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19 de junho de 2002
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POLÍCIA

O golpe da bolsa

Alguém anda aproveitando a distração de
clientes para furtar em salões de beleza

Valéria França

 

igues
Fotos Mario Rodrigues
Cartaz adverte freqüentadoras para manter bolsas à vista no L'Officiel e o guarda-volumes do Jacques Janine: medidas para evitar prejuízos à freguesia

Um novo tipo de golpe está dando muita dor de cabeça às freqüentadoras dos melhores salões de beleza da cidade. Enquanto as clientes se produzem, uma mulher bem-vestida circula por ali como se estivesse aguardando uma amiga ou a vez de ser atendida. Na verdade, espera uma oportunidade para levar a bolsa de alguém. O principal alvo são as de marcas famosas, como a francesa Louis Vuitton, cujos modelos mais caros podem custar até 3.000 reais. Freguesas já foram vítimas no L'Officiel, no L'Equipe e no Jacques Janine. "Ao mudar de lugar, a cliente acaba se descuidando de suas coisas", afirma Leandro Pascotto, um dos sócios do L'Officiel. "É quando acontece o furto." Em sua filial do Itaim, uma mulher foi flagrada por um funcionário pegando uma Louis Vuitton e deixando no lugar outra parecida, porém ordinária. "Apenas dissemos que ela havia se enganado de bolsa", conta Pascotto. A mulher não discutiu e até pediu desculpas. Desfez a troca e foi embora.

No início do ano, uma noiva estava fazendo um teste de penteado no L'Equipe, nos Jardins, quando sua bolsa desapareceu. Dentro estavam documentos, cartões de crédito e as alianças do casamento. "Foi uma tragédia", lembra Françoise Merlino, sócia do estabelecimento, que acalmou a freguesa com um banho de ervas. "Mesmo que tenhamos suspeitas, não podemos barrar ninguém, pois seríamos acusados de discriminação." Alguns cabeleireiros tomaram medidas para tentar inibir a ação das criminosas. Intensificaram a segurança com câmaras ocultas, espalharam cartazes de alerta e orientaram as recepcionistas para não deixar ninguém entrar sem que preencha um cadastro. Seguranças, agora procurando disfarçar-se, também ficam de olho, principalmente nos dias de movimento intenso. A rede Jacques Janine, espalhada em 35 pontos da cidade, começou a instalar armários individuais. "Mas não é todo mundo que gosta de deixar a bolsa trancada", explica Wilson Verilo, dono do salão do Shopping Eldorado. No 78º Distrito Policial, na região dos Jardins, onde acontece a maioria dos furtos, poucas ocorrências foram registradas. "As pessoas não dão queixa", diz a delegada Nair Silva de Castro Andrade. "Se tívessemos ajuda, poderíamos fazer um retrato de alguém suspeito."

         
     
 
 
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