De mudança

Marta Suplicy anuncia que vai trocar o
Palácio das Indústrias pelo Banespinha

Erika Sallum

 
Fotos Mário Rodrigues

O Banespinha, na Praça do Patriarca, ex-Edifício Matarazzo: fachada de mármore italiano

1

Um belo jardim ornamenta o topo do prédio. Localizado no 14º andar, a 80 metros do solo, preserva pessegueiros, caquizeiros, goiabeiras e pés de café. Há até um laguinho com carpas


2
Com vista para o Anhangabaú, o 5º andar deve abrigar o gabinete da prefeita. Em 1939, ele foi ocupado pelo conde Francisco Matarazzo, que mandou revestir de couro as paredes do saguão (abaixo)

3

A prefeita Marta Suplicy jamais disfarçou sua implicância com o Palácio das Indústrias, atual sede do governo municipal. "É um lugar inadequado", disse ela diversas vezes sobre o prédio localizado no Parque Dom Pedro II, fazendo coro com seus antecessores Celso Pitta e Paulo Maluf (veja quadro). Erguida nos anos 20 para servir de centro de exposições agrícolas e industriais, a construção de estilo duvidoso, com suas instalações improvisadas, é mal ocupada e descuidada. Já foram vistos ratos em seus corredores com infiltração. Um acordo entre o município e o grupo Santander Banespa, no entanto, pode transferir o gabinete da prefeitura para a Praça do Patriarca. É ali, ao lado do Viaduto do Chá, que fica o antigo Edifício Matarazzo, mais conhecido como Banespinha. Com catorze andares e 27.800 metros quadrados de área construída, ele será cedido à prefeitura como parte da renegociação da dívida de 885 milhões de reais que a São Paulo Transportes (SPTrans) tinha com o Banespa. Contraída na compra de 750 ônibus durante a gestão de Mário Covas (1983-1985), a dívida nunca foi quitada. Havia mais de dez anos que o banco brigava na Justiça para que o governo municipal fizesse o pagamento. Como essa batalha poderia estender-se por décadas, as duas partes resolveram agora entrar em acordo. Ficou decidido que o município passa a dever 156 milhões de reais, a ser pagos em quatro anos.

O Santander Banespa ganha o direito de competir pelas contas dos funcionários públicos, hoje monopólio do Banco do Brasil. Em contrapartida, o Banespinha será ocupado pelo gabinete de Marta em regime de comodato. Assim que a dívida for saldada, o imóvel se torna propriedade da prefeitura. A renegociação ainda tem de ser aprovada pela Câmara dos Vereadores. Se isso ocorrer, o edifício deve estar disponível a partir de agosto e, até o fim do ano, a sede da prefeitura poderá funcionar no local.

Inaugurado em 1939, o Banespinha foi construído para ser sede das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. Placas de mármore trazidas especialmente da Itália revestem as paredes externas. No saguão principal, há portas de jacarandá-paulista e balcões de granito negro. Com a decadência econômica do grupo, o imóvel foi para as mãos de outras empresas e em 1974 ficou com o banco. Apesar de não ter o mesmo glamour de antigamente, o prédio ainda conserva seu charme. Principalmente o 5º andar, no qual ficava o escritório do conde Francisco Matarazzo Júnior e onde, provavelmente, a prefeita vai instalar-se. Nele, algumas salas são revestidas de madeira e couro suíno. De seu novo gabinete, ela poderá desfrutar uma belíssima vista do Anhangabaú. Terá ainda à disposição um tranqüilo jardim com árvores frutíferas, plantas ornamentais e um laguinho com carpas localizado no topo. "A mudança anuncia, sem dúvida, uma maior revitalização da área", diz Marco Antonio Ramos de Almeida, presidente da Associação Viva o Centro. "Só que, para isso, o governo tem de se empenhar de verdade. Caso contrário, a região acabará como o Palácio das Indústrias."

 

Novos planos para o velho mal-amado

Flavio Torres

Palácio das Indústrias: futuro centro de convenções


Repudiado por Maluf, Pitta e, agora, Marta Suplicy, o Palácio das Indústrias deve voltar a sua função original após a saída da prefeitura: ser um centro de convenções e exposições. Com arquitetura esquisita, que lembra uma fortaleza medieval, o imóvel nunca agradou aos prefeitos que o ocuparam – com exceção de Luiza Erundina, a responsável pela mudança do governo municipal do Parque do Ibirapuera para o Parque Dom Pedro II. Erundina ficou ali apenas durante o último mês do mandato, e seu projeto de erguer um anexo para abrigar todas as secretarias jamais saiu do papel.

A administração do palácio passa para a Anhembi Turismo. "Faremos do prédio uma área de congressos e seminários", diz Eduardo Sanovicz, presidente da empresa. A vizinha Casa das Retortas, onde funcionam algumas repartições da prefeitura, poderá abrigar feiras comerciais. A reforma das duas construções deve durar onze meses e custar cerca de 8 milhões de reais. Outro projeto pretende revitalizar o deteriorado Parque Dom Pedro II.

 

VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Curitiba
Veja BH | Veja Fortaleza | Veja Porto Alegre | Veja Recife
Edições Especiais | Especiais on-line | Estação Veja