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COMUNICAÇÃO
What is this?! Pesquisa mostra atentados ao inglês
e ao português em placas e anúncios Nana Caetano
Muita gente acredita que batizar
estabelecimentos, produzir placas ou mesmo fazer anúncios com expressões
em inglês dá um ar sofisticado ao negócio. Só isso
explicaria a profusão de lugares que nem sequer usam palavras em português
em seus materiais e, mais grave, muitas vezes cometem erros grosseiros de gramática
e sentido. Há dois anos, a professora de inglês Inara Couto, da escola
Cel-Lep, saiu pela cidade fotografando essas agressões à língua
de Shakespeare. Colecionou 500 estrangeirismos e transformou a aventura em uma
dissertação de mestrado na Universidade de Birminghan, na Inglaterra.
Sua idéia é publicar o trabalho em um livro paradidático.
"Essa mania cria um novo analfabetismo", diz. "Além de difundir um dialeto
que nem inglês correto é." É
claro que não passa pela cabeça da pesquisadora fazer campanha a
favor da proibição do uso de palavras estrangeiras, como propõe
o projeto de lei do ministro Aldo Rebelo. "Se a população ao menos
tivesse acesso a um estudo básico da língua inglesa, poderia, além
de entender o que essas placas dizem, perceber seus erros", afirma Inara. Ela
conta que o fato de as línguas se misturarem não é recente.
A palavra chute, por exemplo, vem do inglês shoot, que significa
atirar. "No início do século XX, era assim que ela era grafada por
aqui." Para o jornalista Eduardo Martins, autor do Manual de Redação
e Estilo do jornal O Estado de S. Paulo, não há problemas
no uso de palavras estrangeiras quando elas não têm substituto em
português, a exemplo de marketing e mouse. "Nos outros casos, como dizer
sale ou off em vez de liquidação e descontos, é
um deslumbramento desnecessário." O professor Pasquale Cipro Neto vai além:
"Substituir palavras que existem em português por outras em inglês
é exibicionismo público, macaquice e sinal de subdesenvolvimento".
O.k.? |