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17 de julho de 2002
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Punks de laquê

Casa de shows no Bom Retiro
reúne nova geração de fãs do movimento

Rodrigo Pereira


Fotos Rogerio Albuquerque
Fotos Rogerio Albuquerque
Danielle Simões e Fellipe Matheus, no Hangar 110: roupas rasgadas, coturno e cabelo espetado, mas sem as velhas idéias anarquistas


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Ouça bandas que já tocaram no Hangar 110

Marco Antônio Badin deixou escapar, no início dos anos 80, sua primeira oportunidade de passar à história do punk nacional. Convidada a participar da coletânea Grito Suburbano – que revelou Inocentes, Olho Seco e Cólera –, sua banda, a Anarcoólatras, ficou de fora porque estava sem baterista. Na época, o movimento chegou a ter discreta participação na cena musical paulistana. Com o passar dos anos, perdeu força e os raros grupos que ainda se mantinham fiéis ao rock de três acordes contavam com um público pequeno e poucos lugares para se exibir. Veio aí a segunda chance de Badin. Em 1998, ele transformou um antigo galpão de fábrica no bairro do Bom Retiro em casa de shows. Inaugurou o Hangar 110 e convidou bandas nacionais e internacionais do gênero para se apresentar por ali. Aos poucos, jovens de classe média descobriram o lugar, que se transformou em uma espécie de templo neopunk. É um sucesso. "Antes, gostava de bandas de britpop, como o Oasis, e andava de camiseta clara, jeans e tênis", conta a estudante Danielle Cruz Simões, de 16 anos. "Mas comecei a ouvir sons hardcore com meu irmão mais velho e não saio mais à noite sem meu coturno." Moradora da cidade de Atibaia, a 67 quilômetros de São Paulo, ela costuma alugar uma van com alguns amigos para ir aos shows do Hangar.


Divulgação
Hardcore: apresentações internacionais atraem 800 pessoas Backyard Babies: suecos tocam no dia 20

Os freqüentadores do local desprezam as idéias anarquistas que marcaram punks de gerações anteriores, mas ainda se vestem com roupas rasgadas e mantêm o cabelo espetado. "Já que hoje em dia todo mundo parece igual, vale a pena ser diferente", argumenta Rafael Brito Kirsten, de 16 anos, em defesa das madeixas espetadas à custa de muito sabão de coco. Fellipe Matheus, de 14 anos, prefere um recurso menos prosaico. Para chegar à pista de dança ostentando um moicano gigantesco, ele recorre ao bom e velho laquê. Bastam algumas músicas, no entanto, para que o penteado se desfaça e uma enorme franja lhe caia sobre os olhos. Vestir-se à maneira dos Sex Pistols não chega a ser uma exigência. A estudante de moda Clarissa Steed, de 22 anos, por exemplo, prefere o visual baby look, com minissaia e barriga de fora. "Aqui se reúnem todos os estilos, sem preconceitos", diz. O figurino street wear dá as caras na rampa de skate construída ao lado do palco.

A iniciativa de Badin é considerada por muitos o ponto de partida para uma espécie de ressurreição do movimento punk. "Hoje existem lugares, selos, bandas e uma molecada bastante interessada, ou seja, uma cena cujo centro é o Hangar", afirma João Gordo, VJ da MTV e líder do Ratos de Porão. O público da casa foi um dos primeiros a aplaudir o CPM 22, quinteto paulistano que agora faz sucesso nas rádios roqueiras e vendeu 90.000 cópias de seu último CD. Outro habitué que vem se dando bem, o trio Holly Tree atualmente fatura um extra acompanhando Supla. Em dias de shows internacionais, o Hangar, com capacidade para 800 pessoas, fica lotado. Além de atrações britânicas, como GBH, Stiff Little Fingers e Varukers, passaram por ali grupos dos Estados Unidos (Voodoo Glow Skulls, Agnostic Front, Shelter), Argentina, Suécia, Finlândia, Holanda e Alemanha. Isso sem falar em Marky e CJ, integrantes do pioneiro conjunto nova-iorquino Ramones. No sábado (20) é a vez dos suecos do Backyard Babies (leia em Shows), em sua primeira turnê brasileira. E estão prometidas apresentações do quinteto americano Avail nos dias 26 e 27.

         
     
   
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