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POLÍCIA
A
cela dos doutores
Como
é a prisão do 13º
DP em que estão
detidos os médicos Chipkevitch e Farah
Valéria
França
Heudes Regis
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| Televisão,
geladeira e ventilador: área de 12 metros quadrados |
A foto
acima bem que poderia ser de uma quitinete no centro da cidade.
Apesar das paredes brancas, do ambiente limpo e da organização,
o que se vê é a cela 5 do 13º Distrito Policial,
na Casa Verde, onde estão trancafiados alguns dos criminosos
mais falados dos últimos meses. Um deles é o pediatra
Eugênio Chipkevitch, acusado de abusar sexualmente de seus
jovens pacientes. Solidário, deu as boas-vindas ao colega
de profissão Farah Jorge Farah, o cirurgião plástico
que matou e esquartejou a ex-amante. No dia 27 de janeiro, quando
colocou os pés na carceragem, Farah teve de enfrentar o protesto
dos detentos, que gritavam "picadinho, picadinho...". Segundo um
dos carcereiros, os dois médicos estabeleceram camaradagem
e teriam tido uma conversa sobre técnicas de aplicação
de anestesia.
Há
duas semanas, juntou-se a eles o advogado Jomateleno dos Santos
Teixeira, preso em flagrante por um crime insólito: ele criou
e chefiava uma falsa delegacia de polícia. Seu destino foi
um colchãozinho da cela de 12 metros quadrados ocupada por
mais seis pessoas (Chipkevitch, Jorge Farah, um terceiro médico,
um veterinário, um analista de sistemas e outro advogado).
Mesmo assim, Teixeira encontrou conforto inesperado. Seu novo aposento
dispõe de televisão suspensa, ventilador, microondas
e geladeira. No banheiro conjugado, há vaso sanitário,
chuveiro elétrico e pia, equipamentos raros em cadeias. "Os
eletrodomésticos foram trazidos pelos familiares dos presos",
explica o delegado titular do 13º DP, Italo Miranda Júnior.
"O grande problema é que, ao liberar a entrada de muita coisa,
a segurança fica fragilizada", diz Ângelo Roncalli,
diretor do Departamento Penitenciário Nacional do Ministério
da Justiça.
Heudes Regis
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| O
pátio do 13º DP: carteado, musculação e churrasco aos domingos
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Em
mutirão, os detentos pintaram todas as paredes de branco.
Um deles grafitou a figura de Jesus Cristo no pátio interno,
lugar ensolarado e ventilado onde passam a maior parte do tempo.
Por isso, providenciaram mesas e cadeiras de plástico branco,
além de uma lona amarela para protegê-los da chuva.
Todos os dias, inventam diversas atividades. Há quem se exercite
com tambores de água como se fossem halteres. Se as mesas
são forradas de feltro verde significa que vai começar
o carteado. Sentado em uma cadeira sob o sol, Farah quase sempre
observa de longe, enquanto Chipkevitch praticamente não sai
da cela. Aos domingos, com carne levada por parentes, eles costumam
organizar um churrasco. "Os doutores são gente fina, nem
dão trabalho", diz o carcereiro Sidnei Fernandes Beata. "Na
hora de trancar as celas, eles entram sem que a gente precise mandar."
Prisões
sujas, malcheirosas e superlotadas fazem parte da realidade da carceragem
da grande maioria das 93 delegacias da capital. Em algumas delas,
como o 77º DP, em Santa Cecília, não há
lugar nem para o tradicional banho de sol. Campeão em ocorrências
policiais, o 11º DP, em Santo Amaro, abriga 162 presos, número
cinco vezes maior que o do distrito da Casa Verde. Nos dias de visita,
os familiares só podem levar o "jumbo" nome do farnel
com mantimentos e artigos de higiene. Os privilégios do 13º
DP têm uma explicação: trata-se de uma prisão
especial, prevista no Código de Processo Penal. Dela se beneficiam
detentores de diploma universitário em geral. Quando submetidos
a prisão preventiva, enquanto não há condenação
definitiva, eles têm direito a um lugar melhor do que as celas
comuns. Ao contrário dos xilindrós em que muitas vezes
os presos são amontoados em condições subumanas,
as celas dos doutores ainda ganham melhorias providenciadas por
suas famílias.
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Por
dentro do 13º DP
São 31 presos: dez advogados, seis administradores,
três médicos, três professores, dois economistas,
dois engenheiros, um analista de sistemas, um dentista, um
enfermeiro, um veterinário e um publicitário.
Eles se dividem em cinco celas. Cada uma tem 12 metros quadrados,
dois beliches e alguns colchões sobressalentes.
Os familiares levam alimentos, produtos de higiene, móveis
e eletrodomésticos. Há celas com microondas,
televisão, ventilador e geladeira. Alguns presos fazem
a própria comida.
Os detentos pintaram a carceragem com tinta branca e conseguiram
latões de lixo para a conservação da
limpeza.
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Os
presos "ilustres"
O
pediatra pedófilo, o esquartejador
e o advogado espertalhão
Oslaim Brito/AE
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Desde
22 de março, o pediatra Eugênio
Chipkevitch, 48 anos, cumpre prisão preventiva.
Acusado de abusar sexualmente de pelo menos quarenta adolescentes,
foi ele quem "recepcionou" no 13º DP o cirurgião plástico
Jorge Farah |
Jose Luis da
Conceição/AE
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O
cirurgião plástico Farah Jorge Farah,
53 anos, foi preso em 27 de janeiro e confessou um crime
pavoroso. Ele matou sua ex-amante e depois, com instrumentos
cirúrgicos, dissecou e escalpelou o corpo, cortando-o
em nove pedaços |
Filipe Araujo/AE
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Cobrar
por boletim de ocorrência era uma das atividades
da falsa delegacia que o advogado Jomateleno
Teixeira, 47 anos, criou no centro da cidade. Ele
ficará nesse xadrez até ser julgado por
furto e peculato |
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