Publicidade
 

 
 


20 de abril de 2005
PERFIL
LAZER
ESPORTE
COMUNICAÇÃO
EDUCAÇÃO
NOITE
DOCE
CIDADE
MEU ESTILO
AS BOAS COMPRAS
MISTÉRIOS DA CIDADE
TERRAÇO PAULISTANO
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
  

CIDADE

Como nos anos dourados

Quase sessentão, o Bar Brahma volta
a atrair o público com seus shows

Ricardo Moreno

 
Heudes Régis
Apresentação da cantora Ângela Maria: platéia formada por novos e antigos habitués

Depois de ter o nome trocado, permanecer fechado entre 1998 e 2001 e quase virar templo evangélico, o Bar Brahma voltou a ser o espaço fervilhante de outros tempos. Há quatro anos sob o comando dos empresários Álvaro Aoas e Luis Marcelo Lacerda, a casa está atualmente com suas quarenta mesas quase sempre ocupadas. Nas bandejas, garçons equilibram mais de 60 000 copos de chope por mês. É um fenômeno. O Brahma figura entre os cinco bares e restaurantes que apresentam a maior venda da bebida na cidade. Desde novembro na programação de shows, o cantor Cauby Peixoto mostrou-se um campeão de público. Todas as suas apresentações deste mês estão lotadas. "Conseguimos atrair gente jovem e resgatar os antigos habitués", diz Aoas. Não raro, há famosos na platéia. No último dia 4 – dois dias após a morte do papa João Paulo II, portanto –, o padre Antônio Maria foi ver a performance da cantora Ângela Maria. De batina e tudo, aproveitou para dar uma canja ao microfone. Um boêmio que costuma aparecer por lá é o cartunista carioca Jaguar. "Recentemente, precisei até de pistolão para conseguir uma mesa", conta.

 
Heudes Régis
A entrada da Avenida São João e a antiga fachada, na década de 50 (abaixo): ambiente eclético e animado
Divulgação

No ambiente mágico dos anos dourados paulistanos, o Bar Brahma reinou por muitos anos, quase que absoluto. Inaugurado pelo empresário alemão Henrique Hillebrecht em 1948, na famosa esquina da Avenida São João com a Ipiranga, rapidamente se tornou reduto de intelectuais, artistas, fazendeiros e políticos. Uma de suas portas, no número 677 da Avenida São João, dava acesso ao salão principal, no qual elegantes casais se distraíam com um caprichado repertório de valsa, bolero e tango. Em sua outra entrada, no 787 da Avenida Ipiranga, ficava o bar, enfumaçado e de atmosfera mais intimista. Por ali passaram personalidades tão distintas como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na época professor de ciência política da USP, e o sambista Ary Barroso, já célebre por sua composição de Aquarela do Brasil. A lista de freqüentadores era longa: Vicente Celestino, Orlando Silva, Jânio Quadros, Adoniran Barbosa, Clementina de Jesus...

"Pessoas de todas as classes sociais dividiam o mesmo espaço", lembra o advogado José Roberto Melhem, presidente do Condephaat e cliente desde os anos 1960. Naquela época áurea, havia ainda as noites com Dick Farney na boate Baiuca, os almoços no Salada Paulista, as animadas gafieiras no Som de Cristal e as mesinhas na calçada do Barbazul. Nenhum deles sobreviveu ao tempo. "Os bares refletem a vida da cidade", atestou, certa vez, o escritor Marcos Rey. Dentre esses clássicos, o Brahma é o único que, apesar de muitos tropeços, se mantém orgulhosamente de pé.

Bar Brahma (360 lugares). Avenida São João, 677, centro, 3333-0855, Metrô República. X Cc.: todos. Estac. c/manobr. (R$ 10,00).

 

Aposta na velha-guarda

As atrações da esquina mais famosa da cidade

Renata Ursaia


* Cauby Peixoto*
segunda, 22h30, R$ 30,00

* Jair Rodrigues*
terça, 22h30, R$ 30,00

* Demônios da Garoa
quarta, 22h30, R$ 30,00;
domingo, 14h30, R$ 30,00

* Ivete Souza e Rudi Ghermano quinta, 19h, R$ 7,00

* Julius Mardan & Banda
quinta, 22h30, R$ 15,00

* Danilo Brito e Varanda Paulista
sexta, 19h, R$ 7,00;
domingo, 21h, R$ 7,00

* Klebão & Naninha
sábado, 14h30, R$ 15,00

* Maurício Lira
sábado, 20h, R$ 7,00

* Thulla
sábado, 23h, R$ 15,00

*Reservas apenas para maio

     
   
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados