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NEGÓCIOS
O
gigante da Marginal
Alcantara
Machado prepara ampliação
do Anhembi, o
maior centro de eventos
da América Latina
Alessandro
Duarte
Rogerio Albuquerque
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| Caio
de Alcantara Machado, em seu escritório: jacarés
para dar sorte |
Em
seu escritório num casarão no bairro de Santa Cecília,
Caio de Alcantara Machado trabalha rodeado de jacarés. São
1.200 estátuas, gravuras, pinturas,
desenhos... O animal, segundo o empresário, traz sorte. Em
1957, quando idealizou a primeira feira de negócios do país,
a Fenit, lutava contra a desconfiança de parceiros. Apesar
das críticas, alardeava aos quatro ventos: "Deixa correr,
ainda vai dar jacaré!" Não deu. "Ninguém queria
saber de pagar entrada para ter de comprar coisa alguma", lembra.
Ele insistiu. A partir do início da década de 60,
o negócio começou a prosperar. E não parou
mais. No ano passado, sua empresa, a Alcantara Machado, organizou
trinta dos 100 eventos desse tipo sediados na cidade um mercado
que movimentou 2,6 bilhões de reais. De olho nesses números
gordos, a Alcantara Machado prepara mais um salto. A companhia está
construindo um novo centro de feiras e eventos no Anhembi, previsto
para ser inaugurado em 2004. A obra inclui também a conclusão
do hotel às margens do Rio Tietê, aquele fantasma de
concreto ao lado do Sambódromo.
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| O
projeto do novo Anhembi, com o hotel e o espaço para
eventos (no alto), a futura praça de alimentação
e um Salão do Automóvel imaginário: investimentos
de 280 milhões de reais |
Projetado
pelos arquitetos Miguel Juliano e Jorge Wilheim (atual secretário
de Planejamento Urbano do município) para receber visitantes
de feiras e convenções, a construção
foi interrompida em 1974, quatro anos depois do início. Agora
deve finalmente sair da lista dos edifícios fantasmas da
cidade, que conta com o prédio da Eletropaulo, na Marginal
Pinheiros, o do Tribunal Regional do Trabalho, na Barra Funda, e
o do Instituto da Mulher, na Avenida Doutor Arnaldo. Terá
780 apartamentos e um estacionamento com 2.000
vagas. Os investimentos são calculados em 280 milhões
de reais. Para levantar esse dinheiro, foi lançado um fundo
de investimento imobiliário, sistema no qual o investidor
compra cotas de uma propriedade na forma de lotes de ações.
O novo pavilhão de eventos terá 33.000
metros quadrados. O antigo possui uma área duas vezes maior,
mas enfrenta problemas graves: não há ar condicionado
nem cabos de fibra óptica (que permitiriam ligações
telefônicas mais rápidas e melhoria na qualidade da
transmissão de dados via internet), o sistema de ventilação
é falho, as vagas no estacionamento são insuficientes
e as instalações elétricas e hidráulicas
estão danificadas. Em feiras grandes, como a Fenit ou o Salão
do Automóvel, os dois locais poderão ser usados simultaneamente.
As
feiras são um excelente negócio para a cidade. Algumas
são responsáveis por esgotar a capacidade hoteleira
paulistana. Mas não é só a hotelaria que vê
a cor do dinheiro. Casas de espetáculos, restaurantes, shopping
centers e até taxistas recebem seu quinhão. Um grande
evento chega a movimentar 52 setores da economia. "Quem viaja com
despesas pagas pela empresa acaba gastando também em diversão
e compras", afirma Roberto Gheler, presidente da São Paulo
Convention & Visitors Bureau. A média de gastos do visitante
de negócios em São Paulo é de 288 dólares
por dia. Um turista comum não desembolsa mais de 110 dólares.
Faz trinta anos que Caio de Alcantara Machado sonha ver seu hotel
faturando parte desse dinheiro. "Já estou pensando até
em ampliá-lo", diz, certo, novamente, de que vai dar jacaré.
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Bilhões
em jogo
São Paulo sedia anualmente cerca de 100 feiras de negócios
trinta organizadas pela Alcantara Machado
76% das feiras do país são realizadas na cidade
O turismo de negócios traz 4,2 milhões de visitantes
por ano à capital
O turista de negócios gasta, em média, 288 dólares
por dia, mais que o dobro do que despende o viajante de lazer
Em 2000, o setor movimentou 2,6 bilhões de reais
Fontes: Anhembi Turismo e São Paulo
Convention & Visitors Bureau
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