída há oito anos, no Parque do Carmo. "Nas ruas, as ciclovias são curtas e malconservadas", afirma Ana Hoffman, engenheira da Secretaria Municipal de Verde e do Meio Ambiente. A comparação com outras cidades deixa claro o atraso. No Rio de Janeiro há 140 quilômetros de áreas especiais para pedaladores e em Curitiba, 120. A capital que dispõe da maior rede de ciclovias na América Latina é Bogotá, na Colômbia, com 270 quilômetros. Em Paris, ciclistas têm à disposição 314 quilômetros de vias exclusivas.

"Em uma cidade endividada e com trânsito caótico como São Paulo é difícil fazer intervenções radicais em algumas avenidas", diz Eduardo Jorge, secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente. Sua pasta negocia verba com o Banco Mundial para estudar o comportamento dos ciclistas paulistanos e sua imagem entre motoristas de carro, ônibus e caminhão. Depois dessa pesquisa, a prefeitura pretende traçar programas de educação e planos para melhorar o fluxo das bikes. Outro projeto da secretaria é instalar bicicletários (estacionamentos especiais, com vigilância permanente) em prédios públicos, terminais de ônibus e estações de trem e metrô. "É o método mais rápido e eficaz para estimular o uso", acredita Eduardo Jorge, que instalou um desses bicicletários na sede da secretaria, no Paraíso, para onde vai pedalando desde sua casa, na Vila Mariana, em um percurso diário de 4 quilômetros.

     
   
 
 
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