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19 de março de 2003
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CIDADE

Terreno da discórdia

Prefeitura ocupa parte do Parque do Povo
em mais um round da disputa pela área

Alessandro Duarte

Mario Rodrigues
Localização nobre: entre a Marginal Pinheiros e as avenidas Cidade Jardim e Juscelino Kubitschek


Depois de sete anos de batalhas jurídicas, a prefeitura pôde comemorar na semana passada uma importante vitória na luta para transformar o terreno conhecido como Parque do Povo, na Marginal Pinheiros, em um parque de verdade. A administração municipal recebeu autorização para ocupar uma área de 6.000 metros quadrados. Para quem pretende criar uma espécie de mini-Ibirapuera em seus 111.000 metros quadrados, ainda é pouco. Mas a notícia trouxe esperança aos moradores do entorno. Há anos, eles tentam se livrar das entidades que exploram o local comercialmente. Apesar de o parque ter sido tombado pelo Condephaat em 1995 para "servir de palco a eventos culturais e de lazer", ali estão montados estacionamentos, lanchonetes, uma banca de jornal e diversos outdoors. "O êxito pode até ser pequeno, mas tem grande valor simbólico", afirma o presidente da Sociedade Amigos do Itaim Bibi, Marco Antonio Castello Branco. "O que deveria ser um espaço de uso público atende apenas aos interesses de algumas poucas pessoas. Só quem paga consegue entrar." Segundo Castello Branco, o aluguel de outdoors chegou a render 310.000 reais por mês aos atuais ocupantes.

Mario Rodrigues
Circo Escola: sete anos de brigas na Justiça


Limitado pelas avenidas Cidade Jardim e Juscelino Kubitschek, o terreno é utilizado por clubes de futebol de várzea, pelo Circo Escola Picadeiro e pelo Teatro Ventoforte, além de dezenas de moradores dos barracos que ficam em meio às árvores. Conforme estimativas do mercado imobiliário, a área vale cerca de 10 milhões de reais. Caso não fosse tombada, valeria 100 milhões. A propriedade pertence à Caixa Econômica Federal e ao Instituto Nacional de Seguro Social, INSS, que em 1996 firmaram um acordo com a prefeitura para que esta passasse a administrá-la. Em troca, o município concederia aos donos a possibilidade de construir em uma área próxima um edifício acima dos limites permitidos pelo zoneamento. O acordo está sendo questionado na Justiça. "Assim que for resolvida essa pendência, vamos fazer valer nosso direito e impedir que o lugar seja explorado por particulares", promete o secretário municipal de Negócios Jurídicos, Luiz Tarcisio Teixeira Ferreira. Aplicar esse golpe final não será fácil. "Acreditamos que o Condephaat não tombou apenas o terreno, mas a tradição dos clubes que estão ali", diz Guilherme Asta Lopes da Silva, advogado da Associação Amigos do Parque do Povo. "Iremos adotar todas as medidas judiciais cabíveis para manter tudo como está." Por "tudo como está" entenda-se o povo fora do Parque do Povo.

         
     
 
 
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