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De
mudança
Marta
Suplicy anuncia que vai trocar o
Palácio
das Indústrias pelo Banespinha
Erika
Sallum
Fotos Mário Rodrigues

O
Banespinha, na Praça do Patriarca, ex-Edifício
Matarazzo: fachada de mármore italiano |
A prefeita
Marta Suplicy jamais disfarçou sua implicância
com o Palácio das Indústrias, atual sede do
governo municipal. "É um lugar inadequado", disse ela
diversas vezes sobre o prédio localizado no Parque
Dom Pedro II, fazendo coro com seus antecessores Celso Pitta
e Paulo Maluf (veja quadro). Erguida
nos anos 20 para servir de centro de exposições
agrícolas e industriais, a construção
de estilo duvidoso, com suas instalações improvisadas,
é mal ocupada e descuidada. Já foram vistos
ratos em seus corredores com infiltração. Um
acordo entre o município e o grupo Santander Banespa,
no entanto, pode transferir o gabinete da prefeitura para
a Praça do Patriarca. É ali, ao lado do Viaduto
do Chá, que fica o antigo Edifício Matarazzo,
mais conhecido como Banespinha. Com catorze andares e 27.800
metros quadrados de área construída, ele será
cedido à prefeitura como parte da renegociação
da dívida de 885 milhões de reais que a São
Paulo Transportes (SPTrans) tinha com o Banespa. Contraída
na compra de 750 ônibus durante a gestão de Mário
Covas (1983-1985), a dívida nunca foi quitada. Havia
mais de dez anos que o banco brigava na Justiça para
que o governo municipal fizesse o pagamento. Como essa batalha
poderia estender-se por décadas, as duas partes resolveram
agora entrar em acordo. Ficou decidido que o município
passa a dever 156 milhões de reais, a ser pagos em
quatro anos.
O Santander
Banespa ganha o direito de competir pelas contas dos funcionários
públicos, hoje monopólio do Banco do Brasil.
Em contrapartida, o Banespinha será ocupado pelo gabinete
de Marta em regime de comodato. Assim que a dívida
for saldada, o imóvel se torna propriedade da prefeitura.
A renegociação ainda tem de ser aprovada pela
Câmara dos Vereadores. Se isso ocorrer, o edifício
deve estar disponível a partir de agosto e, até
o fim do ano, a sede da prefeitura poderá funcionar
no local.
Inaugurado
em 1939, o Banespinha foi construído para ser sede
das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo. Placas
de mármore trazidas especialmente da Itália
revestem as paredes externas. No saguão principal,
há portas de jacarandá-paulista e balcões
de granito negro. Com a decadência econômica do
grupo, o imóvel foi para as mãos de outras empresas
e em 1974 ficou com o banco. Apesar de não ter o mesmo
glamour de antigamente, o prédio ainda conserva seu
charme. Principalmente o 5º andar, no qual ficava o escritório
do conde Francisco Matarazzo Júnior e onde, provavelmente,
a prefeita vai instalar-se. Nele, algumas salas são
revestidas de madeira e couro suíno. De seu novo gabinete,
ela poderá desfrutar uma belíssima vista do
Anhangabaú. Terá ainda à disposição
um tranqüilo jardim com árvores frutíferas,
plantas ornamentais e um laguinho com carpas localizado no
topo. "A mudança anuncia, sem dúvida, uma maior
revitalização da área", diz Marco Antonio
Ramos de Almeida, presidente da Associação Viva
o Centro. "Só que, para isso, o governo tem de se empenhar
de verdade. Caso contrário, a região acabará
como o Palácio das Indústrias."
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Novos
planos para o
velho mal-amado
Flavio Torres

Palácio
das Indústrias: futuro centro de convenções |
Repudiado por Maluf, Pitta e, agora, Marta Suplicy,
o Palácio das Indústrias deve voltar a
sua função original após a saída
da prefeitura: ser um centro de convenções
e exposições. Com arquitetura esquisita,
que lembra uma fortaleza medieval, o imóvel nunca
agradou aos prefeitos que o ocuparam com exceção
de Luiza Erundina, a responsável pela mudança
do governo municipal do Parque do Ibirapuera para o
Parque Dom Pedro II. Erundina ficou ali apenas durante
o último mês do mandato, e seu projeto
de erguer um anexo para abrigar todas as secretarias
jamais saiu do papel.
A administração do palácio passa
para a Anhembi Turismo. "Faremos do prédio uma
área de congressos e seminários", diz
Eduardo Sanovicz, presidente da empresa. A vizinha Casa
das Retortas, onde funcionam algumas repartições
da prefeitura, poderá abrigar feiras comerciais.
A reforma das duas construções deve durar
onze meses e custar cerca de 8 milhões de reais.
Outro projeto pretende revitalizar o deteriorado Parque
Dom Pedro II.
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