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IMÓVEIS
Escritórios cinco-estrelas Após período
de crise, a procura por prédios comerciais AAA cresce 8% Isabela
Barros
Fotos Fernando Moraes  |
| Faria Lima Financial Center: atrás
de uma recepcionista que fale alemão |
São Paulo tem menos de dez edifícios
de escritórios classificados pelo mercado como AAA, o mais alto título
que um imóvel construído para abrigar empresas pode receber. Chamam
atenção pela fachada imponente, pelo uso da tecnologia e por serviços
inspirados nos dos melhores hotéis. Nesses cinco-estrelas do mundo dos
negócios, cujo aluguel chega a custar 90 reais por metro quadrado (ou até
duas vezes mais do que em um prédio, digamos, normal), máquinas
transformam gás natural em energia elétrica (o que elimina riscos
de blecaute) e não há botões com o número dos andares
nos elevadores ainda no saguão, basta digitar o piso desejado num
painel e o sistema indicará a cabine que o levará até lá.
Apesar dos diferenciais, esses edifícios viveram uma má fase entre
2001 e 2004, período em que a oferta de locação foi muito
maior que a demanda. No ano passado, a situação começou a
mudar, e a procura por um espaço nos superprédios cresceu 8%.
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| Estacionamento vip do Plaza Iguatemi: piso
de porcelanato e pé-direito de 4 metros |
A chegada de grandes empresas internacionais à cidade na segunda metade
da década de 90 movimentou o mercado de torres comerciais. Construtoras
passaram então a centrar forças nesse filão. Em 2001, no
entanto, depois dos atentados ao World Trade Center, em Nova York, muitas companhias
decidiram reduzir seus investimentos no exterior, o que deixou ociosa boa parte
dos escritórios top da cidade. "Essa crise já passou", afirma Marcos
Montandon Jr., diretor comercial da consultoria imobiliária CB Richard
Ellis. Para atrair inquilinos, os espigões AAA reservam surpresas como
funcionários da portaria que dão informações em inglês
e espanhol. No Faria Lima Financial Center, na Avenida Faria Lima, está
aberta, neste momento, uma vaga para recepcionista que fale alemão. De
tão elegante, o Financial já foi palco de um casamento pouco depois
de sua inauguração, em 2003. "O filho de um de nossos investidores
realizou a festa nos dois últimos andares do prédio, que estavam
desocupados", conta Nessim Daniel Sarfati, diretor da incorporadora e construtora
Cyrela. Hoje, seria impossível repetir a dose. "Nossa taxa de ocupação
está em 95%." Além do imóvel da Faria Lima, a Cyrela é
dona de outro AAA na região, o JK Financial Center, na Avenida Juscelino
Kubitschek.
Fotos Daniela Toviansky  | iansky
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| JK Financial Center: sede de empresas como
Embraer, Credicard e BNP Paribas | Fachada
do e-Tower: elevadores de alta velocidade vão do térreo
ao 37º andar em 33 segundos |
Erguer um desses arranha-céus exige investimentos consideráveis.
Entregue em novembro do ano passado, o e-Tower, na Rua Funchal, no Itaim, custou
170 milhões de reais. Suas áreas comuns são monitoradas por
150 câmeras digitais, e os elevadores vão do térreo à
cobertura, no 37º andar, em 33 segundos. Nas salas, são usadas apenas
luminárias que eliminam reflexos nos monitores de computador. Um dos mais
conhecidos edifícios de escritórios de alto padrão de São
Paulo, o Plaza Iguatemi, na Avenida Faria Lima, foi inaugurado em 2002. O prédio
dispõe de unidades entre 270 e 3 000 metros quadrados. Quem quiser ocupar
um andar inteiro (1 000 metros quadrados) precisa desembolsar 90 000 reais de
aluguel e outros 11 000 reais de condomínio. Os construtores da obra têm
planos de lançar outro AAA até o fim de 2007, novamente na área
da Faria Lima. "Queremos superar o Plaza em conforto e tecnologia", diz José
Roberto Auriemo, diretor da construtora JHSJ e um dos sócios do empreendimento.
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