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NOITE A rua de
todas as tribos Intelectuais, alternativos, patricinhas,
gays e góticos se encontram na Álvaro de Carvalho Uma
ruazinha no centro da cidade vem atraindo um público eclético e
descolado. Nas noites de quinta, sexta e sábado, patricinhas, alternativos,
gays, góticos e intelectuais lotam as duas boates e os seis bares da Rua
Álvaro de Carvalho, próxima ao Viaduto Nove de Julho. No início
do mês, foi inaugurado ali o Instituto Capobianco, com teatro e área
para exposições, o que fez com que artistas e intelectuais também
passassem a freqüentar a rua. O instituto fica no antigo prédio da
Fábrica de Ladrilhos e Pastilhas R. Capobianco & Cia., fundada na primeira
metade do século XX. "Preservamos algumas características originais
do edifício, como a fachada e o telhado", conta o empresário Júlio
Capobianco, proprietário do local. "Quero trazer para cá paulistanos
que não costumam vir à região." Na abertura do Teatro da
Memória, com a peça Sonho de um Homem Ridículo (leia
em Veja São Paulo Recomenda), figuras como a ex-prefeita
Marta Suplicy e a psicanalista Eleonora Mendes Caldeira foram aplaudir o ator
Celso Frateschi. Quando percebeu
que a movimentação na Álvaro de Carvalho estava aumentando,
a produtora de eventos Gisele Lellys chamou dois amigos para montar em sociedade
o bar Taberna Central, inaugurado há quatro semanas. "Aqui é um
local democrático, onde todos os tipos de público convivem sem problemas",
afirma Gisele. Um dos primeiros a acreditar na área foi o empresário
Francisco Mafra. Em 2000, ele passou a alugar um salão no Hotel Cambridge,
na vizinha Avenida Nove de Julho, para a realização de festas. Dois
anos depois, a Trash 80's foi para lá e mudou a cara do pedaço.
Hoje, a balada com sucessos dos anos 1980 funciona em outro espaço, a boate
Caravaggio, mas Mafra continua dominando a cena. Está no comando de três
bares (Picasso, Tarsila e Portinari), um ao lado do outro.
Entre as mudanças recentes, o antigo bordel de luxo La Bohème se
transformou na casa noturna gay friendly Sala Especial, voltada para o público
moderninho. No subsolo do bar Pub Fiction, freqüentado atualmente por góticos,
funcionava uma casa de jogos clandestina. Tantas atrações reunidas
deram um novo ritmo à rua. Para a arquiteta Sidnéia de Souza, presidente
da Ação Local Ladeira da Memória, braço da Associação
Viva o Centro, responsável pela conservação de espaços
públicos, há algumas desvantagens na mudança, embora muito
menores que os benefícios. "Vizinhos reclamam do barulho, mas antigamente
eu tinha medo de andar por aqui à noite. Era uma via morta", afirma. Os
que também estão lucrando com o agito são os estacionamentos.
"Há três anos, eu fechava às 9 da noite", conta Wilians Prussiano,
que desde 1985 é dono do Jardins Park. "Agora, só vou embora às
6 da manhã", comemora. |