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17 de novembro de 2004
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MÚSICA

Ópera da pesada

Com investimento de 800 000 reais
e quatro horas de duração, Lohengrin,
de Wagner, estréia na próxima sexta

Lúcia Monteiro


Mario Rodrigues
O americano Stephen Bronk, a argentina Graciela e o russo Zachozhaev: elenco de solistas estrangeiros


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A história se passa no século X, quando os húngaros invadiram a Alemanha. Seus personagens são nobres, soldados, pajens, damas de honra e um herói da mitologia. Para interpretá-los, o maestro Ira Levin escalou um time de experientes solistas internacionais. Trouxe o tenor russo Leonid Zachozhaev, a soprano argentina Graciela de Gyldenfeldt e o baixo-barítono americano Stephen Bronk – todos especialistas no canto lírico alemão. Eles vestirão um figurino em tons de preto, roxo, vermelho e dourado, especialmente desenhado pelo inglês Howard Lloyd. O cenário terá pedras acinzentadas, um carvalho e um rio feito de gelo-seco. Para as cenas de batalha, o diretor Cleber Papa preparou efeitos especiais, como o das espadas que soltam faíscas ao se chocar. Esse é o clima da ópera Lohengrin, uma produção de 800.000 reais que terá cinco récitas no Teatro Municipal a partir de sexta (19). Escrita pelo alemão Richard Wagner (1813-1883), ela não era montada em São Paulo desde 1940.


Divulgação
Figurinos de Lohengrin, Elsa, Ortrud e Frederico: criados pelo inglês Howard Lloyd

Diferentemente das óperas italianas, encenadas com freqüência na cidade, as de Wagner podem ser consideradas uma raridade nos palcos paulistanos. Lá se vão quase dez anos desde a última vez que uma de suas grandiosas obras foi vista por aqui (Tannhäuser, em 1996). As composições de Wagner são trabalhosas para quem toca, canta, rege e assiste. Em alemão (haverá legendas eletrônicas), com três atos, dois intervalos e quatro horas de duração, Lohengrin é uma ópera da pesada. Os 97 integrantes do Coral Lírico permanecerão o tempo todo em cena. E em pé. A Sinfônica Municipal também estará completa, com seus 115 músicos. Como de costume, a maioria deles ficará no fosso. Alguns, no entanto, formarão um grupo menor, que tocará no palco. "A complexidade é enorme, como se eu regesse duas orquestras ao mesmo tempo", explica Ira Levin.


Mario Rodrigues
Heudes Regis
O publicitário Toze, fã de carteirinha do alemão Richard Wagner: há três anos, ele assistiu ao disputado Festival de Bayreuth, na Alemanha

O maestro Ira Levin: "Wagner foi uma pessoa horrível, mas sua música é fantástica"

Há, porém, uma pequena legião de paulistanos que não se inibe com a dificuldade do libreto e da partitura. Trata-se de wagnerianos de carteirinha. É o caso do publicitário Antonio Carlos Toze. Em 2001, ele foi à Alemanha para assistir ao disputadíssimo Festival de Bayreuth, que apresenta exclusivamente o repertório de Wagner num teatro projetado pelo próprio compositor e dirigido por seus descendentes. Ali, um bom ingresso custa cerca de 500 reais e precisa ser reservado com pelo menos um ano de antecedência. "Estou me programando para voltar", diz Toze, empolgado. "A obra de Wagner é inesgotável."

Autor de dez óperas – incluindo a tetralogia O Anel dos Nibelungos, que dura dezoito horas e é em geral desdobrada em quatro dias –, Wagner ocupa uma posição ímpar na história da música. Ultra-romântico e nacionalista, recorreu a temas da mitologia germânica e a episódios históricos da Alemanha. Era o favorito de Hitler e seu repertório foi usado pelo nazismo. Por isso (e também por ensaios anti-semitas que publicou), até hoje não é executado em Israel. "Wagner foi uma pessoa horrível, mas sua música é fantástica", diz Ira Levin, que é americano de origem judaica. "Devo reconhecer que ele é, junto com Mozart e Verdi, um dos maiores compositores de ópera que já existiram."

 
Lohengrin. Teatro Municipal (1 464 lugares). Praça Ramos de Azevedo, s/nº, 222-8698, Metrô Anhangabaú. Sexta (19), 19h30; domingo (21), 17h. R$ 30,00 a R$ 100,00. Bilheteria: 10h/19h (seg. a dom.). Até dia 28.

 

     
   
 
 
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