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NOITE
Punks
de laquê
Casa
de shows no Bom Retiro
reúne nova geração de fãs do movimento
Rodrigo
Pereira
Fotos Rogerio Albuquerque
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Fotos Rogerio Albuquerque
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| Danielle
Simões e Fellipe Matheus,
no Hangar 110: roupas rasgadas, coturno e cabelo espetado,
mas sem as velhas idéias anarquistas |
Marco
Antônio Badin deixou escapar, no início dos anos 80,
sua primeira oportunidade de passar à história do
punk nacional. Convidada a participar da coletânea Grito
Suburbano que revelou Inocentes, Olho Seco e Cólera
, sua banda, a Anarcoólatras, ficou de fora porque
estava sem baterista. Na época, o movimento chegou a ter
discreta participação na cena musical paulistana.
Com o passar dos anos, perdeu força e os raros grupos que
ainda se mantinham fiéis ao rock de três acordes contavam
com um público pequeno e poucos lugares para se exibir. Veio
aí a segunda chance de Badin. Em 1998, ele transformou um
antigo galpão de fábrica no bairro do Bom Retiro em
casa de shows. Inaugurou o Hangar 110 e convidou bandas nacionais
e internacionais do gênero para se apresentar por ali. Aos
poucos, jovens de classe média descobriram o lugar, que se
transformou em uma espécie de templo neopunk. É um
sucesso. "Antes, gostava de bandas de britpop, como o Oasis, e andava
de camiseta clara, jeans e tênis", conta a estudante Danielle
Cruz Simões, de 16 anos. "Mas comecei a ouvir sons hardcore
com meu irmão mais velho e não saio mais à
noite sem meu coturno." Moradora da cidade de Atibaia, a 67 quilômetros
de São Paulo, ela costuma alugar uma van com alguns amigos
para ir aos shows do Hangar.
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Divulgação
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| Hardcore:
apresentações internacionais atraem 800 pessoas |
Backyard
Babies: suecos tocam no dia 20 |
Os
freqüentadores do local desprezam as idéias anarquistas
que marcaram punks de gerações anteriores, mas ainda
se vestem com roupas rasgadas e mantêm o cabelo espetado.
"Já que hoje em dia todo mundo parece igual, vale a pena
ser diferente", argumenta Rafael Brito Kirsten, de 16 anos, em defesa
das madeixas espetadas à custa de muito sabão de coco.
Fellipe Matheus, de 14 anos, prefere um recurso menos prosaico.
Para chegar à pista de dança ostentando um moicano
gigantesco, ele recorre ao bom e velho laquê. Bastam algumas
músicas, no entanto, para que o penteado se desfaça
e uma enorme franja lhe caia sobre os olhos. Vestir-se à
maneira dos Sex Pistols não chega a ser uma exigência.
A estudante de moda Clarissa Steed, de 22 anos, por exemplo, prefere
o visual baby look, com minissaia e barriga de fora. "Aqui se reúnem
todos os estilos, sem preconceitos", diz. O figurino street wear
dá as caras na rampa de skate construída ao lado do
palco.
A
iniciativa de Badin é considerada por muitos o ponto de partida
para uma espécie de ressurreição do movimento
punk. "Hoje existem lugares, selos, bandas e uma molecada bastante
interessada, ou seja, uma cena cujo centro é o Hangar", afirma
João Gordo, VJ da MTV e líder do Ratos de Porão.
O público da casa foi um dos primeiros a aplaudir o CPM 22,
quinteto paulistano que agora faz sucesso nas rádios roqueiras
e vendeu 90.000 cópias de seu último CD. Outro habitué
que vem se dando bem, o trio Holly Tree atualmente fatura um extra
acompanhando Supla. Em dias de shows internacionais, o Hangar, com
capacidade para 800 pessoas, fica lotado. Além de atrações
britânicas, como GBH, Stiff Little Fingers e Varukers, passaram
por ali grupos dos Estados Unidos (Voodoo Glow Skulls, Agnostic
Front, Shelter), Argentina, Suécia, Finlândia, Holanda
e Alemanha. Isso sem falar em Marky e CJ, integrantes do pioneiro
conjunto nova-iorquino Ramones. No sábado (20) é a
vez dos suecos do Backyard Babies (leia
em Shows), em sua primeira turnê brasileira.
E estão prometidas apresentações do quinteto
americano Avail nos dias 26 e 27.
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