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BEBIDA
Eta
cafezinho...
Grãos
nobres e novos
pontos-de-venda fazem o consumo
do expresso crescer 30% na cidade
Mônica
Santos
Fotos Leo Feltran
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| Com
o creme na medida certa: para preservar a temperatura e o aroma |
Lembra aquele cafezinho já adoçado (argh!), servido
num copo aquecido no balcão da padaria ou de graça
em restaurante? Pois bem, está quase extinto. E aquele expresso
mal tirado, nem um pouco cremoso e de sabor intragável? Segue
pelo mesmo caminho. A moda é o expresso, sim, mas feito com
grãos nobres e, de preferência, preparado por um barista,
uma espécie de barman de cafeteria. Esse profissional, cada
vez mais presente na cidade, é fruto da nova tendência,
assim como os cursos de degustação e de preparação
de drinques com a bebida. "Freqüento a Cafeera todos os dias
só para tomar um expresso ou um cappuccino caprichado. É
de aguçar os sentidos", entusiasma-se a estudante Fernanda
Vilarinho, 18 anos, fã das xicrinhas da loja do Brooklin.
A Cafeera faz parte das cerca de 1.000
casas do gênero existentes na cidade. E não são
poucas as que se empenham em elevar o café ao status de bebida
fina. O Floresta, no térreo do edifício Copan há
28 anos, e o Angelo, nos Jardins, são exemplos. Hoje, um
expresso no capricho também se encontra em sorveterias como
a La Basque de Pinheiros, na chocolateria Neuhaus do Shopping Pátio
Higienópolis e até mesmo no McDonald's.
Um
estudo da Secretaria da Agricultura do Estado aponta que o consumo
de expresso em quiosques e cafeterias da cidade teve um aumento
de 30% no ano passado em relação a 2000. A expectativa
é que cresça ainda mais. Esse sucesso, segundo especialistas,
deve-se ao café gourmet, conceito que chegou primeiro aos
restaurantes paulistanos, em 1994, com a marca italiana Illy, cuja
xícara custa, em média, 2,50 reais. Ao mesmo tempo,
as indústrias de torrefação passaram a investir
em variedades de melhor qualidade para o mercado interno. Feito
com grãos 100% do tipo arábica, o gourmet disputa
as prateleiras dos supermercados. Mas o preço, ao contrário
de seu sabor, é excessivamente amargo: em torno de 20 reais
o quilo. Nas casas do ramo, a xícara sai por cerca de 1,20
real. "Nos anos 80, o cafezinho em restaurante era mera cortesia
depois da refeição", diz o especialista em gastronomia
e bebidas Ennio Federico. "Com a chegada do café gourmet
e de novas máquinas italianas, passou a ser cobrado e comentado.
Criou-se uma cultura semelhante à dos vinhos. Interessa saber
a procedência, discutir o sabor."
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Isabela
Raposeiras:
a barista nº 1 |
A
estudante Fernanda Vilarinho: café ou cappuccino todo dia |
Somente
o uso de grãos especiais, porém, não garante
um expresso dos bons. "Há outros fatores que interferem",
observa Eliana Relvas de Almeida, coordenadora do Centro de Preparação
de Café. "A xícara deve ter tamanho médio de
50 mililitros e fundo mais estreito que a borda. Com esse formato,
a base permite que o primeiro jato do líquido, responsável
pelo creme, faça movimentos circulares, valorizando o sabor."
O creme precisa medir de 3 a 4 milímetros de espessura e
aderir à parede da xícara. "Só assim será
capaz de preservar a temperatura e o aroma", acrescenta a professora
da instituição, que promove cursos rápidos
sobre café a preços entre 50 e 180 reais (
3258-7443, www.sindicafesp.com.br).
A
barista Isabela Raposeiras, 28 anos, passou pelas aulas do Centro
de Preparação de Café para trabalhar na Cafeera,
inaugurada em outubro do ano passado. É um lugar para degustadores.
Além do cafezinho de coador, do expresso e do badalado cappuccino,
há diversos drinques. Foi com um deles à base
de café, chocolate, gengibre e lima-da-pérsia
que Isabela venceu o I Concurso Brasileiro de Baristas, em março.
Virou consultora da loja, que produz os grãos em fazenda
própria e oferece diversos blends, de aromas e sabores específicos.
Qual o melhor? "Independentemente da variedade, o café deve
ter aroma forte, cremosidade, sabor e retrogosto sem amargor", afirma
Isabela. "Assim como o vinho, a degustação de um café
exige algumas regras, e a principal delas é tomá-lo
sem açúcar nem adoçante", sugere Ennio Federico.
"Um verdadeiro amante de café não dispensa o prazer
de sentir sua pureza."
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Duas
receitinhas para
bancar o barista
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Strawberry
coffee
INGREDIENTES
1
dose de calda de morango
2
doses de leite aquecido
1
dose de café expresso
PREPARO
Despeje
numa taça flûte a
calda de morango, depois o leite aquecido e, por último,
o café. Não mexa. O
processo deve ser bem lento, para que os líquidos
fiquem separados, garantindo o visual do
drinque.
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Amaretto's
coffee
INGREDIENTES
1
colher (sobremesa) de açúcar
1/2
dose de Amaretto
1/2
dose de licor Tia Maria
1
1/2 xícara de café expresso chantilly
e canela em pau para
decorar
PREPARO
Numa
taça aquecida, coloque o açúcar,
o Amaretto, o licor Tia Maria e, lentamente, o
expresso tirado na hora.
Por fim, decore com chantilly e canela.
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| Fonte: Centro de Preparação
de Café |
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