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CIDADE
Terreno
da discórdia
Prefeitura
ocupa parte do Parque do Povo
em
mais um round da disputa pela área
Alessandro
Duarte
Mario Rodrigues
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| Localização
nobre: entre a Marginal Pinheiros e as avenidas Cidade Jardim
e Juscelino Kubitschek |
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Depois
de sete anos de batalhas jurídicas, a prefeitura pôde
comemorar na semana passada uma importante vitória na luta
para transformar o terreno conhecido como Parque do Povo, na Marginal
Pinheiros, em um parque de verdade. A administração
municipal recebeu autorização para ocupar uma área
de 6.000 metros quadrados. Para quem
pretende criar uma espécie de mini-Ibirapuera em seus 111.000
metros quadrados, ainda é pouco. Mas a notícia trouxe
esperança aos moradores do entorno. Há anos, eles
tentam se livrar das entidades que exploram o local comercialmente.
Apesar de o parque ter sido tombado pelo Condephaat em 1995 para
"servir de palco a eventos culturais e de lazer", ali estão
montados estacionamentos, lanchonetes, uma banca de jornal e diversos
outdoors. "O êxito pode até ser pequeno, mas tem grande
valor simbólico", afirma o presidente da Sociedade Amigos
do Itaim Bibi, Marco Antonio Castello Branco. "O que deveria ser
um espaço de uso público atende apenas aos interesses
de algumas poucas pessoas. Só quem paga consegue entrar."
Segundo Castello Branco, o aluguel de outdoors chegou a render 310.000
reais por mês aos atuais ocupantes.
Mario Rodrigues
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| Circo
Escola: sete anos de brigas na Justiça |
Limitado pelas avenidas Cidade Jardim e Juscelino Kubitschek, o
terreno é utilizado por clubes de futebol de várzea,
pelo Circo Escola Picadeiro e pelo Teatro Ventoforte, além
de dezenas de moradores dos barracos que ficam em meio às
árvores. Conforme estimativas do mercado imobiliário,
a área vale cerca de 10 milhões de reais. Caso não
fosse tombada, valeria 100 milhões. A propriedade pertence
à Caixa Econômica Federal e ao Instituto Nacional de
Seguro Social, INSS, que em 1996 firmaram um acordo com a prefeitura
para que esta passasse a administrá-la. Em troca, o município
concederia aos donos a possibilidade de construir em uma área
próxima um edifício acima dos limites permitidos pelo
zoneamento. O acordo está sendo questionado na Justiça.
"Assim que for resolvida essa pendência, vamos fazer valer
nosso direito e impedir que o lugar seja explorado por particulares",
promete o secretário municipal de Negócios Jurídicos,
Luiz Tarcisio Teixeira Ferreira. Aplicar esse golpe final não
será fácil. "Acreditamos que o Condephaat não
tombou apenas o terreno, mas a tradição dos clubes
que estão ali", diz Guilherme Asta Lopes da Silva, advogado
da Associação Amigos do Parque do Povo. "Iremos adotar
todas as medidas judiciais cabíveis para manter tudo como
está." Por "tudo como está" entenda-se o povo fora
do Parque do Povo.
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