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17 de maio de 2006
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IMÓVEIS

Escritórios cinco-estrelas

Após período de crise, a procura por
prédios comerciais AAA cresce 8%

Isabela Barros

 
Fotos Fernando Moraes
Faria Lima Financial Center: atrás de uma recepcionista que fale alemão


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A evolução dos edifícios de escritórios de alto padrão na cidade
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São Paulo tem menos de dez edifícios de escritórios classificados pelo mercado como AAA, o mais alto título que um imóvel construído para abrigar empresas pode receber. Chamam atenção pela fachada imponente, pelo uso da tecnologia e por serviços inspirados nos dos melhores hotéis. Nesses cinco-estrelas do mundo dos negócios, cujo aluguel chega a custar 90 reais por metro quadrado (ou até duas vezes mais do que em um prédio, digamos, normal), máquinas transformam gás natural em energia elétrica (o que elimina riscos de blecaute) e não há botões com o número dos andares nos elevadores – ainda no saguão, basta digitar o piso desejado num painel e o sistema indicará a cabine que o levará até lá. Apesar dos diferenciais, esses edifícios viveram uma má fase entre 2001 e 2004, período em que a oferta de locação foi muito maior que a demanda. No ano passado, a situação começou a mudar, e a procura por um espaço nos superprédios cresceu 8%.

 

Estacionamento vip do Plaza Iguatemi: piso de porcelanato e pé-direito de 4 metros

A chegada de grandes empresas internacionais à cidade na segunda metade da década de 90 movimentou o mercado de torres comerciais. Construtoras passaram então a centrar forças nesse filão. Em 2001, no entanto, depois dos atentados ao World Trade Center, em Nova York, muitas companhias decidiram reduzir seus investimentos no exterior, o que deixou ociosa boa parte dos escritórios top da cidade. "Essa crise já passou", afirma Marcos Montandon Jr., diretor comercial da consultoria imobiliária CB Richard Ellis. Para atrair inquilinos, os espigões AAA reservam surpresas como funcionários da portaria que dão informações em inglês e espanhol. No Faria Lima Financial Center, na Avenida Faria Lima, está aberta, neste momento, uma vaga para recepcionista que fale alemão. De tão elegante, o Financial já foi palco de um casamento pouco depois de sua inauguração, em 2003. "O filho de um de nossos investidores realizou a festa nos dois últimos andares do prédio, que estavam desocupados", conta Nessim Daniel Sarfati, diretor da incorporadora e construtora Cyrela. Hoje, seria impossível repetir a dose. "Nossa taxa de ocupação está em 95%." Além do imóvel da Faria Lima, a Cyrela é dona de outro AAA na região, o JK Financial Center, na Avenida Juscelino Kubitschek.


Fotos Daniela Toviansky
iansky
JK Financial Center: sede de empresas como Embraer, Credicard e BNP Paribas Fachada do e-Tower: elevadores de alta velocidade vão do térreo ao 37º andar em 33 segundos

Erguer um desses arranha-céus exige investimentos consideráveis. Entregue em novembro do ano passado, o e-Tower, na Rua Funchal, no Itaim, custou 170 milhões de reais. Suas áreas comuns são monitoradas por 150 câmeras digitais, e os elevadores vão do térreo à cobertura, no 37º andar, em 33 segundos. Nas salas, são usadas apenas luminárias que eliminam reflexos nos monitores de computador. Um dos mais conhecidos edifícios de escritórios de alto padrão de São Paulo, o Plaza Iguatemi, na Avenida Faria Lima, foi inaugurado em 2002. O prédio dispõe de unidades entre 270 e 3 000 metros quadrados. Quem quiser ocupar um andar inteiro (1 000 metros quadrados) precisa desembolsar 90 000 reais de aluguel e outros 11 000 reais de condomínio. Os construtores da obra têm planos de lançar outro AAA até o fim de 2007, novamente na área da Faria Lima. "Queremos superar o Plaza em conforto e tecnologia", diz José Roberto Auriemo, diretor da construtora JHSJ e um dos sócios do empreendimento.

     
   
 
 
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