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19 de março de 2003
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RESTAURANTES

Os chefões da Capanema

Pequena rua nos Jardins reúne
alguns
dos mais badalados
cozinheiros paulistanos

Silvana Azevedo


Mario Rodrigues
Alex Atala, Luciano Boseggia e Alessandro Segato: concorrência saudável e muito talento nas caçarolas

Ela perde em efervescência para a Rua Amauri. Também não tem a sofisticação da Haddock Lobo, que reúne Fasano, Café Antiqüe e A Figueira Rubaiyat. Mas a pequena Barão de Capanema, no Jardim Paulista, com apenas cinco quadras, conseguiu um feito e tanto para a gastronomia paulistana. Concentrou em apenas 100 metros quatro dos melhores chefs de cozinha de São Paulo: Alex Atala (D.O.M.), Charlô Whately (Bistrô Charlô), Alessandro Segato (La Risotteria) e o festejado Luciano Boseggia (Palazzo Grimaldi), que se juntou ao time dois meses atrás. "Quando estava para abrir meu restaurante, procurei um lugar charmoso, mas avesso ao agito", diz Atala, que mesmo com uma quase invisível placa na fachada lota sua casa há quatro anos. "Essa tranqüilidade é um ponto favorável a uma boa refeição", concorda Segato.

Quem decide fazer uma visita ao lugar não perde a viagem. Ali é possível encontrar desde uma trivial pizza de mussarela, na Portoroz, até foie gras com baunilha, na inventiva cozinha contemporânea de Atala. Para um almoço rápido e despretensioso, uma boa opção é a Paola di Verona, rotisseria que conta com a supervisão do francês Alain Poletto. "A concentração de chefs desse gabarito é muito saudável", afirma Oswaldo Rocha Ferreira, sócio da Paola. "Facilita a vida da clientela e atrai gente nova." Essa reunião estrelada deu impulso à rua. A própria rotisseria, que durante vinte anos ocupava um salão apertado, transferiu-se no ano passado para um imóvel quase dez vezes maior (com 650 metros quadrados), no mesmo quarteirão. O Bistrô Charlô ganhou uma atmosfera de sofisticação, lojinhas malcuidadas foram reformadas e uma obra embargada pertinho do D.O.M. virou academia de ginástica.

Gladstone Campos
Leo Feltran
O pioneiro Charlô Whately e uma das receitas de sucesso do Bistrô: michui de cordeiro com cuscuz marroquino

Nos restaurantes, o fluxo nas caixas registradoras vem acompanhando as mudanças. "Nosso movimento aumentou 40% no último ano, e estudamos a possibilidade de abrir também para o jantar", afirma Ferreira. Durante o dia, quem agita o local são os pedestres que trabalham ou moram por ali. À noite, uma profusão de carrões importados não dá descanso aos manobristas. Por mês, eles têm de arrumar vaga para 10.000 veículos. Uma média de 300 automóveis por dia. Isso poderia tornar a estreita rua de mão dupla um dos pontos caóticos da cidade, não fosse sua localização. A Barão de Capanema nasce na Alameda Casa Branca, cruza a Padre João Manuel e morre em um beco sem saída. "Ela leva nada a lugar nenhum", brinca o banqueteiro Charlô Whately. "Quem passa por aqui está exclusivamente atrás de algum dos restaurantes."

Charlô foi o primeiro a fincar bandeira na Barão, em 1987. Depois dele, vários outros abriram suas portas, mas tiveram vida curta. Onde hoje funciona o La Risotteria, por exemplo, foi uma filial do Mexilhão, especializado em pescados. No lugar do D.O.M., havia o japonês Nyuyoko. O casarão no fim da rua que já abrigou o italiano Buonarroti, fechado em 1996, passou pelas mãos de Maria Zanchi de Zan e agora recebe o chef Luciano Boseggia, ex-Fasano. Um dos resistentes é o Pasta & Vino, há onze anos na esquina com a Rua Peixoto Gomide. "Muitos pensam que as casas não dão certo porque estão no lugar errado", diz o crítico Arnaldo Lorençato. "Mas eles estão provando que, para transformar um ponto em sucesso, é preciso acima de tudo talento para lidar com as panelas." E isso os chefões da Capanema têm de sobra.

         
 
     
 
 
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