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19 de abril de 2006
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O quebra-galho

Há uma árvore no meio do caminho?
Chame André Ostermayer

Sandra Soares

Fotos Daniela Toviansky
Ostermayer: transplantes de madrugada
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André Ostermayer trabalha normalmente sob vaias. Esse engenheiro florestal paulistano de 36 anos é especialista em transplante de árvores e se habituou ao furor que sua aparição, de motosserra em punho, provoca nas pessoas. Convocado com freqüência para transferir plantas de terrenos que receberão obras privadas ou públicas, ele enfrenta protestos de moradores temerosos de perder o verde nas proximidades de casa. Quando isso ocorre, costuma explicar que na maior parte dos casos as árvores são replantadas perto de onde estavam e que, para muitas delas, a mudança traz benefícios. Os cerca de 120 exemplares que saíram do pedaço de chão onde hoje passa o corredor de ônibus da Avenida Ibirapuera, por exemplo, se livraram dos antigos trilhos de bonde que seguravam suas raízes debaixo do asfalto. Levados para outro ponto da mesma avenida, têm mais condições de se desenvolver.

Foi Ostermayer quem retirou nove paus-ferro da Avenida Nove de Julho, em 2004, durante a reforma de seu corredor de ônibus. Também se encarregou do transplante de cerca de quarenta árvores que estavam no terreno do Auditório do Ibirapuera. Ele já conhecia bem os bosques do parque. Um dos dois engenheiros de São Paulo com permissão para mexer nos quase intocáveis projetos de Burle Marx (1909-1994), ele cuidou durante três anos da restauração dos jardins do Museu de Arte Moderna, projetados pelo paisagista. "Ostermayer é o único que fez um estágio conosco, de três anos, aqui no Rio de Janeiro", diz Hauyoshi Ono, diretor da Burle Marx Companhia.

 
Avenida Rebouças, 3887: em 2004, o endereço recebeu um exemplar de pau-ferro da Nove de Julho Faria Lima: durante as obras de extensão, moradores pediram que o jequitibá ficasse, e o traçado da avenida mudou

Ostermayer consegue arrumar confusão até quando, em vez de retirar, vai plantar árvores. No ano passado, teve cerca de 120 mudas apreendidas por fiscais da prefeitura quando tentava colocá-las nos canteiros centrais da Avenida 23 de Maio. Ele e cinco funcionários de sua equipe foram ameaçados de prisão. Estavam apenas cumprindo uma determinação do próprio município: assentar 450 mudas na região da Bela Vista como compensação pelo corte de árvores provocado pela construção de um condomínio. "O trânsito de São Paulo é tão pesado que se prevê a diminuição dos canteiros para abrir mais espaço aos carros", afirma. "Não adianta plantar uma árvore ali para ter de removê-la depois."

Transferir um único espécime de grande porte custa de 2 000 a 10 000 reais. O trabalho exige guindastes e carretas. Geralmente é realizado de madrugada, para evitar congestionamentos. Algumas vezes, no entanto, o nó no tráfego é inevitável. Tanto que uma das maiores vaias que Ostermayer recebeu foi por parar, às 3 da manhã, o trânsito na Marginal Pinheiros. O culpado? Um pau-ferro de 20 metros de altura e 12 toneladas.

     
   
 
 
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