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17 de novembro de 2004
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Olha o perigo

Estudo analisa quase 7 000 árvores
da cidade. Em Cerqueira César, 16%
delas, afetadas por cupins e maus-tratos,
correm risco de queda

Caio Quero

 
Nicia Guerreiro

Com o aumento da temperatura e a ocorrência cada vez mais freqüente de chuvas torrenciais na cidade, cresce entre os paulistanos o temor de acidentes com árvores. Não é à toa. Todos os anos, ventos fortes derrubam centenas de espécimes entre os meses de outubro e março, muitas vezes em cima de fios de alta-tensão, muros e automóveis. No dia 27 de outubro, uma seringueira de 10 metros de altura que ficava no canteiro central da Avenida Sumaré desabou sobre dois motoqueiros que passavam por ali. Um morreu na hora e o outro ficou ferido. Para tentar amenizar o problema, a prefeitura lançou a Operação Árvore Saudável. Desde o ano passado, técnicos estão analisando o risco de queda de 6.748 plantas com mais de 5 metros de altura em sete regiões (Alto de Pinheiros, Pacaembu–Sumaré, Paraíso, Alto da Lapa, Alto da Boa Vista, Cerqueira César e Vila Nova Conceição). A idéia é identificar quais delas estão doentes e se podem ser tratadas ou precisam ser removidas.

 
Mario Rodrigues
Técnicos durante análise: software simula condições de vento e chuvas

São Paulo tem cerca de 10 milhões de árvores. Dessas, 1 milhão estão em vias públicas. As quase 7.000 analisadas no projeto são, segundo a prefeitura, as mais ameaçadas. "Os bairros onde está sendo feito o estudo contam com espécimes antigos, que chegam a ter até oitenta anos de idade", diz o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Adriano Diogo. "Também são os mais afetados pelos cupins." O diagnóstico completo deve sair até o fim deste ano. Já foram catalogadas características de 2 424 árvores, mas apenas os resultados referentes à região de Cerqueira César ficaram prontos. A conclusão é preocupante. Cerca de 16% das árvores encontram-se em estado grave (o que significa que, se nenhuma providência for tomada, têm grande probabilidade de cair nos próximos dois anos), 10% apresentam risco médio (podem cair em até cinco anos) e 74% correm risco pequeno de queda.

 
Flavio Florido/Folha Imagem
Bombeiros retiram seringueira que caiu na Avenida Sumaré, em 27 de outubro: um motoqueiro morto

O estudo está sendo realizado pelo Agrupamento de Preservação de Madeiras do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Cada árvore é analisada em duas etapas. Primeiro, os técnicos verificam a presença de fungos e cupins aparentes. Depois, uma agulha de menos de 1 milímetro de diâmetro acoplada a um computador é enfiada em seu tronco para registrar o nível de resistência da madeira. "Com esse aparelho podemos calcular qual o estrago feito pelos cupins", diz o biólogo Sérgio Brazolin, coordenador do projeto. Um software simula condições adversas como vento e chuvas e calcula a probabilidade de queda. Segundo Brazolin, os principais responsáveis pela atual situação das árvores paulistanas são os cupins subterrâneos. Altamente adaptados ao ambiente urbano, eles se tornaram uma praga. "Os tipos de árvore mais freqüentes nos locais pesquisados – a tipuana, a sibipiruna e o alfeneiro – são justamente os mais suscetíveis a essa infestação", comenta Brazolin. O risco de queda é agravado por causa de podas malfeitas, que desestabilizam o equilíbrio do vegetal, e pela redução do espaço permeável a seu redor.

 

Saiba como cuidar das árvores...

• A poda de galhos e raízes deve ser feita sempre pela administração municipal ( 156 ou diretamente na subprefeitura da região)  

• Nunca pintar ou passar cal no tronco. Ao contrário do que alguns acreditam, isso não serve para protegê-lo de pragas  

• Antes de plantar uma árvore na calçada, deve-se entrar em contato com a subprefeitura para saber se o espécime escolhido é adequado  

• Avisar a prefeitura caso galhos estejam atingindo fios de eletricidade

 

...e identificar seus principais problemas

• Folhas secas fora de época  

• Raízes cortadas  

• Rachaduras e presença de cupim em partes ocas do tronco  

• Copa desequilibrada (com galhos pendendo para um só lado)

     
   
 
 
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