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CIDADE
O mico da Rebouças
Basta uma chuva forte para que o
túnel de 97,4 milhões de reais fique
interditado. Pior: suas galerias terão
de ser refeitas
Marcos Buarque de Gusmão
Clayton de Souza/AE
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| Inundação em novembro: seis
carros submersos em 2 metros de água |
O túnel
sob a Avenida Faria Lima, que liga a Rebouças com a Eusébio
Matoso, começou a causar polêmica quando ainda era
um vistoso projeto. Mais tarde, sua construção criou
gargalos no trânsito e prejudicou o comércio da região.
Críticos apontavam a passagem subterrânea como uma
obra eleitoreira, cara custou 97,4 milhões de reais
e tocada às pressas. Imaginava-se que tudo seria resolvido
após sua inauguração, em setembro do ano passado.
Mas aí vieram as previsíveis chuvas de verão,
e a principal marca viária do governo Marta Suplicy não
passou no teste. Ultimamente, ao primeiro sinal de temporal, o túnel
de 1 163 metros de extensão, contando os dois sentidos, é
logo interditado pela Companhia de Engenharia de Tráfego
(CET). O abre-e-fecha virou rotina depois que seis carros ficaram
submersos dentro dele em novembro. Desde então, houve dez
bloqueios por precaução um castigo para o motorista
que circula por ali.
A primeira inundação
teria sido motivada por bocas-de-lobo entupidas e por deficiência
no sistema de drenagem, insuficiente para armazenar grandes quantidades
de chuva. Na semana passada, falhas mais graves vieram à
tona. Convocada pelo prefeito José Serra, uma comissão
com especialistas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas
(IPT), da Escola Politécnica da USP e do Instituto de Engenharia
de São Paulo concluiu que o sistema de galerias se encontra
em situação crítica. Na inspeção
do subterrâneo das avenidas Rebouças e Eusébio
Matoso, entre as ruas Pedroso de Moraes e Cardeal Arcoverde, foram
constatadas deformações em 400 metros de tubulações.
Nas proximidades da Rua Diogo Moreira, por exemplo, alguns canais
precisaram ser escorados com pequenas pilastras de concreto. "Há
risco de afundamento", diz Marcos Tadeu Pereira, diretor técnico
do IPT. Segundo o secretário de Infra-Estrutura Urbana e
Obras, Antonio Arnaldo de Queiroz e Silva, as galerias começarão
a ser refeitas na segunda-feira (17). Ou seja, vêm aí
novos transtornos que vão durar se não voltar
a chover forte pelo menos mais um mês.
J.F.Diorio/Agência Estado/AE
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| Sexta-feira 7: uma das dez vezes em que
a CET fechou a passagem |
Queiroz e Silva afirma que não haverá custos adicionais
aos cofres públicos, pois cerca de 100 milhões de
reais (quantia referente também ao túnel que liga
as avenidas Cidade Jardim, Europa e Nove de Julho) ainda não
foram pagos às empreiteiras. "Os trechos dessas galerias
não foram aceitos nem pagos porque a prefeitura havia solicitado
que fossem refeitos", diz Montserrat Bevilaqua, assessora de imprensa
da ex-prefeita. Como se explica que isso tenha acontecido? O arquiteto
Julio Neves, a quem coube elaborar, junto com a Promon Engenharia,
os primeiros planos da construção, considera-se impedido
de comentar o trabalho. "Tenho um contrato de sigilo com a Empresa
Municipal de Urbanização (Emurb)", justifica. A presidente
da Emurb durante o governo petista, Nadia Somekh, não reconhece
falhas no projeto nem na sua execução. "Não
existem problemas técnicos", acredita. "A atual gestão
critica porque desconhece todos os detalhes do projeto."
As novas intervenções
na Rebouças serão realizadas nos corredores do chamado
Passa-Rápido. Conseqüência: automóveis
e ônibus terão de dividir apenas duas faixas. "Vamos
tentar desviar 1 000 carros por hora em cada sentido da Rebouças",
diz o presidente da CET, Roberto Scaringella. "Mas o ideal é
que o motorista evite passar por lá." Será construída
uma espécie de lombada com uma grelha na entrada do túnel
para desviar a água. Em quatro meses de funcionamento, a
passagem melhorou a vida de quem usa transporte público,
mas não trouxe alívio para quem anda de carro. Diante
desses problemas, os benefícios da obra estão indo
literalmente por água abaixo. Um mico.
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Buraco polêmico
Inaugurado em setembro, o túnel da Rebouças
deixou seis carros submersos dois meses depois. Desde então,
a passagem já foi interditada dez vezes por precaução
A obra consumiu 97,4 milhões de reais, 49% a mais em
relação à previsão inicial de
gastos da gestão Marta Suplicy
Laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas indica
que trechos das galerias de drenagem pluvial do túnel
já estão em péssimo estado. Algumas tubulações,
como mostra a foto acima, precisaram ser escoradas
Cerca de 17 000 veículos passam por dia, nos horários
de pico, pelo cruzamento das avenidas Rebouças e Faria
Lima. Quando a passagem é interditada, a lentidão
na avenida chega a 2 quilômetros
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