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RESTAURANTES
Os
chefões da Capanema
Pequena
rua nos Jardins reúne
alguns dos
mais badalados
cozinheiros paulistanos
Silvana
Azevedo
Mario Rodrigues
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| Alex
Atala, Luciano Boseggia e Alessandro Segato: concorrência saudável
e muito talento nas caçarolas |
Ela
perde em efervescência para a Rua Amauri. Também não
tem a sofisticação da Haddock Lobo, que reúne
Fasano, Café Antiqüe e A Figueira Rubaiyat. Mas a pequena
Barão de Capanema, no Jardim Paulista, com apenas cinco quadras,
conseguiu um feito e tanto para a gastronomia paulistana. Concentrou
em apenas 100 metros quatro dos melhores chefs de cozinha de São
Paulo: Alex Atala (D.O.M.), Charlô Whately (Bistrô Charlô),
Alessandro Segato (La Risotteria) e o festejado Luciano Boseggia
(Palazzo Grimaldi), que se juntou ao time dois meses atrás.
"Quando estava para abrir meu restaurante, procurei um lugar charmoso,
mas avesso ao agito", diz Atala, que mesmo com uma quase invisível
placa na fachada lota sua casa há quatro anos. "Essa tranqüilidade
é um ponto favorável a uma boa refeição",
concorda Segato.
Quem
decide fazer uma visita ao lugar não perde a viagem. Ali
é possível encontrar desde uma trivial pizza de mussarela,
na Portoroz, até foie gras com baunilha, na inventiva cozinha
contemporânea de Atala. Para um almoço rápido
e despretensioso, uma boa opção é a Paola di
Verona, rotisseria que conta com a supervisão do francês
Alain Poletto. "A concentração de chefs desse gabarito
é muito saudável", afirma Oswaldo Rocha Ferreira,
sócio da Paola. "Facilita a vida da clientela e atrai gente
nova." Essa reunião estrelada deu impulso à rua. A
própria rotisseria, que durante vinte anos ocupava um salão
apertado, transferiu-se no ano passado para um imóvel quase
dez vezes maior (com 650 metros quadrados), no mesmo quarteirão.
O Bistrô Charlô ganhou uma atmosfera de sofisticação,
lojinhas malcuidadas foram reformadas e uma obra embargada pertinho
do D.O.M. virou academia de ginástica.
Gladstone Campos
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Leo Feltran
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| O
pioneiro Charlô Whately e uma das receitas de sucesso do Bistrô:
michui de cordeiro com cuscuz marroquino |
Nos
restaurantes, o fluxo nas caixas registradoras vem acompanhando
as mudanças. "Nosso movimento aumentou 40% no último
ano, e estudamos a possibilidade de abrir também para o jantar",
afirma Ferreira. Durante o dia, quem agita o local são os
pedestres que trabalham ou moram por ali. À noite, uma profusão
de carrões importados não dá descanso aos manobristas.
Por mês, eles têm de arrumar vaga para 10.000
veículos. Uma média de 300 automóveis por dia.
Isso poderia tornar a estreita rua de mão dupla um dos pontos
caóticos da cidade, não fosse sua localização.
A Barão de Capanema nasce na Alameda Casa Branca, cruza a
Padre João Manuel e morre em um beco sem saída. "Ela
leva nada a lugar nenhum", brinca o banqueteiro Charlô Whately.
"Quem passa por aqui está exclusivamente atrás de
algum dos restaurantes."
Charlô
foi o primeiro a fincar bandeira na Barão, em 1987. Depois
dele, vários outros abriram suas portas, mas tiveram vida
curta. Onde hoje funciona o La Risotteria, por exemplo, foi uma
filial do Mexilhão, especializado em pescados. No lugar do
D.O.M., havia o japonês Nyuyoko. O casarão no fim da
rua que já abrigou o italiano Buonarroti, fechado em 1996,
passou pelas mãos de Maria Zanchi de Zan e agora recebe o
chef Luciano Boseggia, ex-Fasano. Um dos resistentes é o
Pasta & Vino, há onze anos na esquina com a Rua Peixoto
Gomide. "Muitos pensam que as casas não dão certo
porque estão no lugar errado", diz o crítico Arnaldo
Lorençato. "Mas eles estão provando que, para transformar
um ponto em sucesso, é preciso acima de tudo talento para
lidar com as panelas." E isso os chefões da Capanema têm
de sobra.
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