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CIDADE Como
nos anos dourados Quase sessentão, o Bar Brahma volta
a atrair o público com seus shows Ricardo Moreno Heudes
Régis
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Apresentação da cantora Ângela Maria: platéia formada por novos e antigos habitués
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Depois de ter o nome trocado, permanecer
fechado entre 1998 e 2001 e quase virar templo evangélico, o Bar Brahma
voltou a ser o espaço fervilhante de outros tempos. Há quatro anos
sob o comando dos empresários Álvaro Aoas e Luis Marcelo Lacerda,
a casa está atualmente com suas quarenta mesas quase sempre ocupadas. Nas
bandejas, garçons equilibram mais de 60 000 copos de chope por mês.
É um fenômeno. O Brahma figura entre os cinco bares e restaurantes
que apresentam a maior venda da bebida na cidade. Desde novembro na programação
de shows, o cantor Cauby Peixoto mostrou-se um campeão de público.
Todas as suas apresentações deste mês estão lotadas.
"Conseguimos atrair gente jovem e resgatar os antigos habitués", diz Aoas.
Não raro, há famosos na platéia. No último dia 4
dois dias após a morte do papa João Paulo II, portanto , o
padre Antônio Maria foi ver a performance da cantora Ângela Maria.
De batina e tudo, aproveitou para dar uma canja ao microfone. Um boêmio
que costuma aparecer por lá é o cartunista carioca Jaguar. "Recentemente,
precisei até de pistolão para conseguir uma mesa", conta. Heudes
Régis
 | | A
entrada da Avenida São João e a antiga fachada, na década
de 50 (abaixo): ambiente eclético e animado | Divulgação
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No
ambiente mágico dos anos dourados paulistanos, o Bar Brahma reinou por
muitos anos, quase que absoluto. Inaugurado pelo empresário alemão
Henrique Hillebrecht em 1948, na famosa esquina da Avenida São João
com a Ipiranga, rapidamente se tornou reduto de intelectuais, artistas, fazendeiros
e políticos. Uma de suas portas, no número 677 da Avenida São
João, dava acesso ao salão principal, no qual elegantes casais se
distraíam com um caprichado repertório de valsa, bolero e tango.
Em sua outra entrada, no 787 da Avenida Ipiranga, ficava o bar, enfumaçado
e de atmosfera mais intimista. Por ali passaram personalidades tão distintas
como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na época professor de ciência
política da USP, e o sambista Ary Barroso, já célebre por
sua composição de Aquarela do Brasil. A lista de freqüentadores
era longa: Vicente Celestino, Orlando Silva, Jânio Quadros, Adoniran Barbosa,
Clementina de Jesus... "Pessoas de todas as classes
sociais dividiam o mesmo espaço", lembra o advogado José Roberto
Melhem, presidente do Condephaat e cliente desde os anos 1960. Naquela época
áurea, havia ainda as noites com Dick Farney na boate Baiuca, os almoços
no Salada Paulista, as animadas gafieiras no Som de Cristal e as mesinhas na calçada
do Barbazul. Nenhum deles sobreviveu ao tempo. "Os bares refletem a vida da cidade",
atestou, certa vez, o escritor Marcos Rey. Dentre esses clássicos, o Brahma
é o único que, apesar de muitos tropeços, se mantém
orgulhosamente de pé. Bar Brahma (360
lugares). Avenida São João, 677, centro,
3333-0855, Metrô República. X Cc.: todos. Estac. c/manobr. (R$ 10,00).
Aposta
na velha-guarda As atrações da esquina
mais famosa da cidade
Renata
Ursaia
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*
Cauby Peixoto* segunda, 22h30, R$ 30,00
*
Jair Rodrigues* terça, 22h30, R$ 30,00
* Demônios da Garoa quarta, 22h30, R$ 30,00; domingo, 14h30, R$
30,00 * Ivete Souza e Rudi Ghermano quinta, 19h,
R$ 7,00 * Julius Mardan & Banda quinta,
22h30, R$ 15,00 * Danilo Brito e Varanda Paulista
sexta, 19h, R$ 7,00; domingo, 21h, R$ 7,00
* Klebão & Naninha sábado, 14h30, R$ 15,00
* Maurício Lira sábado, 20h, R$ 7,00
* Thulla sábado, 23h, R$ 15,00 *Reservas
apenas para maio |
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