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GASTRONOMIA
Delícias
argentinas Carnes
altas e suculentas,
grelhas móveis, empanadas saborosas,
shows de tango e atendimento muitas vezes familiar. Essa é a receita
das parrillas, as típicas churrascarias argentinas.
Só no último ano, seis delas foram inauguradas na
cidade Otávio
Canecchio Fotos
Mario Rodrigues  | | Casal
dança tango entre as mesas do Buenos Aires Classic, no Itaim. Abaixo, o proprietário
e parrilheiro Oscar Yannelli pilota a grelha: assados caprichados e clima festivo
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Ojo de bife,
vacio, chorizo, lomo, morcilla... O churrasco argentino, aquele preparado em grelhas
móveis comandadas por parrilheiros que não usam espetos, está
cada vez mais presente no universo gastronômico da cidade. Atualmente, funcionam
na cidade pelo menos quinze casas especializadas em assados à moda do Prata.
Seis delas foram abertas apenas um ano atrás. Com uma proposta bem diferente
dos populares rodízios, onde normalmente se come à exaustão,
mas as carnes são oferecidas em fatias finas, os restaurantes de inspiração
portenha servem cortes nobres, altos e muito suculentos. Para acompanhá-los,
há vinhos de bons preços, típicas empanadas e, em certos
dias, até pequenos shows de tango.
Filial de uma famosa rede na Argentina, o La Caballeriza foi um dos últimos
a aportar em São Paulo. Desde agosto, atende num casarão na Alameda
Campinas, nos Jardins, com decoração baseada em temas eqüestres.
Parte das mesas fica dentro de baias. O portunhol rola solto entre seus atendentes
para reforçar a equipe, os proprietários trouxeram catorze
profissionais de Buenos Aires. "O paulistano, acostumado à picanha, agora
conta com mais opções para saborear cortes diferenciados", afirma
o crítico Arnaldo Lorençato, que avaliou dez dessas churrascarias
(veja quadro). "A forma
de grelhar e o tempero com sal fino fazem toda a diferença."  |  | | Barman
prepara drinque no La Caballeriza, aberto em agosto, nos Jardins: restaurante
conta com catorze funcionários argentinos |
Aberta
no ano passado no Itaim Bibi, a Buenos Aires Classic desponta como uma das melhores.
Nas noites de sexta e sábado, os jantares são acompanhados por shows
de tango com músicos e dançarinos. Os donos, argentinos, Oscar Yannelli
e sua mulher, Graciela, preparam com esmero carnes e sobremesas recheadas de doce
de leite de seu país de origem. "Na Argentina, é comum a família
inteira estar atrás do negócio", explica Yannelli, um ex-jogador
de futebol. É o que também acontece no pequenino Bárbaro,
na Vila Olímpia, com atendimento sob o comando do portenho Juan Germán
Seoane e de sua filha Maria Alejandra. Lá, como em seus concorrentes, gostosas
empanadas de carne, frango, queijo ou milho são opções de
entrada para comer antes dos assados.
Além dos argentinos radicados na capital, um grupo de empreendedores paulistas
enxergou no segmento um filão a ser explorado. Sócio do badalado
restaurante japonês Jam Warehouse, o empresário Luiz Marsaioli recebeu
de amigos e clientes a sugestão de instalar uma genuína casa de
parrilla em São Paulo. "Muitos deles tinham viajado recentemente para Buenos
Aires e queriam provar um churrasco semelhante por aqui", conta. Ele convenceu-se
de que era uma boa idéia e, há dois meses, inaugurou na Vila Olímpia
o Pobre Juan. Com nome inspirado num botequim de Buenos Aires chamado El Pobre
Luis, a churrascaria montou uma grelha de tijolos refratários à
vista do público. No centro do salão, foi colocado um surpreendente
ofurô em que ficam gelando boas cervejas, como a uruguaia Norteña.
"As churrascarias argentinas têm um charme especial", avalia J.A. Dias Lopes,
diretor da revista Gula e colunista de O Estado de S. Paulo. "Além
da grelha e dos cortes altos e saborosos, elas possuem um clima festivo."  |  | | À
esquerda , o ofurô utilizado para gelar cervejas no recém-inaugurado Pobre Juan,
na Vila Olímpia: ambientação informal e agradável |
Mas,
afinal, por que o churrasco argentino é considerado um dos melhores do
mundo? A resposta está principalmente na qualidade das carnes. O clima
e as pastagens do país garantem a seu gado na maioria, das raças
aberdeen-angus e hereford, ambas de origem britânica uma quantidade
de gordura maior que a do brasileiro. Isso torna os cortes mais suculentos e saborosos.
Numa legítima parrilla não podem faltar o vacio (ponta de agulha),
o assado de tira (costela) e o ojo de bife (contrafilé). "Ao lado do vacio,
o bife ancho e o bife de chorizo são os mais pedidos pelos clientes", conta
Eduardo Santalla, dono do 348 Parrilla Porteña, aberto em 1997.
Em geral, os argentinos apreciam a carne num ponto próximo ao malpassado.
É o que eles classificam de "jugoso": tostado por fora e rosado por dentro.
Para temperá-la, usam apenas sal fino ou, eventualmente, grosso. Os acompanhamentos
são coadjuvantes e limitam-se ao famoso molho chimichurri (uma mescla de
ervas, azeite, vinagre, cebola e alho), saladas básicas, legumes grelhados
e batatas fritas ou recheadas. Ao menos nessa área, as casas paulistanas
foram obrigadas a fazer adaptações. "Logo nas primeiras semanas
de funcionamento, tivemos de incluir no cardápio farofa e mandioca frita",
diz Luis Philipe de Lima, sócio brasileiro do La Caballeriza. Já
a tradicional parrillada, uma mistura de carnes e miúdos bovinos, é
reproduzida com fidelidade. Por 85 reais, o Estación Sur, nos Jardins,
prepara o prato que satisfaz três pessoas e inclui ingredientes que os brasileiros
não estão acostumados a comer, entre eles morcilla (chouriço),
chinchulines (tripa), mollejas (timo) e matambre (capa da costela).  | 
 | | O
pequenino Bárbaro, na Vila Olímpia, é comandado por Juan Seoane e sua filha Maria
Alejandra (no alto, à dir.). À direita, as empanadas da casa: boas
receitas e atendimento caseiro |
Uma
diferença fundamental entre o nosso churrasco e o deles está na
forma de assar a carne. Na parrilla, não se utiliza o espeto. As grelhas
são móveis, e os cortes podem permanecer tanto paralelos às
brasas como um pouco inclinados, o que permite controlar melhor o calor. O declive
impede que a gordura caia sobre o fogo, justamente o que provoca a fuligem e a
fumaça ela escorrega direto por cantoneiras até cair num
recipiente. Empresários brasileiros chegaram a contratar engenheiros e
consultores argentinos para projetar churrasqueiras dentro de tais especificações
em seus restaurantes. "A grelha deles é um diferencial, embora lugares
como o Baby Beef Rubaiyat utilizem o mesmo sistema há bastante tempo",
afirma Dias Lopes.
 | | A
varanda do 348 Parrilla Porteña, na Vila Olímpia, aberto em 1997 por Eduardo Santalla:
o doce de leite para as panquecas e a massa das empanadas vêm da Argentina |
Quanto
ao preparo dos assados, o parrilheiro recorre a um procedimento lento e quase
artesanal. Em vez de acender o carvão e logo acomodar a carne, ele espera
ao menos trinta minutos para usar somente as brasas. Depois de jogados na grelha,
os cortes levam de quinze a vinte minutos para ficar prontos. Por causa da demora,
é comum que alguns clientes habituados aos rodízios reclamem. Freqüentemente
com razão. O atendimento, em várias churrascarias argentinas, é
falho e não está à altura da qualidade de suas carnes. Casas
como Buenos Aires Classic, La Caballeriza e Pobre Juan têm serviço
confuso, sobretudo quando o movimento é grande.
Ainda assim, conhecê-las é um programa diferente e interessante.
Ao lado da boa mesa, do ambiente platino e de preços médios menores
que os das churrascarias paulistanas de primeira linha, elas dispõem de
uma variada carta de vinhos em que predominam tintos produzidos na província
de Mendoza. "Nossos vinhos, assim como os chilenos, oferecem ótima relação
custo-benefício", diz o enólogo argentino Jorge Carrara, colunista
da Folha de S.Paulo. Degustar um deles na temperatura correta (em torno
de 18 graus), enquanto se come um belo bife de chorizo ao som de um bandoneon,
ajuda o paulistano a sentir um pouco do nostálgico sabor de Buenos Aires.  | | O
agradável Estación Sur, nos Jardins, que serve a parrillada, uma receita típica
feita com carnes e miúdos bovinos: prato satisfaz até três pessoas |  |
Vinhos
que combinam com as carnes e não machucam o bolso | Norton
Clasico
Preço na importadora Expand: R$
20,67
Preço no 348 Parrilla Porteña: R$ 33,00 |  |  | | Altos
Las Hormigas Malbec
Preço na
importadora Mistral: R$ 33,00
Preço no Pobre Juan: R$ 49,00
|  |  | | Luigi
Bosca Reserva Cabernet Sauvignon
Preço
na importadora Decanter: R$ 44,30
Preço no Buenos Aires Classic: R$
61,00 |  |  | | Finca
El Portillo Malbec
Preço na
importadora WineHouse: R$ 28,00
Preço no La Caballeriza: R$
42,00 |  |  | | San
Felipe en Roble Malbec
Preço
na importadora Grand Vin: R$ 29,70
Preço no Bárbaro: R$
47,00 |  |  | | Agua
Negra Syrah
Preço na importadora
Fasano: R$ 26,00
Preço no Martín Fierro: R$ 36,00 |
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