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POLÍCIA
O
golpe da bolsa
Alguém
anda aproveitando a distração de
clientes para furtar em salões de beleza
Valéria
França
Um
novo tipo de golpe está dando muita dor de cabeça
às freqüentadoras dos melhores salões de beleza
da cidade. Enquanto as clientes se produzem, uma mulher bem-vestida
circula por ali como se estivesse aguardando uma amiga ou a vez
de ser atendida. Na verdade, espera uma oportunidade para levar
a bolsa de alguém. O principal alvo são as de marcas
famosas, como a francesa Louis Vuitton, cujos modelos mais caros
podem custar até 3.000 reais.
Freguesas já foram vítimas no L'Officiel, no L'Equipe
e no Jacques Janine. "Ao mudar de lugar, a cliente acaba se descuidando
de suas coisas", afirma Leandro Pascotto, um dos sócios do
L'Officiel. "É quando acontece o furto." Em sua filial do
Itaim, uma mulher foi flagrada por um funcionário pegando
uma Louis Vuitton e deixando no lugar outra parecida, porém
ordinária. "Apenas dissemos que ela havia se enganado de
bolsa", conta Pascotto. A mulher não discutiu e até
pediu desculpas. Desfez a troca e foi embora.
No
início do ano, uma noiva estava fazendo um teste de penteado
no L'Equipe, nos Jardins, quando sua bolsa desapareceu. Dentro estavam
documentos, cartões de crédito e as alianças
do casamento. "Foi uma tragédia", lembra Françoise
Merlino, sócia do estabelecimento, que acalmou a freguesa
com um banho de ervas. "Mesmo que tenhamos suspeitas, não
podemos barrar ninguém, pois seríamos acusados de
discriminação." Alguns cabeleireiros tomaram medidas
para tentar inibir a ação das criminosas. Intensificaram
a segurança com câmaras ocultas, espalharam cartazes
de alerta e orientaram as recepcionistas para não deixar
ninguém entrar sem que preencha um cadastro. Seguranças,
agora procurando disfarçar-se, também ficam de olho,
principalmente nos dias de movimento intenso. A rede Jacques Janine,
espalhada em 35 pontos da cidade, começou a instalar armários
individuais. "Mas não é todo mundo que gosta de deixar
a bolsa trancada", explica Wilson Verilo, dono do salão do
Shopping Eldorado. No 78º Distrito Policial, na região
dos Jardins, onde acontece a maioria dos furtos, poucas ocorrências
foram registradas. "As pessoas não dão queixa", diz
a delegada Nair Silva de Castro Andrade. "Se tívessemos ajuda,
poderíamos fazer um retrato de alguém suspeito."
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