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COMPORTAMENTO
Eles
não perdem uma
De
casamentos estrelados a coquetéis
promocionais, os festeiros de carteirinha
comparecem a até três
baladas por noite
e fazem a alegria dos fotógrafos de plantão.
A efervescência social da cidade colabora:
são pelo menos dez eventos "colunáveis"
por semana
Marcella
Centofanti e Valéria França
Luciana Prezia/AE
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| Gianecchini
e Gabi, no Baretto: ele é "assalariado" e ela, "intelectual"
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Flavia Vitoria/AE
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| Patrícia
de Sabrit: "Seleciono os convites para não ganhar fama de arroz-de-festa"
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A semana passada não foi das mais agitadas no quesito acontecimento
social. Ainda assim, o arquiteto João Armentano deu o ar da
graça na segunda-feira na inauguração de um centro
de juventude israelita, no jantar de homenagem ao artista plástico
Fábio Cardoso, na terça, na abertura da Gift Fair, no
Expo Center Norte, e na exposição Arte e Ser Mulher,
no Clube Paineiras, na quinta. Como recebe cerca de dez convites por
dia, alguns foram parar no lixo. Armentano engrossa o time de paulistanos
que não perdem uma festa na cidade. Vão a praticamente
tudo, de casamentos estrelados a coquetéis promocionais. Para
dar conta de tanta badalação, normalmente adotam o lema
dos três "esses" do falecido Aparício
Basílio da Silva, uma das figuras mais conhecidas do society
paulistano: surgir, sorrir e sumir! Com essa tática e seus
ternos azul-marinho, o empresário chegava a ir a quatro eventos
por noite. "Depois de uma hora, qualquer um perde o encanto", ensina
Armentano. "Em eventos comerciais, a fórmula realmente é
dizer 'oi' e 'tchau'", concorda a socialite e arquiteta Cristiane
Saddi.
Luciana Prezia/AE
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| Mariane
du Bois, Mion e Armentano no jantar de Lu Alckmin: olho em novos
negócios |
É
verdade que a efervescência social da cidade aumentou
hoje acontecem pelo menos dez eventos "colunáveis" por semana
, mas os motivos que levam pessoas como João Armentano
e Cristiane Saddi a circular com tal assiduidade são os mesmos
da época do bon vivant Aparício. Para o convidado
negociante, por exemplo, cada festa é uma possibilidade de
fisgar novos clientes. "Foi assim que conheci Celso Loducca", conta
Armentano, que acabou planejando o escritório de 800 metros
quadrados do publicitário, no Brooklin. Para o aspirante
à fama, um evento estrelado é a chance de aparecer
nas revistas de celebridades e, para o arroz-de-festa assalariado,
a oportunidade de engordar a conta com cachês que chegam a
20.000 reais. "São ocasiões favoráveis
para fortificar relações e parcerias já existentes",
diz o figurinha carimbada e apresentador Marcos Mion.
Lili Martins/AE
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| A
VJ Didi, o amigo Marcelo Sebá e o marido dela, Fred, em evento
da Diesel, na segunda (10): só sorrisos |
Ilustração Negreiros
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O
negociante
Cada evento é uma chance de fisgar novos clientes ou
de resgatar antigos contatos. Entre um sorriso e outro, assim
como quem não quer nada, sempre acaba tirando o cartão
de visita do bolso. |
Quaisquer que sejam as primeiras e segundas intenções
dos festeiros, aparência leve e sobrenome pesado são
garantias de uma vaguinha nas inconstantes listas dos promoters,
as figuras que decidem quem participa ou não das festas.
"Damos preferência aos bonitos, jovens e magros", admite a
paulistana Ana Carvalho Pinto, dona de um mailing com 8 000 nomes.
O caso da empresária Lucília Diniz é emblemático.
Apesar do sobrenome, só passou a ser lembrada pelos organizadores
depois de emagrecer 60 quilos. "Esses eventos agora fazem parte
do meu propósito de vida: mostrar que estou sarada e sadia",
diz ela, que comparece a três lugares por noite e, como numa
história da carochinha, virou uma das queridinhas dos promoters.
Fotos Julio Vilela
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lela
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| João
Paulo Diniz em seu aniversário: presença de amigos como Huck
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Ilustração Negreiros
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O
herdeiro
Tem um sobrenome de peso, que determina sua presença nas melhores
festas da cidade. Normalmente faz o estilo low profile,
como se não estivesse nem notando os flashes. |
Como eles detêm os convites para alguns dos melhores eventos
e para algumas das mais generosas bocas-livres de São Paulo,
o assédio sobre esses profissionais é enorme (veja
quadro). A principal missão deles é
conseguir reunir convidados de vários estilos, dos intelectuais
aos mauricinhos. O apresentador Jô Soares, o empresário
Antônio Ermírio de Moraes e a modelo Gisele Bündchen
são uma espécie de sonho de consumo dos promoters,
já que raramente dão as caras. Tem ainda o time dos
endinheirados-gatos, caso de João Paulo Diniz, Ricardo Mansur,
Álvaro Garnero, Alexandre Accioly, Luciano Huck e Alexandre
Iódice só para citar alguns. Eles aparecem
com maior freqüência, mas são bem seletivos na
escolha da balada. "Ir a qualquer lugar desgasta a imagem", explica
o publicitário Roberto Justus, que na fase pós-Eliana
passou a freqüentar apenas um evento por semana.
Julio Vilela
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| Ricardo
Mansur: figura disputada após romance com Gisele Bündchen |
No
caso dos atores e atrizes globais, não sobra muita alternativa
ao patrocinador do evento. "Sem hotel, passagem e cachê eles
não saem de casa", diz a promoter Marina Renault. O ator
Reynaldo Gianecchini, por exemplo, cobra até 20.000
reais para ficar duas horas numa festa. Pela metade desse valor,
Daniela Cicarelli, a modelo da hora, circula sorridente pelo salão.
Candidatos à celebridade, os ex-participantes do Big Brother
Brasil são o terror dos promoters. "Definitivamente,
eles não têm nada a somar às minhas festas",
afirma o produtor Cacá Ribeiro. "No meu aniversário,
o Kleber, o Bambam, que eu nem conhecia, apareceu levando mais três
bicões", reclama Alicinha Cavalcanti, dona de quatro celulares
e uma agenda poderosa. "Vou às festas grandes mesmo sem ganhar
porque é preciso aparecer", explica Caetano Zonaro, que teve
passagem-relâmpago na primeira versão do programa.
Ilustrações Negreiros
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iros
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O
aposentado
Na juventude foi rei (ou rainha) e, em respeito aos dias de
glória, seu nome ainda consta nas listas de convidados
vip. |
O
intelectual
Pode estar acima do peso, não usar decotes nem roupas
de grife. Seu prestígio vem do sucesso profissional ou
da fama de inteligente. |
Famosos
ou não, os loucos por um flash têm algumas regrinhas
básicas a seguir. A atriz Patrícia de Sabrit adota
a mais potente delas: veste roupas decotadas, exuberantes e de grife.
"Adoro peças femininas e sensuais", diz, citando como preferido
o vestido rosa da Iódice que ela está usando na foto
de capa desta reportagem. Também gosta das roupas da Donna
Karan, principalmente dos terninhos acinturados. "Recebo tantos
convites que, para não acabar com a fama de arroz-de-festa,
sou obrigada a selecioná-los bem", afirma a loirinha de 27
anos.
Marina Malheiros/AE
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| Lucília
Diniz: mais magra e mais convidada |
Confirmar com antecedência a presença também
é regra valiosa. Repassar o convite, como costuma fazer o
restaurateur Rogério Fasano, não cai bem. O ator Márcio
Garcia ganhou a antipatia dos donos das listas por ter o hábito
de, quando convidado, aparecer com mais quatro ou cinco amigos a
tiracolo. Pior ainda ficou a situação do ator Roger
Gobeth, que tentou várias vezes jogar uma conversinha nos
porteiros para entrar de bico. "Sou o Touro da Malhação",
dizia ele, na danceteria Sirena, em Maresias, referindo-se ao papel
que interpretava na novela juvenil. Esse tipo de mico é previsível
em eventos concorridos. Em alguns casos, chega a existir na cidade
um mercado paralelo de convites. Há três anos, numa
festa da Audi, no Campo de Marte, cambistas vendiam entradas por
150 reais. A festa de encerramento da São Paulo Fashion Week,
há um ano e meio, na Galeria Prestes Maia, não foi
muito diferente. Quem quisesse participar tinha de pagar 100 reais.
Ilustrações Negreiros
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iros
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O
assalariado
É famoso, mas sua aparição está
sempre ligada a algum tipo de acordo comercial. Ele ganha cachê,
passagem aérea ou estada gratuita. |
O
aspirante
Tem de ser necessariamente bonito, jovem e malhado. Candidato
à fama, é capaz de provocar fatos só para
aparecer. Nessa categoria estão os ex-participantes do
Big Brother Brasil e da Casa dos Artistas. |
A veterana
Marina de Sabrit (mãe de Patrícia) costuma receber
ligações de desconhecidos ávidos por saber
como se faz para entrar para o seleto grupo dos vips. "Alguns me
oferecem dinheiro em troca de um roteiro descolado", diz Marina.
"Ter amizades influentes é o primeiro passo." Mas, segundo
ela, o fundamental mesmo é ter alguma qualidade que ressalte
no meio da multidão. "Na minha época, era mais fácil
ser notada. Era a única que fazia o gênero loira burra",
conta Marina. "Hoje, há milhares de mulheres assim."
Luciana Prezia/AE
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| Daniela
e Roberto Justus: "Ir a qualquer lugar desgasta a imagem" |
Mesmo
em uma situação tão invejável (quem
não gostaria de comer e beber bem e desfrutar a presença
de beldades?), tem festeiro de carteirinha que não admite
ser tachado como tal. Para alguns ainda soa como um termo pejorativo.
Na década passada, boa parte dos baladeiros não tinha
atividade profissional. Eram pessoas que podiam dormir de madrugada
e acordar tarde todos os dias. Chiquinho Scarpa, que já foi
um playboy desse tipo, não perdia uma noitada. Chegava a
cobrar 2.000 dólares para aparecer em
festas que não fossem promovidas por amigos pessoais ou que
não lhe dissessem respeito diretamente. Para não pegar
mal, costumava justificar-se dizendo que o dinheiro ia para um fundo
beneficente. Agora está na categoria do que os promoters
impiedosos chamam de "aposentado" na juventude foi rei e,
em respeito aos dias de glória, seu nome ainda consta na
lista de convidados. "Recebo uns dois convites por dia, mas vou
a apenas um evento por semana", diz. "As festas não têm
o mesmo brilho." O sumiço do conde não abalou os colunistas
sociais. Afetou mesmo o orçamento de Manoel, seu passador
oficial de camisas e ternos. "Há dez anos, ele vinha três
vezes por semana. Hoje, só uma."
Flavia Vitoria/AE
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| A
ex-apresentadora Babi: sucesso nas colunas sociais já foi maior
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O
sobe-e-desce das listas
Quem
são, de acordo com os promoters, os
queridinhos e os excluídos do momento
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| Os
dez mais |
Os
dez menos |
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Gisele
Bündchen
Ricardinho Mansur
Daniela Cicarelli
Luana Piovani
João Paulo Diniz
Hebe Camargo
Kaká
Marília Gabriela
Lucília Diniz
Raí
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Paulo
Vilhena
Mari Alexandre
Luigi Baricelli
Thyrso (ex-Big Brother)
Alexandre Frota
Tato, do Falamansa
Mylla Christie
Márcio Garcia
Roger Gobeth
Oscar Magrini
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Os
dez mandamentos do
convidado
profissional
1º-
Estar
sempre em forma. Gordos, com exceção dos intelectuais,
não são bem-vindos.
2º-
Confirmar com antecedência a presença ou ausência
no evento.
3º-
Nunca repassar o convite. Os organizadores acabam sabendo
e odeiam essa prática.
4º-
Beber com moderação.
5º-
Respeitar o traje exigido no convite e caprichar na produção
de preferência, decotes e brilhos.
6º-
Maneirar nos atrasos. Se for uma festa, meia hora pega bem.
No caso de um evento, 45 minutos.
7º-
Ir embora antes que o lugar se esvazie.
8º-
Ter uma conversa leve, agradável e animada. Assuntos
como viagem, cinema e teatro são infalíveis.
9º-
Circular pela festa e demonstrar intimidade com os outros
famosos.
10º-
Mandar um e-mail de agradecimento no dia seguinte para os
organizadores ou donos da festa.
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Os
alvos de um arroz-de-festa
Heudes Regis
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| Alicinha
e Marina Renault: 12 000 nomes na agenda |
Suas
agendas gordas estão recheadas com contatos de celebridades,
empresários e figurinhas da moda. É possível
contar nos dedos das mãos o número de promoters
responsáveis pelos grandes acontecimentos da cidade.
Para elaborar uma lista de 500 convidados, por exemplo, ganham
cerca de 5.000 reais numa conta
rápida, 10 reais por nomezinho. Em média, cada
um chega a fazer quinze eventos por mês. O nome deles
sempre aparece em destaque nos convites e acaba funcionando
como uma grife, uma espécie de garantia de festa descolada.
Explicitamente, cada organizador cultiva seu clubinho, o que
talvez explique a sensação de mesmice nas colunas
sociais e revistas de celebridades. Alicinha Cavalcanti formou
um time de artistas e globais. Empresários endinheirados
e socialites são o forte do mailing da paulistana Ana
Carvalho Pinto. Nos eventos de Fernanda Barbosa, não
faltam jovens playboys e belas patricinhas e, nos do quarentão
Cacá Ribeiro, modernosos e descolados.
Para liberar um convite, os promoters são bombardeados
com e-mails e telefonemas. Há os que recorrem ao amigo
do amigo convidado e até oferecem dinheiro. No dia
seguinte aos eventos, não raro os organizadores são
acordados com entregas de flores, caixas de bombons e cartões
de felicitações. Adoram presentinhos, mas dizem
desconfiar do remetente dependendo do tamanho da lembrancinha.
"Já recebi jóias caras e devolvi", diz Marina
Renault. "Não é a melhor forma de me convencer
a incluir alguém no mailing", ensina ela, que empilha
no armário mais de trinta pares de sapato. Para dar
conta do assédio, Marina tem dois celulares e troca
o número dos aparelhos a cada três meses. Às
vésperas de festas grandes, conta com uma pessoa só
para atendê-los. Na hora de negar um convite, todos
precisam ter a desenvoltura de Gisele Bündchen nas passarelas.
"Peço desculpa e digo que a festa é do cliente,
e não minha", revela Alicinha. No ano passado, na comemoração
de seu aniversário de 40 anos, essa artimanha não
funcionou. Foram 2.600 convidados, "apenas"
800 a mais do que esperava.
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As
dicas dos festeiros de
carteirinha
"É
preciso se destacar na multidão. Na minha época,
era a única que fazia o gênero loira burra. Hoje,
há milhares de mulheres assim."
MARINA DE SABRIT,
socialite
"Não
dá para ficar a noite inteira nos eventos. Tem de saber
a hora certa de chegar e de ir embora."
FELIPE VENANCIO,
DJ
"Se
estiver de mau humor, nem saia de casa. Nas festas, é
necessário estar de bem com a vida e ser simpático
o tempo todo."
LUCÍLIA DINIZ,
empresária
"Programas
culturais são melhores para a imagem. Em eventos comerciais,
a fórmula é dizer 'oi' e 'tchau'."
CRISTIANE SADDI,
socialite
"Tudo
bem que festa é um lugar para fazer contatos, mas não
chegue ao extremo de distribuir cartões."
JOÃO ARMENTANO,
arquiteto
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