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AMBIENTE
Olha o perigo
Estudo analisa quase 7 000 árvores da
cidade. Em Cerqueira César, 16% delas, afetadas por cupins e maus-tratos,
correm risco de queda Caio Quero Nicia
Guerreiro
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Com o aumento da temperatura e a ocorrência
cada vez mais freqüente de chuvas torrenciais na cidade, cresce entre os
paulistanos o temor de acidentes com árvores. Não é à
toa. Todos os anos, ventos fortes derrubam centenas de espécimes entre
os meses de outubro e março, muitas vezes em cima de fios de alta-tensão,
muros e automóveis. No dia 27 de outubro, uma seringueira de 10 metros
de altura que ficava no canteiro central da Avenida Sumaré desabou sobre
dois motoqueiros que passavam por ali. Um morreu na hora e o outro ficou ferido.
Para tentar amenizar o problema, a prefeitura lançou a Operação
Árvore Saudável. Desde o ano passado, técnicos estão
analisando o risco de queda de 6.748 plantas com mais de 5 metros de altura em
sete regiões (Alto de Pinheiros, PacaembuSumaré, Paraíso,
Alto da Lapa, Alto da Boa Vista, Cerqueira César e Vila Nova Conceição).
A idéia é identificar quais delas estão doentes e se podem
ser tratadas ou precisam ser removidas. Mario
Rodrigues
 | | Técnicos
durante análise: software simula condições de vento e chuvas |
São
Paulo tem cerca de 10 milhões de árvores. Dessas, 1 milhão
estão em vias públicas. As quase 7.000 analisadas no projeto são,
segundo a prefeitura, as mais ameaçadas. "Os bairros onde está sendo
feito o estudo contam com espécimes antigos, que chegam a ter até
oitenta anos de idade", diz o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente,
Adriano Diogo. "Também são os mais afetados pelos cupins." O diagnóstico
completo deve sair até o fim deste ano. Já foram catalogadas características
de 2 424 árvores, mas apenas os resultados referentes à região
de Cerqueira César ficaram prontos. A conclusão é preocupante.
Cerca de 16% das árvores encontram-se em estado grave (o que significa
que, se nenhuma providência for tomada, têm grande probabilidade de
cair nos próximos dois anos), 10% apresentam risco médio (podem
cair em até cinco anos) e 74% correm risco pequeno de queda. Flavio
Florido/Folha Imagem
 | | Bombeiros
retiram seringueira que caiu na Avenida Sumaré, em 27 de outubro: um motoqueiro
morto |
O estudo
está sendo realizado pelo Agrupamento de Preservação de Madeiras
do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Cada árvore é
analisada em duas etapas. Primeiro, os técnicos verificam a presença
de fungos e cupins aparentes. Depois, uma agulha de menos de 1 milímetro
de diâmetro acoplada a um computador é enfiada em seu tronco para
registrar o nível de resistência da madeira. "Com esse aparelho podemos
calcular qual o estrago feito pelos cupins", diz o biólogo Sérgio
Brazolin, coordenador do projeto. Um software simula condições adversas
como vento e chuvas e calcula a probabilidade de queda. Segundo Brazolin, os principais
responsáveis pela atual situação das árvores paulistanas
são os cupins subterrâneos. Altamente adaptados ao ambiente urbano,
eles se tornaram uma praga. "Os tipos de árvore mais freqüentes nos
locais pesquisados a tipuana, a sibipiruna e o alfeneiro são
justamente os mais suscetíveis a essa infestação", comenta
Brazolin. O risco de queda é agravado por causa de podas malfeitas, que
desestabilizam o equilíbrio do vegetal, e pela redução do
espaço permeável a seu redor. Saiba
como cuidar das árvores... •
A poda de galhos e raízes deve ser feita sempre pela administração
municipal (
156 ou diretamente na subprefeitura da região)
• Nunca pintar ou
passar cal no tronco. Ao contrário do que alguns acreditam, isso não
serve para protegê-lo de pragas
• Antes de plantar
uma árvore na calçada, deve-se entrar em contato com a subprefeitura
para saber se o espécime escolhido é adequado
• Avisar a prefeitura
caso galhos estejam atingindo fios de eletricidade
...e identificar seus principais problemas •
Folhas secas fora de época
• Raízes cortadas
• Rachaduras e presença de cupim
em partes ocas do tronco
• Copa desequilibrada
(com galhos pendendo para um só lado) |
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