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AMBIENTE
O quebra-galho
Há uma árvore no meio do caminho?
Chame André Ostermayer
Sandra Soares
Fotos Daniela Toviansky
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| Ostermayer: transplantes de madrugada |
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André Ostermayer trabalha normalmente sob
vaias. Esse engenheiro florestal paulistano de 36 anos é
especialista em transplante de árvores e se habituou ao furor
que sua aparição, de motosserra em punho, provoca
nas pessoas. Convocado com freqüência para transferir
plantas de terrenos que receberão obras privadas ou públicas,
ele enfrenta protestos de moradores temerosos de perder o verde
nas proximidades de casa. Quando isso ocorre, costuma explicar que
na maior parte dos casos as árvores são replantadas
perto de onde estavam e que, para muitas delas, a mudança
traz benefícios. Os cerca de 120 exemplares que saíram
do pedaço de chão onde hoje passa o corredor de ônibus
da Avenida Ibirapuera, por exemplo, se livraram dos antigos trilhos
de bonde que seguravam suas raízes debaixo do asfalto. Levados
para outro ponto da mesma avenida, têm mais condições
de se desenvolver.
Foi Ostermayer quem retirou nove paus-ferro da Avenida
Nove de Julho, em 2004, durante a reforma de seu corredor de ônibus.
Também se encarregou do transplante de cerca de quarenta
árvores que estavam no terreno do Auditório do Ibirapuera.
Ele já conhecia bem os bosques do parque. Um dos dois engenheiros
de São Paulo com permissão para mexer nos quase intocáveis
projetos de Burle Marx (1909-1994), ele cuidou durante três
anos da restauração dos jardins do Museu de Arte Moderna,
projetados pelo paisagista. "Ostermayer é o único
que fez um estágio conosco, de três anos, aqui no Rio
de Janeiro", diz Hauyoshi Ono, diretor da Burle Marx Companhia.
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| Avenida Rebouças, 3887: em 2004, o
endereço recebeu um exemplar de pau-ferro da Nove de
Julho |
Faria Lima: durante as obras de extensão,
moradores pediram que o jequitibá ficasse, e o traçado
da avenida mudou |
Ostermayer consegue arrumar confusão até
quando, em vez de retirar, vai plantar árvores. No ano passado,
teve cerca de 120 mudas apreendidas por fiscais da prefeitura quando
tentava colocá-las nos canteiros centrais da Avenida 23 de
Maio. Ele e cinco funcionários de sua equipe foram ameaçados
de prisão. Estavam apenas cumprindo uma determinação
do próprio município: assentar 450 mudas na região
da Bela Vista como compensação pelo corte de árvores
provocado pela construção de um condomínio.
"O trânsito de São Paulo é tão pesado
que se prevê a diminuição dos canteiros para
abrir mais espaço aos carros", afirma. "Não adianta
plantar uma árvore ali para ter de removê-la depois."
Transferir um único espécime de grande
porte custa de 2 000 a 10 000 reais. O trabalho exige guindastes
e carretas. Geralmente é realizado de madrugada, para evitar
congestionamentos. Algumas vezes, no entanto, o nó no tráfego
é inevitável. Tanto que uma das maiores vaias que
Ostermayer recebeu foi por parar, às 3 da manhã, o
trânsito na Marginal Pinheiros. O culpado? Um pau-ferro de
20 metros de altura e 12 toneladas.
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