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MÚSICA Ópera
da pesada Com investimento de 800 000 reais e quatro
horas de duração, Lohengrin, de Wagner, estréia
na próxima sexta Lúcia Monteiro
Mario
Rodrigues  |
| O americano Stephen Bronk, a argentina Graciela e o russo
Zachozhaev: elenco de solistas estrangeiros |
A
história se passa no século X, quando os húngaros invadiram
a Alemanha. Seus personagens são nobres, soldados, pajens, damas de honra
e um herói da mitologia. Para interpretá-los, o maestro Ira Levin
escalou um time de experientes solistas internacionais. Trouxe o tenor russo Leonid
Zachozhaev, a soprano argentina Graciela de Gyldenfeldt e o baixo-barítono
americano Stephen Bronk todos especialistas no canto lírico alemão.
Eles vestirão um figurino em tons de preto, roxo, vermelho e dourado, especialmente
desenhado pelo inglês Howard Lloyd. O cenário terá pedras
acinzentadas, um carvalho e um rio feito de gelo-seco. Para as cenas de batalha,
o diretor Cleber Papa preparou efeitos especiais, como o das espadas que soltam
faíscas ao se chocar. Esse é o clima da ópera Lohengrin,
uma produção de 800.000 reais que terá
cinco récitas no Teatro Municipal a partir de sexta (19). Escrita pelo
alemão Richard Wagner (1813-1883), ela não era montada em São
Paulo desde 1940.
Divulgação  |
| Figurinos de Lohengrin, Elsa, Ortrud e Frederico: criados
pelo inglês Howard Lloyd | Diferentemente
das óperas italianas, encenadas com freqüência na cidade, as
de Wagner podem ser consideradas uma raridade nos palcos paulistanos. Lá
se vão quase dez anos desde a última vez que uma de suas grandiosas
obras foi vista por aqui (Tannhäuser, em 1996). As composições
de Wagner são trabalhosas para quem toca, canta, rege e assiste. Em alemão
(haverá legendas eletrônicas), com três atos, dois intervalos
e quatro horas de duração, Lohengrin é uma ópera
da pesada. Os 97 integrantes do Coral Lírico permanecerão o tempo
todo em cena. E em pé. A Sinfônica Municipal também estará
completa, com seus 115 músicos. Como de costume, a maioria deles ficará
no fosso. Alguns, no entanto, formarão um grupo menor, que tocará
no palco. "A complexidade é enorme, como se eu regesse duas orquestras
ao mesmo tempo", explica Ira Levin.
Mario Rodrigues  | Heudes
Regis  |
| O publicitário Toze, fã de carteirinha do alemão Richard
Wagner: há três anos, ele assistiu ao disputado Festival de Bayreuth,
na Alemanha | O maestro Ira Levin: "Wagner foi uma pessoa horrível,
mas sua música é fantástica" | Há,
porém, uma pequena legião de paulistanos que não se inibe
com a dificuldade do libreto e da partitura. Trata-se de wagnerianos de carteirinha.
É o caso do publicitário Antonio Carlos Toze. Em 2001, ele foi à
Alemanha para assistir ao disputadíssimo Festival de Bayreuth, que apresenta
exclusivamente o repertório de Wagner num teatro projetado pelo próprio
compositor e dirigido por seus descendentes. Ali, um bom ingresso custa cerca
de 500 reais e precisa ser reservado com pelo menos um ano de antecedência.
"Estou me programando para voltar", diz Toze, empolgado. "A obra de Wagner
é inesgotável." Autor de dez óperas
incluindo a tetralogia O Anel dos Nibelungos, que dura dezoito horas
e é em geral desdobrada em quatro dias , Wagner ocupa uma posição
ímpar na história da música. Ultra-romântico e nacionalista,
recorreu a temas da mitologia germânica e a episódios históricos
da Alemanha. Era o favorito de Hitler e seu repertório foi usado pelo nazismo.
Por isso (e também por ensaios anti-semitas que publicou), até hoje
não é executado em Israel. "Wagner foi uma pessoa horrível,
mas sua música é fantástica", diz Ira Levin, que é
americano de origem judaica. "Devo reconhecer que ele é, junto com Mozart
e Verdi, um dos maiores compositores de ópera que já existiram."
Lohengrin. Teatro
Municipal (1 464 lugares). Praça Ramos de Azevedo, s/nº,
222-8698, Metrô Anhangabaú. Sexta (19), 19h30; domingo (21), 17h.
R$ 30,00 a R$ 100,00. Bilheteria: 10h/19h (seg. a dom.). Até dia 28.
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